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Homilia na Igreja dos Clérigos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

1.Estamos nesta bela Igreja dos Clérigos, 236 anos após a sua dedicação a Deus e a sua entrega aos homens e mulheres da nossa Cidade e um ano depois da sua reabertura ao culto, mercê das substanciais obras de requalificação.

As igrejas nasceram para serem, no coração vivo das cidades ou nos recantos tranquilos das aldeias, lugares de oração onde se ouvem vozes humanas carregadas de preces, se percebem gestos de louvor a Deus e se testemunham atitudes de gratidão pelos seus dons. Passam pelas igrejas os caminhos humanos de procura e de encontro com Deus.

É isso que aqui vimos fazer, em dia de aniversário: vimos rezar! Rezar, na certeza de que esse, sem ser o único, é um modo abençoado de diálogo e do encontro com Deus! Rezar pela Igreja e pelo Mundo! Rezar pela Diocese e pela Cidade do Porto! É esta a nossa missão de todos os dias! Missão do bispo, dos sacerdotes e dos fiéis! Missão de todo o povo de Deus!

 

É o que mais devemos fazer e é o melhor que sabemos fazer como cristãos que somos. É o que a Cidade e o Mundo mais nos pedem, no acordar límpido de cada manhã ou na gratidão sentida de cada vigília da noite!

Compreendemos que nas orações desta Eucaristia, que cumpre a liturgia do dia de hoje em tempo de Advento, rezemos assim:

”Brilhe em nós Senhor, nosso Deus, a vossa glória para que a vinda do vosso Filho dissipe na Humanidade as sombras da noite e manifeste ao mundo a vossa luz” (Oração Coleta).

Mais adiante rezaremos ainda: “Fazei, Senhor, que a Eucaristia se renove sempre na vossa Igreja, de modo que se realize em nós plenamente a obra da salvação” (Oração sobre as Oblatas).

E por fim concluiremos a nossa oração, rezando: “Concedei, Senhor, pela vossa bondade que esta Eucaristia nos prepare para as festas do Natal que se aproxima” (Oração depois da Comunhão).

Queremos dizer ao mundo que nos visita diariamente com gente feliz por estar no Porto, vinda de todos os continentes, que na Igreja dos Clérigos se reza por todos e por cada um.

2. E aqui nasce a segunda missão das igrejas: só pode rezar a Deus e fazer dessa oração uma bênção a favor dos outros quem sabe acolher, acolher bem e acolher a todos, sem a ninguém discriminar ou excluir. É esta a lição aprendida de Deus desde a origem da Humanidade: “Onde estás?”, perguntou Deus a Adão (Gén 3, 9). “Que fizeste de teu irmão” continuou Deus a interrogar Caim, preocupado com a sorte de Abel (Gén 4, 10). “Vai ao encontro do povo que sofre no Egito”, disse Deus a Moisés (Ex 3, 10).

É este, igualmente, o exemplo aprendido com Jesus, que se demorou no templo de Jerusalém, entre os doutores (Luc 2, 46), que viveu na harmonia das gentes da sua terra e rezava na sinagoga de Nazaré (Luc 2, 51), que recordou aos discípulos a pedagogia de Elias e os gestos proféticos de João Baptista (Luc 3, 10-18) e que enviou os seus discípulos dois a dois para que percorressem as terras habitadas daquele tempo (Mc 6, 2-12).

Acolher, acolher bem, acolher a todos é hoje um caminho obrigatório da Igreja, chamada a fazer da “Alegria do evangelho a sua missão”. As igrejas são lugares privilegiados desse acolhimento e oportunidades únicas dessa missão!

É grande o número de homens e mulheres, de jovens e crianças, de famílias inteiras, de instituições e organizações por completo que por aqui passam diariamente, desde que reabrimos esta igreja.

Peço a quantos aqui rezam e a quantos aqui trabalham que saibam acolher, acolher bem e acolher a todos e a cada um dos que nos procuram, para que no nosso acolhimento se leia o evangelho em que acreditamos e se perceba o encanto da fé que nos habita.

3. Uma terceira missão das igrejas consiste em oferecer espaço e tempo para incentivar e promover com clarividência intelectual e ousadia profética um permanente diálogo entre a Igreja e o Mundo, entre a fé e a razão, entre o culto e a cultura, entre o património religioso e a sua missão evangelizadora, entre o que aqui recebemos e a atenção que devemos dar aos pobres e aos que precisam, tendo sempre bem presente a intenção primeira e a finalidade maior desta Irmandade: servir os clérigos na sua vida, formação, ministério e missão.

Temos felizmente muitas igrejas no Porto. Devemos conhecer melhor esta realidade, merecer esta herança e agradecer esta bênção. O recente livro “O Porto e as Igrejas”, publicado pela Câmara Municipal, dá-nos disso bela imagem e exemplar testemunho.

Cumpre-nos colocar as igrejas ao serviço diversificado da missão para bem de toda a comunidade. A Igreja do Porto é chamada a uma renovada e contínua atenção para que a sua missão se realize sempre e em todas as vertentes do anúncio do evangelho, da formação cristã, da celebração da fé, da vivência dos sacramentos, do serviço da caridade, da magnanimidade da misericórdia, do diálogo com a cultura, da abertura do património à comunidade, da hospitalidade oferecida aos mais simples e da presença dos cristãos em todas as periferias humanas e existenciais.

Gostaria de partilhar uma experiência pessoal validada pelo testemunho autobiográfico de filósofos e místicos: as igrejas são lugares de contemplação do transcendente, do grandioso, do belo, do sublime e do sagrado. Nas igrejas entra simultaneamente o mais humano, o mais simples, o mais frágil de todos nós e aí se levam por igual os maiores pecados do mundo que se vê e do submundo que não se vê, para que sejam perdoados por Deus e transformados pela graça divina. Compreendemos por isso que as igrejas sejam lugar do dom e do milagre da conversão. Mesmo nas igrejas mais pobres e pequeninas, sem torres nem miradouros! Basta que haja aí alguém que nos acolha em nome de Deus e nos reparta pela graça do seu ministério o dom da misericórdia, da ternura, do amor e da misericórdia de Deus.

Procuremos Deus nas igrejas da nossa Cidade! Convido-vos a encontrar Deus no silêncio da oração, na escuta da Palavra de Deus, na celebração da Eucaristia e na presença de Jesus no sacrário das nossas igrejas!

Visitai e conhecei a alma cristã do Porto, que desde as nossas igrejas se faz, ainda mais, a Cidade da Virgem, Mãe de Deus, e a Cidade de todos nós! Convido-vos a olharmos o dom da beleza do Universo, a partir do horizonte amplo e largo da torre dos Clérigos, a mais alta e a mais bela do Douro e do Porto!

Voltemos o olhar do nosso coração, com devoção filial, para a bela imagem da Senhora da Assunção, Mãe de Jesus, nossa Mãe e padroeira da Igreja dos Clérigos, e peçamos-lhe bênção e proteção, para que faça de cada um de nós presépio vivo, onde Jesus nasça, neste Natal!

Porto, 12 de dezembro de 2015

António, Bispo do Porto

 
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