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Homilia - ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

Jubileu Sacerdotal - D. António Maria Bessa Taipa

1966-2016

1 – Trata-se de uma simples coincidência, é verdade, mas nem por isso deixa de ser uma coincidência interessante e feliz, celebrar este jubileu sacerdotal em pleno Ano Santo da Misericórdia de Deus.

Esse amor misericordioso de que Maria, Senhora da Assunção, é uma das mais belas expressões e que a explica no mistério da sua maternidade divina e no mistério da sua assunção.

É um lindo envolvimento amoroso.

2 – É bela e feliz esta coincidência, ajuda-nos de modo muito especial a entendermo-nos no que somos e somos chamados a ser e a fazer. É a origem, a fonte e a meta de toda a vida, de tudo o que é. A fonte de todas as alegrias, das autênticas (Programa Pastoral).

3– A revelação dessa misericórdia é uma preciosa e bela história de amor. Começa com a fuga do homem à palavra e à orientação que recebera do seu criador e a correlativa dor e compaixão de Deus que o procura. “Onde estás”, a pergunta angustiada de Deus, naquele fim de tarde em que, como de costume, viera conversar com a obra-prima da sua criação.

O homem não estava onde devia. Deus fica preocupado.

 

4– É uma história, essa, recheada de declarações amorosas. De propósitos e promessas de encontros. De ciúmes. De queixas e de amuos, birras e sofrimentos. É linda.

5 – História que toma forma e visibilidade na criação e eleição dum povo que Deus chama a si e envia a testemunhar aos homens aquele amor.

Competia-lhe, era sua missão,  dizer aos outros povos, a todas as nações da terra que Deus os ama.

A fuga, a traição do homem, se perturba, não anula o projeto divino que preside a toda a obra criadora “sermos constituídos seus filhos adotivos”.

6 – É na história deste relação que Deus se declara como um apaixonado que ouve, sente e vive as angústias, os gritos e a dor do seu amado, do seu povo. Um Deus próximo. Querido.

Que se diz amá-lo com a ternura do amor de mãe. Superior mesmo.”Ainda que uma mãe viesse a esquecer o fruto das suas entranhas, Deus não abandonará nunca o seu povo amado” – é sua confissão.

Marido que se sente traído pela infidelidade de esposa, Deus confessa-se também noivo apaixonado que, por montes e vales, procura a noiva que lhe foge.

7– Perdido de amor, Deus não se conteve, prometeu e veio mesmo ao encontro dos seus. Ajudá-los. Arrancá-los à sua dor. Convencê-los do seu amor.

E veio pela mediação de sacerdotes e profetas. De sábios e de Reis. Por eles lhes estendeu e abriu o caminho da libertação, o caminho do reencontro feliz com Ele. Pai. Marido. Noivo apaixonado. Foi o tapete da Lei.

8 – Mas, como dirá o próprio Jesus, era de cabeça dura, aquele povo. Não foi capaz de ouvir. Não foi capaz de resposta. E Deus, vem, Ele mesmo. Faz-se homem no Filho que envia e que assume a natureza humana no seio daquela menina de Nazaré, Maria.

É o culminar dessa história. Mais não era possível, no Filho que vai até á morte o Pai dá tudo o que tem de mais seu e de mais ele. Dá-se todo. Diz tudo o que tem para dizer. Ele é a sua expressão definitiva. A palavra de todas as palavras. Das que o antecederam como das que se seguirão. A Palavra.

9 – Palavra que diz e ouvimos, na hora maior da sua vida. Na hora que determinou toda a sua existência no meio de nós, na hora da Cruz. Ali, Ele é a revelação mais profunda do amor infinito daquele Pai apaixonado pelos homens a quem e por quem O envia.

É o rosto visível da sua misericórdia

10 – À pergunta primeira “Onde estás”, responde agora o Homem/Filho “eis-me aqui para fazer a tua vontade.

Foi o desatar do nó da desobediência. O início dum mundo novo. A nova criação. A redenção da humanidade. Do universo. Do tempo e da história. A reconciliação universal.

No seu mistério de Homem/Deus, nele o homem sacia a sede de Deus e Deus sacia a sede do homem. É a paz, a paz do homem e a paz de Deus.

11 – Daqui nasce o novo povo, constituído por aqueles e aquelas que se deixam atrair, que se deixem apaixonar por aquele amor ali patenteado.

12 – Ali está Maria em comunhão única com o Filho, por ele constituída mãe do povo que nasce. Ternura daquele infinito amor.

A aurora e a imagem da Igreja triunfante que na sua Assunção é sinal de consolação e esperança para este povo peregrino.

13 – Aqui o contexto em que gostaria de me entender. Envolvido nesta onda de amor. Mergulhado neste infinito oceano do amor de Deus, como diz o Papa Bento XVI. Neste amor misericordioso que continua a sentir e a viver as dores e angústias deste mundo que é o nosso e ao qual somos enviados.

14 – Somos obra desse amor. “Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi”. Foi, é Ele que cria em nós as razões do seu amor e do seu chamamento. Somos nele e por ele.

E chama para enviar, para dar fruto. Para participar de maneira ativa e viva naquele seu projeto concebido desde antes da criação. Confia. Arrisca na nossa fraqueza e debilidade.

O sucesso, a vitória, assenta em absoluto e sempre na sua indefectível fidelidade a si mesmo.

15 – Daqui e por tudo isto, a nossa vida há-de entender-se e viver-se como uma perene e constante ação de graças. Somos ação de graças. Ação de graças que transforma e transfigura tudo, em todas as dimensões.

Queria que assim fosse. Quero que assim seja.

16 – Deus porém age por mediações humanas, as mais diversas. Hoje e aqui, nesta catedral Igreja Mãe da Diocese onde há cinquenta anos recebi a ordenação sacerdotal eu quero concentrar a minha memória e recordação na minha família mais direta (está aí com os Pais no Céu. Logo recordarei os restantes familiares) e no Seminário.

O coração da Igreja diocesana, e o coração da sociedade.

17 – Coração, motor, da sociedade, foi na família que nasci, que me alimentei e cresci, que aprendi a viver para Deus e de Deus, e com os homens, para os homens e dos homens. Foi lá que o Senhor me veio chamar.

Gente simples. De trabalho. Pobres mas muito felizes. Sabia que rezava por mim. Eu via. Mas não via tudo. Só mais tarde entendi muitas coisas…

18 – E a maior prece seria eventualmente a sua vida. Vida total e felizmente condicionada pela vocação do filho. Condicionada na sua vida económica. Nas suas despesas e nas suas poupanças. E também na sua maneira de estar na sociedade. Foram muitos os sacrifícios. Eu sei. Eu estou muito grato. Deus sabe.

Lembro muitas coisas, como é claro, mas quero deixar aqui uma palavra de minha mãe. Que ainda hoje ouço. Era um Domingo. Estávamos à janela. As pessoas saíam da Missa das dez. Conversávamos. Falava-se de ir à Missa, de rezar, E a certa altura, minha mãe disse-me: “António, não te parece que rezas pouco?!” Evidentemente que continuo a ouvir…

Dou graças a Deus pela família que tive e pela família que tenho.

19 – Do outro lado o Seminário. É o coração da Igreja Diocesana. Ali me alimentei,  cresci, na minha relação com Deus, ali me fui descobrindo diante da Palavra do Senhor. Me fui abrindo. Ali, na simplicidade e na alegria daquela vida. À volta de Padres que me entusiasmavam, que, atentos, corrigiam e davam palavras de alento. Quer na vida do dia-a-dia, quer naquelas cátedras que nunca nos sairão da memória

E tantos funcionários e funcionárias, cuja amizade e dedicação recordo muito grato,

20 – Ali envolvido na amizade de tantos colegas, ao lado de quem rezei, trabalhei e brinquei. E brinquei. A quem também muito me devo.

Ali me chamou o Senhor. O ouvi.

21 – E foi no Seminário que exerci o meu ministério sacerdotal, durante vinte e oito destes cinquenta anos muito felizes. Onde incluo os anos de presença na Universidade a quem significo também a minha gratidão.

Ali dei e me dei no melhor que eu pude. E nesta entrega continuei a aprender, a crescer no entusiasmo e alegria com que me ordenei.

Foi, o serviço do seminário, a referência determinante de todos os outros trabalhos apostólicos em que me fui empenhando desde os MCC às ENS, à formação de leigos.

E daqui me chamou a Igreja à vida episcopal. Só motivos de ação de graças!! É Ele…

Estou muito feliz e muito grato. Só peço desculpa por aquilo que não fiz e poderia ter feito. Peço Perdão. Muito obrigado.

Também recordo a maneira como fomos acolhidos pelo presbitério diocesano… Uma continuação do Seminário para os primeiros anos.

22 – E pedia licença para recordar, nominalmente, só os Senhores Bispos. O Senhor D. António Ferreira Gomes que me admitiu, o Senhor D. Florentino que me ordenou e enviou a preparar-me para a missão que pensou para mim, o Seminário. Missão que me havia de ser confiada pelo Senhor D. António.

23 – Depois os senhores bispos com quem servi a Diocese, como Presbítero e como Bispo, o Senhor Dom Júlio, o Senhor D Armindo, o Senhor Dom Manuel e finalmente o Senhor D. António Francisco, o Senhor D. João, D. Gilberto, D. João Lavrador, D, Pio.

Todos eles quero incluir na minha ação de graças a Deus.

24 – E agradeço a quantos quisestes estar hoje aqui a cantar comigo a misericórdia do Senhor.

O Senhor Núncio Apostólico que faz presente o nosso Santo Padre Papa Francisco a quem significo a minha filial obediência, e a minha alta consideração, e por quem peço ao Senhor as maiores bênçãos no exercício do supremo múnus apostólico.

Aos amigos e irmãos Bispos

O nosso Bispo, o senhor D. António. Pelo entusiasmo, pela alegria e a amizade que significou… Já vem de muito longe… trabalhamos de há muito “ juntos”

O nosso Senhor Vigário Geral que coordenou todos os trabalhos…

+ António Taipa

 
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