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Homilia na Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

 

 

1.O belíssimo texto do evangelho, agora proclamado, apresenta-nos a Virgem Maria “cheia de graça” e “serva do Senhor”, dócil e disponível para cumprir a vontade de Deus (Luc 1,26-38), Assim, queremos celebrar, hoje, a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria nesta Catedral e na Igreja do Porto, que a venera como Mãe e Padroeira.

Mas, é a Deus e a Cristo que se elevam a adoração e a ação de graças desta tão numerosa e participativa assembleia cristã, que contempla em Maria, a primeira de todos os redimidos, a imagem e o ícone da Igreja (Ef 5, 27).

Saudemos, todos, Maria de Nazaré com as palavras do Anjo Gabriel: “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Luc 1, 28).

 

São, por isso também, para a Igreja, de quem Maria é mãe e modelo, as palavras do Anjo: “Não temas, porque encontraste graça diante de Deus”( Luc 1, 29). E digamos, também nós, com Maria e como Maria: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra, Senhor”. O mesmo é dizer: “ Seja feito em mim o que Deus quer” (Luc 1, 38).

Esta é a afirmação bíblica, de todas a mais bela, de entrega da vida a Deus, que vence medos, dissipa dúvidas, gera certezas e rasga horizontes novos. É sintonia com Deus e comunhão com Ele no seu projecto de redenção da Humanidade. É confiança plena em Deus e na sua presença próxima e fiel de todos os dias e em todas as situações. É resposta de quem sabe que o melhor de nós mesmos se afirma quando obedecemos e servimos. É lição de mãe aprendida pelo seu filho Jesus, que dirá, também Ele, a Deus, seu Pai, na hora da cruz: “ Nas tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito” (Luc 23, 46).

É na escola de Maria, a Imaculada Conceição, “cheia de graça”, que todos nós somos chamados a viver. É neste mesmo exemplo de quem define a sua vida pela obediência à vontade de Deus que vós, sete irmãos nossos, que ides ser ordenados, deveis diariamente aprender a ser diáconos permanentes. “Os ministérios ordenados não se podem medir pela utilidade. São da ordem da graça. Os ministros ordenados devem estar ao serviço da santificação de todo o Povo de Deus e por isso devem ser acolhidos como dom e não exigidos como funcionários. (P. Joaquim Santos, Delegado Episcopal para o Diaconado, Diocese do Porto – Humanística e Teológica,  2008, pág.108).

2. O Concílio Vaticano II abriu caminho à ordenação de diáconos permanentes. Esse caminho, aí aberto, percorre a nossa Diocese, desde o dia 26 de abril de 1992, quando, nesta Catedral foram ordenados, por D. Júlio Tavares Rebimbas, os primeiros dezoito diáconos permanentes. Damos hoje graças a Deus por este dom que vós sois. Sereis, a partir de hoje, noventa e três diáconos permanentes na Igreja do Porto. Queremos assumir este dom como desafio pastoral e caminho a prosseguir.

Constituídos para o ministério e não para o sacerdócio, os diáconos permanentes “munidos com a graça sacramental, servem o Povo de Deus na diaconia da liturgia, da palavra e da caridade, em comunhão com o Bispo e seu Presbitério” ( Lúmen Gentium, 29).Basta ver como os diáconos acompanharam Paulo e o auxiliaram no permanente trabalho de itinerância missionária da evangelização!

É também essa a missão que vos confio neste tempo que é o nosso e nesta experiência de comunhão e de renovação pastoral da Igreja do Porto, para que nos ajudeis a nós, bispos e presbíteros, em todas as comunidades cristãs, a fazer da:“Alegria do Evangelho a nossa missão” e a proclamar com a vida, por palavras e obras: “Felizes os misericordiosos!”.

Devemos a restauração do diaconado ao Concílio Vaticano II, depois de ter entrado em desuso durante a Idade Média. É da conclusão deste Concílio Vaticano II que celebramos hoje 50 anos. O Concílio Vaticano II foi acontecimento incontornável da história da Igreja a abrir caminhos novos à missão da Igreja e à sua presença no meio do mundo.

Importa, hoje, regressar ao Concílio e agradecer ao Papa João XXIII, que com a sua bondade, intuição profética e docilidade ao Espírito Santo convocou o Concílio. Importa, hoje, caminhar ao ritmo da renovação conciliar e agradecer ao Papa Paulo VI, que persistente e lucidamente concretizou e cumpriu o Concílio.

Regressemos ao Concílio e encontremos nele o manancial inexaurível de inspiração profética e de formação cristã que renove a Igreja de Jesus neste limiar de um novo milénio. Cumpre-nos ajudar as novas gerações de presbíteros, diáconos, consagrados e leigos a ler a vida da Igreja, à luz do Concílio.

Somos convidados em permanência a assumir a nossa missão no mundo em chave conciliar e a partilhar com todos a paixão pela Igreja e o fascínio pelo Concílio, com o mesmo encanto e são alvoroço, com que nós seus contemporâneos o vivemos.

3. Na coincidência desta data jubilar, o Papa Francisco, para quem o Concílio é um ponto de partida, uma bússola e um farol, decidiu iniciar, hoje, o Jubileu da Misericórdia. Ajuda-nos assim esta decisão do Papa Francisco a compreender que só pela comunhão colegial, que o Concílio nos trouxe, e pela misericórdia divina, acolhida, celebrada e multiplicada, que de Jesus recebemos e se espelha no rosto terno e no coração materno de Maria, a Imaculada Conceição, a Igreja cumprirá a sua missão no nosso tempo globalizado e plural.

Ao abrir, nesta manhã, a Porta santa da Misericórdia, na Basílica de S. Pedro, o Papa Francisco convidou a Igreja e o Mundo a olhar para Maria, Mãe de Jesus, “cheia de graça”, e a descobrir que só “a plenitude da graça é capaz de transformar o coração. Só a graça divina vence em nós a tentação da desobediência, que se exprime no desejo de projectar a nossa vida independentemente da vontade de Deus. Neste ano, continua o Papa Francisco, devemos todos crescer na convicção da misericórdia e viver a alegria do encontro com a graça divina que tudo transforma” ( Roma, homilia de 08.12. 2015).

Em comunhão com o Papa Francisco e no espírito de quanto nos propomos no nosso Plano diocesano de Pastoral, também nós somos chamados a viver este Jubileu da Misericórdia. Recordo as palavras da recente Carta Pastoral, que nós bispos dirigimos à Igreja do Porto: “A contemplação da misericórdia – em última instância, da misericórdia divina – oferece-nos, a todos, o conforto de estarmos a coberto do seu manto protector. Mas implica-nos, também – também a todos - no exercício da misericórdia: sempre e em todas as circunstâncias. A misericórdia não é, pois, uma realidade de um único sentido. Envolve-nos a todos: como destinatários e como actores” (Carta pastoral – Felizes os misericordiosos”(Porto, 03.12.2015).

4. Sem querermos ser melhores ou privilegiados em relação a outros povos ou nações, lembremos que somos Terra de Santa Maria e celebramos hoje a Padroeira de Portugal.

A geografia da alma portuguesa e os caminhos da história de Portugal são marcadamente marianos. Desde a Senhora da Oliveira, no berço da nacionalidade em Guimarães, à Senhora da Conceição, padroeira do Reino, em Vila Viçosa, à Senhora de Vandoma, padroeira do Porto, a Cidade da Virgem, à Senhora do Rosário de Fátima, na Cova da Iria, Altar do Mundo, vivemos aconchegados pela ternura da Mãe de Deus e nossa Mãe.

Neste momento de vida do nosso País e no contexto perturbado da história do Mundo cumpre-nos implorar de Maria, Mãe da misericórdia, do perdão e da fraternidade, que nos ensine diariamente, como só e sempre as mães sabem fazer, a percorrer caminhos de fé, de progresso e de paz.

Não esquecemos que celebramos, também hoje, aqui bem perto, no Seminário Maior da Sé, a Imaculada Conceição, sua padroeira. Vivemos ali este dia festivo, que aqui se continua e prolonga, como dia de Encontro da Equipa Formadora e dos Seminaristas com as suas Famílias. Damos graças a Deus pelo dom dos nossos Seminários, dos Seminaristas e das Vocações na Igreja do Porto e queremos agradecer quanto aos Seminários, às Famílias e às Comunidades todos devemos.

5. Que Maria, a Imaculada Conceição, por todos interceda e a todos abençoe, ilumine e proteja!

Porto, Sé Catedral, 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição, de2015

António, Bispo do Porto

 
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