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Homilia no encerramento do Ano da Vida Consagrada PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

1. É de caminho para o templo de Deus e de caminho ao encontro de Cristo que se trata ao celebrarmos a festa litúrgica da Apresentação do Senhor.

Maria e José aprsentaram a Deus o seu Filho. Maria, Mãe de Jesus, e José, seu Pai adotivo, seriam, a partir desse momento, guardiões de Jesus com a ajuda de Deus, como alguém que d’Ele cuida para O preparar para a missão.

 

Assim faz a Igreja connosco sacerdotes, desde o dia da nossa ordenação, e convosco, desde o dia da vossa consagração. Fomos entregues e consagrados a Deus, para que de nós faça o que lhe aprouver. Estamos confiados à Igreja, para que de nós cuide. Só com a bênção de Deus e com o cuidado da Igreja conseguiremos ser fiéis no ministério que recebemos e à missão que Deus nos confiou.

Foi, também, no templo de Deus que os nossos pais nos apresentaram ao Senhor, no dia do nosso batismo. Aí acolhemos, depois, a Palavra de Deus, nos encontramos com Jesus, comungamos o Corpo de Cristo, nos reunimos em comunidade e contemplamos diariamente as maravilhas que Deus realiza nos humildes de coração.

É ao templo de Deus que corremos para a liturgia das horas e para a celebração da Eucaristia. Aí nos recolhemos em tempos demorados de silêncio e de contemplação. Aí depomos os nossos braços cansados pelo calor do dia e pelo peso do trabalho. Aí ajoelhamos por terra mergulhando a nossa vida no sofrimento dos irmãos e deixando-nos banhar pelo sangue redentor de Cristo, que perdoa, redime e salva.

2. O Ano da Vida Consagrada, que o Papa Francisco nos chamou a viver, desde o dia 30 de novembro de 2014 e que hoje se conclui, procurou recentrar-nos no essencial, chamando-nos a ver, a viver e a agradecer a vida consagrada como profecia de Deus e esperança do mundo.

Aqui estamos para dar graças a Deus pela vida que nos deu, pela vocação a que nos chamou e pela fidelidade que nos concedeu. Procurámos, ao longo deste Ano Santo da Vida Consagrada, ir à raiz do Evangelho para aí descobrir que a chave hermenêutica da nossa vocação só pode ser Cristo. Somos todos nós filhos de Deus e profecia do seu amor misericordioso. Lembro o que ontem nos dizia, nas Jornadas de Teologia, o monge fundador e prior do mosteiro de Böse, Enzo Bianchi: “Quando invocas Deus, invoca-lo como Amor. Quando ele te responde, responde-te como Misericórdia”.

A radicalidade evangélica da entrega da vida por amor do reino de Deus dá à Igreja um rosto de profecia na vanguarda da missão e um testemunho de proximidade junto dos que mais sofrem.

Houve sempre, e há hoje, consagrados e consagradas que se fizeram pobres entre os pobres, trabalhadores nos campos e nas fábricas, educadores na cidade, cuidadores dos doentes, visitadores dos presos, evangelizadores nos meios rurais e urbanos, presença de libertação em terra de escravos, voz de povos oprimidos e clamor em nome de etnias em vias de exterminação. Nem sequer nos faltou Maximiliano Kolbe, para oferecer a vida em vez de um pai de família, no campo nazi de Auschwitz, Edith Stein, judia de origem convertida à fé católica, que se fez contemplativa de Deus, ou Josefina Bakita, escrava africana cristã, ou aqui, entre nós, D. António Barroso, Padre Américo, Irmã Maria Droste, Irmã Rita e D. Sílvia Cardoso, exemplos de consagração a Deus ao serviço da igreja do Porto. A vida consagrada é, assim, a revelação clara de que o dinamismo do Espírito que anima a Igreja é inesgotável e criador.

3. Hoje queremos agradecer a Deus os carismas conhecidos, alguns vindos dos primeiros tempos da Igreja, outros surgidos ao ritmo dos séculos e outros nascidos nesta época pós-conciliar, que Deus felizmente nos chamou a viver.

Damos graças a Deus pela vida contemplativa tão necessária e tão presente na Igreja do Porto. Agradecemos a Deus, de modo igual, a vida ativa das 109 comunidades religiosas da nossa Diocese, dos vários institutos seculares e das diferentes formas de vida consagrada. “O que seria a Igreja se não fossem os irmãos e irmãs consagrados”, perguntou ontem, em Roma, no encontro com os consagrados, o Papa Francisco, e pergunto, hoje, eu também?

Damos graças a dar a Deus por quanto, vós consagrados, realizais e fazeis, mas sobretudo por aquilo que vós sois. Damos graças a Deus que faz germinar no coração dos jovens novas vocações, para que a profecia do Evangelho aconteça com a energia das sementes divinas e dos sonhos de Deus para o nosso tempo. Damos graças a Deus porque, através de vós, a esperança cristã reencontra o brilho evangélico das bem-aventuranças e o poder transformador das obras de misericórdia.

4. Trago aqui a oração que tantas vezes faço ao Senhor que nos ungiu e consagrou, pedindo-Lhe que nos ajude e ensine a “anunciar a boa nova aos pobres, a libertação aos oprimidos, a alegria aos que sofrem e a proclamar um ano de graça da parte do Senhor” (Is 6, 1-3 e Luc 4, 16-19).

Mas rezemos também para que a Igreja, com as suas casas, hospitais, colégios e sobretudo connosco, seus sacerdotes e consagrados, abra o coração aos refugiados que gritam pela vida, que procuram uma pátria, que vêem inacessível ao longe a terra de pão, de liberdade e de paz?

Importa igualmente abrir caminhos novos para acolher os sem-abrigo e não apenas para os manter sem lugar nas nossas casas e continuarmos a alimentá-los na rua; para receber, inserir e dar suplemento de esperança aos ex-reclusos, saídos dos nossos estabelecimentos prisionais, ou aos doentes e idosos esquecidos nos nossos lares e hospitais.

Este Ano da vida consagrada traz-nos ainda um renovado imperativo para inverter a cultura de ódio, de violência doméstica, de recrudescimento de suicídios nas terras que habitamos e nas ruas que percorremos.

Procuremos dar novo vigor, acrescido encanto e linguagem atual ao anúncio da Alegria do Evangelho junto dos que vivem em periferias onde ninguém vai e acolher aqueles que batem á porta da Igreja e nos encontram ocupados ou distraídos com tantas coisas.

E entre tantos propósitos possíveis e respostas necessárias permiti-me que vos peça para intensificardes a oração, fortalecerdes a coerência e incentivardes a paixão pela missão.

Reservai nas vossas comunidades um lugar privilegiado aos consagrados idosos, qual Simeão e Ana, sempre atentos, presentes, disponíveis e livres para acolher a Deus. São tantos nas nossas casas a quem tanto devemos e que se sentem felizes com tão pouco! Eles são para nós testemunho de um Deus humilde que neles recria dia a dia a sua bondade, a sua ternura e a sua sabedoria. Dai atenção às vocações, acolhidas como dom de Deus e nunca procuradas apenas por preocupação de número ou medo do futuro. Há jovens disponíveis para uma aceitação vigorosa do Evangelho e dispostos a seguir Jesus na aliança de um coração consagrado.

E tudo isto, e muito mais, Deus coloca ao nosso alcance! Basta que nos consagremos a Deus como quem ama e como quem serve, vivamos a doce e reconfortante alegria de evangelizar, celebremos a fé com verdade e nos deixemos moldar pelo amor terno de Deus.

Basta-nos cultivar a arte de ver o mundo com o olhar de Deus, com a alma dos simples e com a arte da proximidade dos humildes para ajudarmos o mundo a ser feliz. “Só Deus basta!”, segundo o sábio dizer e o santo viver de Teresa de Jesus.

5. Confiemos a Nossa Senhora, Mãe da Igreja e nossa Mãe, a nossa vida de consagrados, as nossas comunidades e congregações, as pessoas que aí vivem e esta amada Igreja do Porto, que Deus nos chamou a servir, na beleza dos nossos dons e na diversidade dos nossos carismas.

Sé Catedral, 2 de fevereiro, Festa da Apresentação do Senhor, de 2016

António, Bispo do Porto

 
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