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Documentos - “A ALEGRIA DO EVANGELHO É A NOSSA MISSÃO”

2.ª Semana do Advento: a árvore dos sonhos

1- A primeira leitura oferece-nos uma imagem sugestiva, para o sonho em família: a de “um ramo que sai do tronco de Jessé, a de um rebento que brotará das suas raízes” (cf. Is 11,1-10). Ali, de um toco de madeira, caído no chão, inerte, sem esperança de vida, brota um ramo, um rebento, figura de uma vida nova, que desponta precisamente donde e quando nada se espera. Nas representações da árvore de Jessé, este é representado quase sempre na posição de quem dorme um sono e sonha um futuro. “Todo a mãe e todo o pai sonharam o seu filho nove meses” (AL 169).

2- E o Evangelho (Mt 3,1-12) traz, em contraluz, a ameaça de cortar e lançar ao fogo “toda a árvore que não dá fruto”. Na verdade, «a árvore conhece-se pelos frutos» (Lc 6,44).

3- Aplicada à família é sugestivo pensar, que o casal, que permanece no amor, fiel ao sonho de Deus, dá fruto a seu tempo.

 

“E devemos dar um fruto que permaneça. Todos os homens querem deixar vestígios duradouros. Mas o que permanece? O dinheiro não. Também os edifícios não permanecem; os livros também não. Depois de um certo tempo, mais ou menos longo, todas estas coisas desaparecem. A única coisa que permanece eternamente é a alma humana, o homem criado por Deus para a eternidade. O fruto que permanece é portanto quanto semeámos nas almas humanas - o amor, o conhecimento; o gesto capaz de tocar o coração; a palavra que abre a alma à alegria do Senhor. Então vamos rezar ao Senhor, para que nos ajude a dar fruto, um fruto que permaneça. Só assim a terra será mudada de vale de lágrimas para jardim de Deus” (Cardeal Ratzinger, Homilia na Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, 18.04.2005).

4- Podemos pensar na árvore genealógica da nossa família e nos frutos que ela deu ou não; pensemos que os filhos são um “fruto” e não um “produto”.

5- Os filhos são sonhados pelos pais, mas eles próprios têm os seus sonhos. E é preciso que os pais não projetem nos filhos os seus próprios sonhos não realizados. Escreveu Santa Madre Teresa de Calcutá:

“Ensinarás a voar... Mas não voarão o teu voo.

Ensinarás a sonhar... Mas não sonharão o teu sonho.

Ensinarás a viver... Mas não viverão a tua vida.

Ensinarás a cantar... Mas não cantarão a tua canção.

Ensinarás a pensar... Mas não pensarão como tu.

Porém, saberás que cada vez que voem, sonhem, vivam, cantem e pensem...

Estará a semente do caminho ensinado e aprendido”!

6- “Por conseguinte, não é importante se esta nova vida te será útil ou não, se possui características que te agradam ou não, se corresponde ou não aos teus projetos e sonhos. Porque «os filhos são uma dádiva! Cada um é único e irrepetível (...). Um filho é amado porque é filho: não porque é bonito ou porque é deste modo ou daquele, mas porque é filho! Não porque pensa como eu nem porque encarna as minhas aspirações. Um filho é um filho»” (AL 170).

7- Podemos pensar, a partir dos frutos da árvore dos sonhos, na fecundidade física, espiritual e apostólica das famílias, abertas ao dom da vida. Na verdade, “o amor sempre dá vida” (AL 165). É oportuno pensar em que medida as nossas famílias são capazes não apenas de geração mas também de acolhimento da vida (cf. AL 166). E pode falar-se também de uma fecundidade alargada (AL 178-186), como por exemplo através da adoção, do apoio a outras famílias, do acolhimento de refugiados, etc.

8- Aplicada à comunidade cristã, é altura de avaliar a forma como são acolhidas e integradas as crianças, como são preparados os batismos das mesmas. O desafio é claro na 2.ª leitura e estende-se a muitos âmbitos da vida pastoral: “Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus” (Rm 15,4-9). “Acolher” foi um dos verbos mais repetidos nos dois últimos sínodos sobre a família e retomados pelo Papa Francisco, na consequente Exortação Apostólica Amoris Laetitia.

9- Será de perguntar e pensar:

Dá muito fruto a minha família? Dá muito fruto a minha comunidade?

Que frutos de paciência, de acolhimento, desejaria

para a minha família ou para a minha comunidade?


Um texto inspirador

“Os vossos filhos

não são vossos filhos:

são filhos e filhas

do chamamento da própria Vida.

 

Vêm por vosso meio

mas não de vós;

e apesar de estarem convosco,

não vos pertencem.

 

Podeis dar-lhes o vosso amor;

mas não os vossos pensamentos:

porque eIes têm pensamentos próprios.

 

Podeis acolher os seus corpos;

mas não as suas aImas:

porque as suas aImas

habitam a casa de amanhã

que não podeis visitar,

nem sequer em sonhos”.

Khalil Gibran (1883-1931)


Comentando este belo texto, diz o Cardeal Ravasi: “A pessoa nunca pode ser possuída, nem sequer no caso do filho. Toda a criatura é sempre uma surpresa, fruto da infinita «fantasia» do Criador, ainda que guardando dentro de si a marca fisiológica dos pais. Neste sentido, a educação é, sim, importante, como o é a família. Todavia, o destino de um filho nunca será o fruto puro e simples do contexto em que viveu, nem tampouco a objetivação dos sonhos e das expetativas dos pais. Os pais, por isso, comprometam-se com todas as forças para fazer brilhar valores e capacidades dos seus filhos, mas estejam prontos – como Maria e José, ainda que o seu caso tenha sido absolutamente irrepetível – a aceitar o caminho que tomarem, diferente do esperado por eles. E se realizaram o seu dever de guias e educadores, não se culpem angustiadamente perante o fracasso humano e espiritual de um seu filho, conscientes da liberdade e responsabilidade última de cada pessoa».

Cardeal Gianfranco Ravasi, in Avvenire, traduzido por Rui Jorge Martins e publicado em http://www.snpcultura.org/, 15.09.2015

 
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