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Homilia nas Exéquias do Dr. José da Silva PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

Is 25, 6-9 (246)

2 Cor 4, 14-5,1 (264)

Jo 11, 17-27 (288)

1.A Palavra de Deus, agora proclamada, abre caminho à nossa compreensão do sentido da vida que passa para lá dos umbrais da morte. A Palavra de Deus é, muito particularmente nestes momentos, nossa âncora e nosso farol. Mas mais do que isso, a Palavra de Deus dá sempre sentido à nossa esperança na vida para lá da morte; fortalece o valor insubstituível da amizade dos mais próximos, atentos e presentes, ainda mais nestas horas; sustenta a família de quem parte e transforma em bênção, que permanece para sempre, a memória sagrada de quem nos deixa.

 

Isaías, na primeira leitura, ajuda-nos neste olhar de esperança para o tempo novo, em que “Deus há-de preparar um banquete para todos os povos … e enxugará as lágrimas de todas as faces. E dir-se-á nesse dia: Eis o Senhor nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; alegremo-nos e exultemos, porque nos salvou” (cf. Is 25, 6-9).

S. Paulo, por sua vez, oferece-nos a chave de leitura deste olhar de esperança na vida, para lá das fronteiras da morte, ao afirmar que “as coisas visíveis são passageiras; as invisíveis são eternas, porque Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há-de ressuscitar com Jesus e nos levará para junto d’Ele” (cf. 2 Cor 4, 14 - 5,1).

No Evangelho, encontramos no belo diálogo de Jesus com as irmãs de Lázaro a resposta serena e a certeza inabalável onde se sustenta esta necessária convicção na eternidade da vida e na ressurreição dos mortos: “O vosso irmão ressuscitará”, disse Jesus. Marta respondeu: “Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia”. Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá” (cf. Jo 11, 17-27).

Diante da morte, as palavras cedem habitualmente lugar ao silêncio. É o tempo de luto de que nós precisamos para fazer memória viva diante daqueles que partem. Para nós cristãos, só a Palavra de Deus pode dar voz ao nosso silêncio e iluminar o nosso luto.

A morte surpreende-nos sempre. Inquieta-nos sempre. Magoa-nos sempre. Retira-nos sempre alguém que faz falta às pessoas, à família, à comunidade. Assim acontece sempre! Assim acontece, hoje, com a morte do Dr. José da Silva.

2. O Dr. José da Silva habituou os contemporâneos de Escola, de Seminário, de Universidade, em Salamanca e em Coimbra, à sua inteligência fulgurante, à sua prestigiada ação académica, ao seu corajoso testemunho cristão e à sua criativa intervenção social. Ele ofereceu à Cidade e à Igreja do Porto um contributo reconhecido no campo profissional, cívico, político e eclesial e uma marca indelével, que o tempo não deixará esquecer.

Do magistério de D. Domingos de Pinho Brandão herdou o gosto pela arqueologia, tendo feito muito e bom trabalho neste campo de conhecimento e de investigação. Privou de muito perto com D. António Ferreira Gomes, tendo feito parte do grupo de leigos cristãos e de membros da sociedade civil do Porto que tudo fizeram em favor do seu regresso do exílio.

O Dr. José da Silva integrou a chamada “Ala Liberal” formada pelos Deputados da Assembleia Nacional, ao tempo, que, inspirados na Doutrina Social da Igreja, procuravam sonhar caminhos novos de cidadania, de liberdade, de progresso e de justiça para Portugal.

O Dr. José da Silva foi o primeiro Presidente da nossa Comissão Diocesana Justiça e Paz; colaborou assiduamente na Voz Portucalense; serviu a Diocese como advogado; integrou o Tribunal Eclesiástico do Porto, como juiz; lecionou na recém-formada Faculdade de Direito do Porto da Universidade Católica Portuguesa. Foi, em suma, um cristão coerente e exigente na vida política e civil, digno de memória.

Não estranhamos, por isso, que, ao criar a Fundação SPES, o senhor D. António Ferreira Gomes o tenha escolhido como um dos membros vitalícios desta Fundação.

3. Estamos aqui para manifestar ao Dr. José da Silva a homenagem de Felgueiras, o concelho onde nasceu e onde agora quer regressar, para ser sepultado em Friande, seu berço natal, e em nome do Porto, a cidade que sempre adotou e tão bem serviu. Estou aqui para lhe afirmar publicamente a homenagem da Igreja do Porto. Estamos todos para lhe testemunhar o nosso preito de gratidão para lá das Terras e das Instituições: a gratidão da Família e de todos com quem privou e a quem serviu, como homem e como cristão, no exemplo, no convívio e no trabalho e também nestes últimos anos na aceitação serena da doença e do sofrimento.

Reunimo-nos na Casa do Senhor, o nosso Deus, nesta Igreja do Santíssimo Sacramento, sua paróquia, também aqui dedicadamente sempre acolhido e acompanhado por Monsenhor José Soares Jorge, nosso Pároco e seu contemporâneo de estudos no Seminário.

A celebração da Eucaristia, que nos congrega à volta do altar, abre-nos à esperança na vida que a morte não destrói, anuncia a ressurreição que vence as fronteiras do tempo e afirma a nossa fé na eternidade, que como memorial vivo e santo da Páscoa já antecipa.

Que a bênção de Deus, particularmente implorada neste Ano Santo da Misericórdia, nos dê a serenidade e o conforto, que procuramos nesta hora, e conceda, pela nossa oração, ao Dr. José da Silva a paz dos justos e a bem-aventurança dos santos.

Queremos agradecer a Deus a vida e o testemunho humano e cristão do Dr. José da Silva, porque acreditamos que para ele já se abriu a porta da misericórdia, da ressurreição e da vida para sempre.

Igreja do Santíssimo Sacramento, 6 de setembro de 2016

António, Bispo do Porto

 
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