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Homilia nas Exéquias do Prof. Doutor António Barbosa de Melo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

Sab 3, 1-6.9

Mt 5, 1-12ª

1. A Palavra de Deus é, muito particularmente diante do acontecimento da morte, a nossa âncora e nosso farol para nos dar serenidade cristã e segurança humana e nos iluminar no caminho da vida. A Palavra de Deus oferece, nestas horas, de forma mais íntima e mais sentida, solidez à nossa esperança na vida para lá da morte; sustenta a família de quem parte e transforma em bênção, que permanece para sempre, a memória sagrada de quem nos deixa.

 

O texto do Livro da Sabedoria, na primeira leitura, ajuda-nos neste olhar de esperança para esse tempo novo, em que sabemos, pela fé,“que as almas dos justos estão nas mãos de Deus e nenhum tormento os atingirá. Eles estão em paz … porque a sua esperança estava cheia de imortalidade … e porque a graça e a misericórdia são para os eleitos de Deus” (cf. Sab 3, 16.9).

No Evangelho, cujo texto para esta hora foi indicado pela Família do senhor Prof. Doutor António Moreira Barbosa de Melo, encontramos um programático ensinamento de Jesus aos seus discípulos, sentados à Sua volta, na encosta da montanha, sobranceira ao lago de Tiberíades. Sabemos que esta proclamação das bem-aventuranças constitui uma bela síntese do Evangelho. Sabemos, igualmente, como o Evangelho, e concretamente este texto, moldou a inteligência, o coração e a vida do senhor Prof. Barbosa de Melo.

Diante da morte, as palavras humanas são sempre poucas, tímidas, incompletas e insuficientes, para dizer a nossa dor diante de quem parte e para afirmar a nossa comunhão junto de quem sofre. Valemo-nos da Palavra de Deus porque, para nós cristãos, só a Palavra de Deus pode dar voz ao nosso silêncio e iluminar o nosso luto, como “luz terna e suave no meio da noite, pois não temos aqui morada permanente” (Hino da Hora litúrgica de Completas).

A morte surpreende-nos sempre. Inquieta-nos sempre. Magoa-nos sempre. Retira-nos sempre alguém que faz falta às pessoas, à família, à comunidade. Assim acontece sempre! Assim acontece, hoje, com a morte do senhor Prof. Barbosa de Melo.

2. Estamos aqui para manifestar ao senhor Prof. Barbosa de Melo a homenagem de Lagares, o seu berço, e de Penafiel, o concelho onde nasceu e verdadeira terra-mãe, onde agora quer regressar, para ser sepultado. Estou aqui para lhe afirmar publicamente a homenagem da Igreja do Porto. Estamos todos para lhe testemunhar o nosso preito de gratidão para lá das Terras e das Instituições: a gratidão da Família, a gratidão da Universidade e a gratidão de Portugal. Mas, nesta sua e nossa terra e nesta igreja de S. Martinho de Lagares, onde tantas vezes rezou e celebrou a sua e nossa fé, quero ser o preito da homenagem e a voz da gratidão das gentes simples, a quem fez tanto bem, e que lhe querem dizer: Obrigado.

Um grande obrigado em nome de todos com quem privou e a quem serviu, como homem e como cristão, no exemplo, no saber, no convívio, no trabalho e na intervenção cívica, social e política.

Humano e nobre em tudo, nunca esqueceu que era filho do povo simples, honesto, laborioso e crente. Deste povo que, durante o dia ganha o pão com o suor do rosto e à noite agradece a Deus o pão que reparte à mesa, que multiplica pelos filhos e que tantas vezes generosamente distribui pelos vizinhos.

O senhor Prof. Barbosa de Melo habituou-nos à sua inteligência fulgurante, à sua prestigiada ação como jurista e como professor universitário, à sua persistente e criativa intervenção política sobretudo na Assembleia da República, de que foi digno Presidente, ao seu testemunho moral radicado na firmeza e no desassombro da fé e ao seu convívio simples, dedicado e próximo. Ele ofereceu à Universidade e à Academia de Coimbra, onde estudou e ensinou, às Instituições que serviu, às iniciativas cívicas e políticas que liderou e de que era reconhecido inspirador e respeitado protagonista um contributo maior e uma marca indelével em Portugal e na Igreja, que o tempo não deixará esquecer.

Não seríamos o que hoje felizmente somos em Portugal sem a sua lucidez, ponderação e coragem; sem a sua bondade, inteligência e determinação; sem a sua fé, testemunho e exemplo.

Só Deus sabe quantas vezes as suas intuições e decisões estiveram na génese de imperativas transformações da sociedade portuguesa e delinearam o horizonte de futuro do nosso País, em momentos determinantes de reencontro ansiado com a democracia, com a liberdade, com a justiça social e com a paz.

3. A celebração da Eucaristia, que nos congrega à volta do altar, abre-nos à esperança na vida que a morte não destrói, anuncia a ressurreição que vence as fronteiras do tempo e afirma a nossa fé na eternidade, que, como memorial vivo e santo da Páscoa, já antecipa.

Aqui se centra a fé da Igreja, se alicerçam os sentimentos dos cristãos e se inspiram os momentos celebrativos que nos unem na comunhão, na proximidade e na consolação junto das pessoas, em todas as suas situações e circunstâncias de vida. Esta comunhão da Igreja tem acrescido valor quando nos reúne e nos aproxima dos que sofrem. É esta presença que, em nome da Igreja e em meu nome, quero afirmar a todos, na pessoa da Esposa, dos Filhos, dos Netos, da Família e de todos os conterrâneos e amigos do senhor Prof. Barbosa de Melo.

Cumpre-nos merecer a sua vida e continuar o testemunho e a obra que deixa a Portugal e à Igreja, para que a sua memória perdure e o seu sereno e brilhante rasto de luz, que nos ofereceu em vida, permaneça para sempre.

Que a bênção de Deus, particularmente implorada neste Ano Santo da Misericórdia, nos dê a serenidade e o conforto, que procuramos nesta hora, e conceda, pela nossa oração, ao senhor Prof. Doutor António Barbosa de Melo a paz dos justos e a bem-aventurança dos santos.


Igreja de Lagares, 9 de setembro de 2016

António, Bispo do Porto

 
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