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Solenidade da Imaculada Conceição PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

1.A Igreja celebra hoje a solenidade litúrgica da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, Padroeira de Portugal. Este é, por isso, um dia solene, um dia de graça e um dia de bênção para a Igreja e para o Mundo. Somos chamados a olhar Maria como a eleita de Deus, para ser Mãe de seu Filho e por Deus isenta de todo o pecado. Ela é a “cheia de graça”; a “bendita entre todas as mulheres” (cf. Luc 1, 28-42).

Em Maria cumpre-se o sonho de Deus, ao preparar e predispor, desde a sua conceição, a vida e o coração de uma filha de Eva para ser a Mãe do Redentor.

Em Maria concretiza-se a esperança do povo de Israel e desenha-se o caminho daqueles povos que procuram a verdade, a concórdia, o bem, a dignidade, a justiça e a paz.

Em Maria espelha-se o rosto da nova Humanidade, enriquecida pela graça de Deus, como o provam as palavras do Evangelho de hoje na saudação do Anjo, que proclama: «O Senhor está contigo, encontraste graça diante de Deus» (Luc 1, 28-30).

 

Maria converte-se, assim, na figura por excelência do Advento. Ela é sinal da presença de Deus no meio dos homens, ao anunciar-nos que o Natal vai acontecer. Ela abre a porta do coração humano ao sonho de Deus.

 

Ela é a casa e a família que Deus escolhe para que o seu Filho tenha Mãe, casa e família. Ela é esta porta que se abre para que a todas as famílias, com Maria, se renovem nas fontes da alegria do Natal e do amor vivido em família.

 

Ela é o modelo da Igreja, verdadeira Mãe de coração aberto, que acolhe, acompanha, educa e semeia esperança no horizonte daqueles a quem dá a vida. Ela é modelo de uma Igreja de gente feliz, porque acredita nas bem-aventuranças do evangelho e se predispõe a praticar com alegria as obras de misericórdia.

 

Ela é anúncio de uma nova Humanidade que ama e espera, que recebe e aceita Deus, que acolhe a Sua Palavra e a põe em prática. No horizonte da esperança de uma Humanidade que Deus salva, encontra-se a resposta de Maria: «Faça-se em mim segundo a tua Palavra» (Luc 1,38).

 

2. São grandes as incertezas, os desafios, os apelos e as angústias deste tempo, em que vivemos, e do mundo que somos chamados a servir. Mas é bem maior ainda a bênção de Deus, manifestada no rosto terno de Maria, a Imaculada Conceição, e espelhada no rosto materno da Igreja.

 

Por tudo isto, a nossa forma de amar a Deus no Porto, o nosso modo de anunciar a alegria do Evangelho, o nosso jeito de plantar aqui e agora esta “árvore dos sonhos”, como nos propomos na Caminhada Advento-Natal, consiste em preparar o mundo em que vivemos para celebrar Natal.

 

Esta mesma árvore remete-nos para o sonho da árvore da vida e da árvore da ciência do bem e do mal, plantadas no Paraíso (Gen 2, 9), mas também nos reporta à árvore de Jessé. Assim o anunciara Isaías: “Sairá um ramo do tronco de Jessé e um rebento brotará das suas raízes” (Is 11, 1). Desde S. Jerónimo que os comentadores da Bíblia se referem a estas palavras, dizendo que o “tronco” aludia à Virgem Maria.

 

3. É nesta Igreja viva, que somos chamados a celebrar a fé na comunhão da Igreja Diocesana e a viver hoje esta solenidade da Imaculada Conceição de Maria, colocando no seu coração de Mãe todos os nossos sonhos pastorais para a Igreja do Porto.

 

Sob o lema: “Com Maria, renovai-vos nas fontes da alegria”, queremos a exemplo de Maria, que hoje celebramos, e na perspectiva da celebração do centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, “ser uma Igreja pronta a oferecer a todos a vida de Jesus Cristo, que de Deus e de maria recebemos”(cf. PDP, pág13).

 

É urgente cultivar entre nós e, a partir de nós, no coração do mundo a alegria da fé, as razões da esperança e a ousadia da caridade que se traduzam numa cultura de proximidade e de encontro onde todos tenham lugar e tenham voz. O futuro, que nasce por entre luzes e sombras do tempo presente, só é possível a partir da força interior do coração humano tocado pelo amor, pela graça e pelo perdão de Deus. Queremos viver decididos a inundar de bondade, de esperança e de misericórdia o mundo, para que as bem-aventuranças do reino estejam ao alcance de todos, por igual.

 

Nesta caminhada de Advento/Natal sentimos que o pulsar da renovação pastoral que sonhamos para a Igreja do Porto se deve fazer sentir necessariamente nas pessoas, nas famílias, nas paróquias, nas instituições e nos espaços da sociedade, nas aldeias, vilas e cidades da nossa Diocese. Devemos todos aprender na escola do presépio e no exemplo de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. Queremos encantar-nos neste Natal e sempre pela novidade revigorante da alegria do Evangelho.

 

A recente visita da Imagem Peregrina de Fátima diz-nos como devemos partir do centro para as periferias e como à volta e em redor da Mãe se reúnem e congregam os filhos, os mais próximos e os mais distantes. Vimos nesses dias, que jamais esqueceremos, tantos filhos e irmãos reunidos em clima de festa, em torno da Mãe, disponíveis para a missão.

 

4. A ordenação de um diácono do Instituto dos Missionários da Consolata, e de quatro diáconos permanentes da nossa Diocese, constitui mais um sinal da bênção de Deus, derramada sobre o povo que somos. Uma ordenação é sempre, para a Igreja e para o mundo, uma bênção.

 

Precisamos todos de encontrar em vós, que ides ser ordenados diáconos, verdadeiros discípulos de Cristo e de ver em vós sinais visíveis da bondade de Deus e do seu amor pela Humanidade. Sede mensageiros felizes da Alegria do Evangelho e servidores disponíveis do Altar da Eucaristia. Sede generosos no cuidado com os pobres e no exercício da caridade. Sede colaboradores fiéis do bispo e dos presbíteros em ordem à comunhão e à corresponsabilidade na construção do Reino de Deus.

 

Saúdo-vos com muita alegria e em vós saúdo e agradeço as vossas famílias, párocos, comunidades, instituto religioso e todos quantos estiveram presentes, atentos e interventivos no caminho que percorrestes e vos ajudaram, com a oração, o conselho e o testemunho a chegar aqui para daqui partirdes em missão.

 

5.Que Nossa Senhora, a Imaculada Conceição, a Quem confio e consagro esta amada Igreja do Porto, de que Ela é Mãe e Padroeira, nos ensine e nos ajude a renovar-nos sempre nas fontes da alegria, da fidelidade e da paz.

 

 

Porto, Igreja Catedral, 8 de dezembro de 2016

António, Bispo do Porto

 
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