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Exéquias do Padre António Pereira da Silva Vieira PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

Jer 31, 1-3

1Cor 15, 20-28

Luc 5, 1-11

1.Escolhi para primeira leitura um belo excerto do Livro de Jeremias, para colocar este texto na oração que nesta hora somos chamados a rezar: ““Deus amou-me com amor eterno” (Jer.31,3). Somente alicerçados nesta certeza, os cristãos percebem que a morte não interrompe o amor de Deus e nós sacerdotes compreenderemos a vocação a que Deus nos chamou e a missão que a Igreja nos confia, ao longo do nosso ministério.

Foram estas as palavras que, de imediato, me vieram ao pensamento e à oração quando ontem ao fim da manhã, recebi com estranha surpresa a notícia da morte do Padre António Pereira da Silva Vieira. Ainda no Natal lhe escrevera em resposta a uma carta sua. Ainda no mês de setembro passado se juntara aos irmãos sacerdotes do Porto e de Portugal, participando com alegria no Simpósio do Clero, em Fátima.

 

O evangelho, agora proclamado, mostra-nos a vocação dos apóstolos Pedro, Tiago, João e André, homens habituados às lides da pesca e chamados por Jesus para O seguirem, como discípulos, e para O continuarem na sua missão, como apóstolos.

É como testemunha deste mesmo evangelho que S. Paulo se apresenta aos cristãos de Corinto. Ele acredita em Jesus ressuscitado e não se cansa de O anunciar às comunidades por onde a mão de Deus o leva e o guia (1 Cor 15, 20-28).

Pedro, Tiago, João, André e Paulo sentiram o peso da fragilidade, tocaram de perto as dificuldades inerentes à sua humana condição e experimentaram as suas limitações de temperamento, de compreensão da vida, de hábitos de trabalho, de condicionamentos culturais e de temor diante da grandeza e das exigências da missão.

Quem de nós não se sente, diante da missão a que Deus nos chama, pequeno e frágil, como barro quebradiço nas mãos do oleiro?

Mas é destes homens que Deus se serve para levar por diante o seu projecto de salvação. Nunca lhes faltará a presença, a graça e a bênção de Deus. “Não tenhais medo. Lançai de novo as redes. Segui-Me e farei de vós pescadores de homens. Fazei-vos ao largo. E eles seguiram Jesus”  (Luc 5, 1-11).

Jesus, o divino pescador, serve-se da nossa barca para navegar outros mares e anunciar o evangelho, fazendo ouvir a sua Palavra às multidões, que se aglomeram à sua volta. São estes os justos que Deus ama, como dizia Jeremias, na primeira leitura!

Quantas vezes o Padre Vieira compreendeu que eram ditas também a ele estas palavras de Jesus: “Faz-te ao largo e lança as redes para a pesca” ( Luc 5, 1-11)? E quantas vezes terá feito seu o lamento e igualmente sua a atitude de Pedro: “Mestre, andamos na pesca toda a noite e não apanhamos nada. Mas já que o dizes lançarei as redes”? Quantas vezes o Padre Vieira sonhou, novos caminhos de evangelização, de despojamento e de caridade e novos processos de acção pastoral para a Igreja?

O Padre Vieira sabia que era frágil a sua saúde, que era previsível a proximidade deste encontro com Deus e que a hora da eternidade se avizinhava a cada momento. Mas a sua fé dava-lhe serenidade e oferecia-lhe a limpidez de alma e a sabedoria de espírito daqueles que pressentem o sentido da bem-aventurança e preparam, na oração, o encontro definitivo com Deus.

2. Caríssimos sacerdotes: neste momento em que parte mais um irmão nosso, depois de uma longa vida e de uma intensa entrega sacerdotal à Igreja do Porto, acreditemos que novas vocações hão-de florescer nesta nossa terra banhada com o suor das nossas fadigas e cansaços e abençoadas com a alegria da nossa doação fiel até ao fim.

A certeza do amor eterno de Deus por nós, como afirma Jeremias, abre-nos o horizonte da esperança e o caminho da santidade. E a santidade é a melhor porta da misericórdia divina, verdadeira porta do Céu e porta certa da bem-aventurança eterna. O nosso encontro com a eternidade está marcado no calendário da vida pela hora do regresso a Deus, que a morte assinala.

Caríssimo Padre António Vieira: Aqui estamos, hoje, para agradecer a Deus e à sua Família o dom da sua vida e para lhe fazermos sentir a nossa presença juntamente com os seus irmãos sacerdotes. Aqui estamos, nestas terras que habitou e percorreu como servidor humilde e dedicado da causa do Evangelho. Aqui estamos nestas paróquias de S. Tiago de Figueiró e de Santa Maria de Lamoso, que generosamente serviu como Pároco ao longo de quarenta e oito anos e que ainda recentemente lhe testemunharam, em homenagem, a sua gratidão.

Escolheu, por decisão sua, aqui repousar junto dos seus paroquianos e por isso aqui o queremos lembrar em nome de todos aqueles que, nas várias etapas da sua vida, serviu como sacerdote, pároco, confidente, confessor, director espiritual ou amigo. Que Deus o recompense por todo o bem a favor de todos nós realizado.

3. O Padre António Pereira da Silva Vieira nasceu na paróquia de S. Miguel de Lousada, no dia 12 de julho de 1934. Eram seus pais Abílio da Silva Vieira e Ana Pereira da Fonseca, que aqui lembramos hoje, com particular gratidão. Frequentou os nossos Seminários do Porto e foi ordenado presbítero pelo senhor D. Florentino de Andrade e Silva no dia 6 de agosto de 1961, na Sé do Porto.

De 1961 a 1963 foi Vigário Paroquial de Leça da Palmeira, na Vigararia de Matosinhos e posteriormente Vigário Paroquial de Lagares, na Vigararia de Penafiel.

Em 22 de janeiro de 1966, há precisamente 50 anos, foi nomeado Pároco de Figueiró e de Lamoso, na Vigararia de Paços de Ferreira, onde permaneceu até ao limite da sua saúde, em Setembro de 2014.

Assumiu, em simultâneo, com as paróquias de Figueiró e de Lamoso, de 1980 a 1996, a paróquia de Raimonda e foi, também, por menor tempo Administrador Paroquial de Covas e de Meixomil. Vivia agora em S. Mamede de Infesta com a sua Família, a quem saúdo na comunhão da mesma dor e na certeza da mesma fé.

4. A morte de um sacerdote é como o grão de trigo caído à terra, que a seu tempo germinará e dará fruto.

É tempo de continuarmos a pedir a Deus que envie trabalhadores para a messe. Tão necessários são na nossa Diocese! Façamo-lo com a serenidade e com a insistência de quem sabe que “Deus nos ama com amor eterno” e de quem acredita que os irmãos sacerdotes que Ele chama continuarão a velar por esta Igreja do Porto, que tanto amaram e tão bem serviram.

Agradeço a Deus e às nossas Comunidades de S. Miguel de Lousada, onde o Padre António Vieira nasceu, e de S. Tiago de Figueiró e de Santa Maria de Lamoso, onde foi Pároco, o dom deste sacerdote que aqui viveu convosco e para vós e aqui permanecerá para sempre junto de vós.

5. Que Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa Mãe, Senhora da Misericórdia e Senhora do Natal, o acolha e o conduza ao Reino da Luz e da Paz, na bem-aventurança dos santos e na glória dos justos.

Igreja matriz de Figueiró, 6 de janeiro de 2016

António, Bispo do Porto

 
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