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Homilia - Na abertura do Jubileu Extraordinário da Misericórdia PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1. Eis-nos chegados ao Jubileu Extraordinário da Misericórdia, na Igreja do Porto. Sede bem-vindos, irmãos e irmãs! Obrigado pela vossa presença tão numerosa e tão participativa!

Ao abrir a Porta Santa da nossa Catedral senti que estava a tocar a grande Porta da Misericórdia de Deus. Essa porta bonita, embelezada e grande que acolhe os nossos pecados, recebe o nosso arrependimento e nos devolve em abundância a graça e o perdão de Deus! “Um jubileu é tempo de graça, de bênção e de grande perdão” (Is. 61.2).

Esta Porta Santa estará aberta para os de perto, vindos desta amada Igreja do Porto, e para os de longe, provenientes de outras distâncias humanas, geográficas e existenciais. Este gesto de abertura da Porta Santa será replicado, a partir do próximo domingo, nas 23 Portas da Misericórdia, em cada uma das Vigararias da Diocese.

 

Cruzemos o limiar desta Porta com a alegria, o respeito, a verdade e a confiança de quem vem ao encontro de Deus. Ele é Pai de bondade, cheio de ternura e rico de misericórdia. “A porta diz muito da casa onde vivemos e da Igreja que somos” (Papa Francisco, Angelus de 18,11.2015).

2. A misericórdia é dádiva de Deus, missão da Igreja e necessidade do Mundo. Por isso o Papa Francisco nos convocou para este Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Ele mesmo o iniciou, em Roma, no passado dia 8 de dezembro, sob o olhar materno de Maria, a Imaculada Conceição, Mãe de Misericórdia, e nos mandou que o fizéssemos, hoje, em cada Igreja diocesana. Este é um Ano Jubilar, a viver como tempo de conversão, que se inicia hoje e se encerra a 20 de novembro de 2016, solenidade de Cristo Rei e Senhor. A partir daí, sejamos todos nós a fazer da misericórdia a alma e o tempo da Igreja.

3. Que procuramos nós ao entrar na Porta Santa? O que imaginamos ver depois de atravessar os umbrais da Porta da Misericórdia? Quem encontramos quando as portas da Igreja se abrem? Quem nos aguarda para lá do limiar da Porta do Jubileu?

Permiti-me que, ao jeito de João Baptista, de quem nos fala o Evangelho de hoje e que abriu as portas da Humanidade a Cristo, avance algumas respostas (Luc 3, 10-18): procuramos Deus de ternura, de bondade e de misericórdia; vemos aí inscrito o nome de Deus, que protege, que cuida e que salva, como nos lembra Sofonias, o profeta, no seu nome e na sua palavra, proclamada na primeira leitura (Sf 3,14-18); encontramos a Palavra e os sacramentos, sinais vivos e vivificantes da misericórdia divina; aguarda-nos Jesus Cristo, rosto da misericórdia do Pai, para que compreendamos que a misericórdia é o novo nome de Deus.

Entramos, a primeira vez, pela porta do Batismo na Igreja, que é mãe. A Igreja é família dos filhos de Deus, que querem viver em comunhão serena e feliz de irmãos e irmãs que se amam, se respeitam e se ajudam.

4. Devemos à Igreja os sacerdotes que fazem dos seus dias tempo para acolher, para rezar, para celebrar os mistérios sagrados da fé e da reconciliação. Agradeço-vos, irmãos sacerdotes, porque sois trabalhadores incansáveis do ministério de misericórdia e do sacramento de reconciliação.

Acompanharam-nos, ao entrar nesta Porta Santa, homens e mulheres que, individualmente ou em família, em instituições ou organizações, de que as Santas Casas da Misericórdia são as mais paradigmáticas no nome e na missão, trabalham para que diariamente se cumpram as 14 obras de misericórdia corporais e espirituais, na Igreja do Porto. Homens e mulheres, testemunhas da fé, portadores de estandartes de misericórdia e possuidores de um coração de bondade que amam, cuidam e multiplicam diariamente milagres de misericórdia. São homens e mulheres a quem Portugal muito deve!

Ao atravessarmos a Porta Santa da Catedral apercebemo-nos que este chão é sagrado e não pode ser profanado, porque nele estão as marcas dos pés e impresso o valor do coração de bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos que fizeram desta Catedral porta aberta à missão e lugar abençoado onde, desde há muitos séculos, se celebra o perdão e se reparte a misericórdia.

5. Mas este Jubileu abre também as portas da Igreja, para que daqui se veja o mundo com as cores da misericórdia e com os tons da rosácea que encima a Porta Santa da nossa Catedral.

Entramos, assim, através desta Porta Santa, em domingo da alegria do Advento, no coração do mundo habitado por tanta gente que canta com a vida hinos à misericórdia. É para eles este Ano Santo, conscientes de que pelo seu serviço à Humanidade eles estão perto de Deus e próximos da Igreja.

Mas entramos, também, a partir desta Porta Santa, com coração de misericórdia e de perdão num mundo traído pelo radicalismo e pela vingança e magoado pela agressividade e pela violência, numa escalada aflitiva que tem no terrorismo a sua expressão mais dolorosa.

Vemos, ao abrir esta Porta grande e bela da Catedral, o mundo a quem servimos. Através desta Porta Santa irradia diariamente a Alegria do Evangelho, que o Papa Francisco nos convida a levar ao coração de todos, para que sejamos: “Misericordiosos como o Pai” (lema do Jubileu da Misericórdia).

Vivemos num mundo que não encontrou, ao longo da história, no trono dos impérios, no âmago das ideologias, nos avanços da ciência, nos progressos da técnica, na ambição do dinheiro, na sedução do prazer ou na procura do poder o caminho da paz nem a chave de vidas felizes e de um mundo justo e solidário. Mas descobrimos, também, com o olhar da fé, um mundo que é campo aberto para os semeadores da bondade, com avenidas largas para os peregrinos da paz, de braços abertos para os que querem o bem, de mãos disponíveis para abençoar e de coração pronto para perdoar.

6. À saída desta Porta Santa, que hoje se abriu à Igreja do Porto e estará todos os dias aberta aos milhares de peregrinos que aqui esperamos e à multidão de turistas que nos visitam, recebereis a Carta Pastoral que nós, vossos bispos e irmãos, vos confiamos.

Queremos, com esta Carta, dizer a todos e a cada um dos que viverem sob o teto das nossas casas e com quem cruzamos nas avenidas e ruas das nossas cidades ou nas veredas esquecidas das nossas terras que são: “Felizes os misericordiosos!” (Mt 5,7) .

Para que seja acessível a todos esta bem-aventurança do Reino sejamos todos nós, cada um na sua medida e na sua missão, mensageiros da misericórdia e façamos da Igreja do Porto – Pátria da Misericórdia.

Penso em particular nos doentes, nos reclusos, nos que não têm porta para entrar nem esperança e ânimo para viver. Trabalhemos todos para que as portas dos hospitais, as celas das prisões, os vãos das escadas e os alpendres das varandas, onde se acolhem os sem-abrigo, sejam portas da atenção social e lugares da justiça humana com marcas da misericórdia divina.

7. Que Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia, Senhora de Vandoma, na Cidade, Senhora da Assunção, na Catedral, Senhora do Manto Largo, nas vinte e oito Santas Casas da Misericórdia da Diocese do Porto, nos cubra com o seu manto materno e faça de nós servidores de um mundo habitado pela justiça, pelo perdão e pela misericórdia.

Porto, Sé Catedral, 13 de dezembro de 2015

António, Bispo do Porto

 
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