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Homilia nas Exéquias do Padre Leonel PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2015

 

Isaías, 25, 6-9 (246)

Rom. 5, 5-11 (254)

Mt, 5, 1-12 ( 272)

1. Jesus, partindo da orla do lago, depois de ter chamado os primeiros discípulos, em pleno trabalho da faina, subiu à montanha e sentou-se.

Aproximaram-se os discípulos e Ele começou a ensiná-los. Jesus ensinou os discípulos a ensinar. Esta é, irmãos sacerdotes, a primeira e a definitiva lição que recebemos do Mestre. Do belo sermão da montanha, Jesus fez a síntese do seu ensinamento e o paradigma da sua missão, logo no início da sua vida pública.

Diante do Padre Leonel, que hoje acompanhamos neste encontro definitivo com Deus, faz-nos bem ouvir esta mensagem a anunciar as bem-aventuranças construídas nesta terra por ele também, como discípulo missionário do Mestre, que é Jesus. Jesus diz-nos quem são os bem-aventurados, os felizes, os que são chamados a habitar para sempre na pátria dos justos e no reino da eternidade.

 

À palavra de Deus que acabámos de escutar permito-me acrescentar como palavra de Deus vivida neste homem-padre a sua própria palavra, uma palavra humana, entre tantas outras que nos disse, como ressonância da Palavra divina. Disse esta palavra em 1993 quando no Simpósio do Clero, realizado em Fátima, foi chamado a falar aos sacerdotes de Portugal. Penso que mais do que falar do Padre Leonel, cumpre-nos a todos ouvir o Padre Leonel e perceber como ele acolheu as intuições de Deus e compreendeu os sonhos da Igreja pós-conciliar, para de nós fazer “padres para este tempo”.

É do Padre Leonel, em texto escrito, esta palavra que nos ajuda a compreender a contemporaneidade do sermão da montanha e a atualidade das bem-aventuranças do Evangelho:

“Nunca quis saber doutra obra que não fosse a obra da Palavra. Passei a vida a juntar pedras, pedras-vivas, bem entendido. Escrevi montanhas de folhas que nunca colecionei, pois sempre as quis espalhadas ao vento. Fiz milhares de reuniões de casa em casa de rua em rua, pastoral da rua. Duma só coisa quis saber: de Jesus Cristo. À Palavra dei toda a minha vida. E continuá-la-ei a dar. Não foi ela que criou o Céu e a Terra? Não é ela que recria o Homem, em Cristo e na Igreja? Todos os dias vejo o milagre que a Palavra faz, não por repetição mas por atuação…É impossível em poucas linhas descrever desde o acolhimento ao encontro com as pessoas as maravilhas da graça e…como é visível, apesar da invisibilidade do fenómeno, a multidão que está a regressar à Igreja... Gostaria de falar da minha redescoberta do confessionário como espaço vivo, não assoberbado, antes tranquilo e terapêutico, um lugar sacramental de confidência e de conselho, um lugar tranquilo e sem pressas. Mas a minha paixão são os que não têm ninguém e só me podem ter a mim, desde o Bairro da Sé à Capela de Fradelos. Foi assim que reencontrei os pobres que tanto me fascinaram na minha infância cristã, que tanto me honram a sentar-se à minha mesa.”

Estas frases simples, cheias de fé, impregnadas de uma densidade espiritual impressionante e escritas no belíssimo texto publicado nas Atas do Simpósio de 1993, podiam ser uma espécie de testamento espiritual que nos deixa. Este testemunho sintetiza uma vida, define um caráter e indica um horizonte que às vezes nos parece inatingível – o horizonte da missão como discípulos da Palavra e missionários da Alegria do Evangelho, proclamando na vida e pela vida as bem-aventuranças do Evangelho.

O encanto por Deus, o fascínio pela Sua palavra e o amor pelos pobres de todas as periferias a quem abrimos as portas da casa e estendemos a toalha da mesa comum são porta do Céu e certeza da bem-aventurança marcada no calendário da vida pela hora do regresso a Deus.

2. Do Padre Leonel, conservarei sempre este olhar, desde o dia em que o conheci e lhe ouvi esta palavra, até aos muitos dias em que lia os seus textos na nossa Voz Portucalense, aos momentos em que o visitei no Hospital de S. João e lhe ministrei o sacramento da Santa Unção ou à ultima visita aqui na sua terra e na sua casa. O testemunho de quem acolhe, agradece e vive o sacerdócio como dom gratuito do amor eterno de Deus e como serviço permanente àqueles a quem Deus o enviara das formas mais imprevisíveis para ser sinal visível e sacramental deste amor de Deus pela Humanidade.

Quem o conheceu guardará sempre a sua paixão pela Palavra de Deus e pelo magistério dos Padres da Igreja, o seu amor à Igreja e à sua missão no meio do mundo, a sua entrega ao catecumenato dos adultos e o seu serviço à evangelização em periferias e fronteiras onde a Igreja deve estar presente.

Era grande a sua liberdade interior e o seu despojamento revelados numa vida simples que é também herança de pobreza e de grandeza que nos deixa.

3. O Padre Leonel nasceu aqui, em Freamunde, em 9 de maio de 1934. Daqui partiu para o Seminário e daqui ajudou outros também a partir no mesmo rumo. Foi ordenado presbítero em 3 de agosto de 1958. Foi Vigário paroquial de Santo Ildefonso e de Leça do Balio e daí foi primeiro responsável da Paróquia experimental de Padrão da Légua. Desde 1983 era Reitor da Capela de Fradelos, na cidade do Porto e responsável do Centro Catecumenal que lhe estava adstrito. Partiu ontem ao encontro de Deus na Rua da Paz desta cidade, em casa da sua Família. À sua Família, a quantos o acompanharam sempre de perto e com dedicação e a todos os que receberam do Padre Leonel a bênção e a graça da Palavra de Deus, do Pão da Vida e do pão e conforto humanos expresso esta afirmação da minha presença e da comunhão da Igreja do Porto.

O seu legado e o seu património espiritual ficam-nos confiados a nós sacerdotes, religiosos e leigos para que continuemos o mesmo ministério da palavra, do amor e do perdão para que nenhum dos nossos irmãos nos procure ou bata à porta das nossas Igrejas e regresse às suas casas sem uma possibilidade de encontro com Cristo, sem o perdão de Deus recebido e sem o amor de Deus encontrado.

4. As Leituras de hoje ajudam-nos, iluminam-nos e fortalecem-nos nesta missão. A primeira leitura é o texto do profeta Isaías que nos coloca olhos nos olhos, como fazia tantas vezes o Padre Leonel aos que o procuravam, a contemplar “o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação, o senhor, em quem pusemos a nossa confiança”(Is 25, 6-9).

A Carta de S. Paulo aos Romanos (Rom.5,5-11) lembra-nos que a esperança não engana porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

O Evangelho de S. Mateus fala-nos das bem-aventuranças do Reino e da plenitude da felicidade, que se concedem aos simples, aos pobres, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos justos e aos construtores da paz.

5. Na proximidade da Semana dos Seminários estamos ainda mais certos de que o Senhor nos olha com misericórdia para que nunca faltem trabalhadores generosos e incansáveis para a sua Messe.

Sei, irmãos e irmãs de Freamunde, o carinho que tendes pelo Padre Leonel, que aqui teve o seu berço e aqui quer ter a sua sepultura. Agradeço-vos este testemunho e esta generosidade bem presentes no dom que constituem para a nossa Diocese o senhor D. António Taipa e os sacerdotes que aqui nasceram e servem tão generosamente a Igreja que somos. Nunca podemos esquecer que devemos os sacerdotes às famílias e às comunidades.

Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja e nossa Mãe, receba o Padre Leonel no seu coração de Mãe e o conduza à bem-aventurança do Reino da justiça e da paz. Ámen.

Igreja matriz de Freamunde, 3 de novembro de 2015

António, Bispo do Porto

 
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