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Homilia na festa de santo Elói PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

1.Na manhã deste dia de festa, reúne-nos à volta deste Altar, o convite do Senhor nosso Deus para celebrarmos Eucaristia. Celebramos, hoje, a memória litúrgica de Santo Elói, cuja imagem está presente nesta bela e antiga Igreja de S. Nicolau, situada no coração histórico da nossa cidade do Porto.

 

A Palavra de Deus ilumina e dá sentido à nossa presença e à nossa celebração. A liturgia deste dia, no início do Advento e no começo de um novo ano litúrgico, aproxima-nos do Natal, com a ajuda preciosa da palavra do profeta Isaías.

 

Isaías, o enviado do Senhor, o profeta e intermediário de Deus junto da Humanidade, sente-se habitado pelo Espírito de Deus para ser a voz e a presença de Deus, ao  preparar as pessoas e os povos para a vinda do Messias de Deus.

 

Este texto de Isaías amplia o nosso olhar ao horizonte do nascimento do Filho de Deus e prepara a cidade dos homens para a vinda do Salvador, desde sempre prometido à Humanidade.

 

São de Isaías estas palavras: “Nós temos uma cidade forte, muralhas e fortificações foram postas para nos proteger. Abri as portas da cidade para que nela entre um povo justo, um povo que pratica a fidelidade. Confiai sempre no Senhor, porque o Senhor é a nossa fortaleza” (cf. Is. 26, 1-6).

 

O Evangelho diz-nos que para Jesus o povo justo e fiel, de que falava Isaías é: “ aquele povo que faz a vontade de Deus; o povo que ouve as palavras de Deus e as põe em prática”. E Jesus deixa-nos uma imagem e explica-nos uma metáfora: Este povo justo e fiel é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha firme. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu porque, porque estava fundada sobre a rocha” ( cf. Mt 7, 21-37).

 

2. Radica-se aqui a missão dos cristãos. Baptizados com Cristo, na sua morte e ressurreição, somos filhos de Deus, chamados à santidade e enviados em missão para sermos povo justo e fiel no meio da cidade, desta cidade assente sobre rocha firme. Esta rocha firme é o nosso solo granítico, na orla do rio e na proximidade do mar, nesta Ribeira única e bela do Porto. Esta rocha firme são os valores fundadores e cristãos que moldaram e continuam a moldar o nosso coração portuense.

 

O mesmo espírito que deu voz profética a Isaías e que nos revelou Jesus, o Filho de Deus, move-nos, hoje, para sermos construtores fiéis, justos e corajosos desta bela cidade dos homens e mulheres que faz do Porto uma cidade de trabalho e de liberdade, uma cidade franca e acolhedora, uma cidade onde os valores cristãos têm plena cidadania e se afirmam no testemunho de quantos trabalham para o bem comum de todos.

 

Não nos faltaram, ao longo do tempo e no percurso da história, homens e mulheres que fizeram da sua vida exemplo e escola destes valores transmitidos de geração e geração e que chegaram até nós, em famílias, profissões e comunidades, que nos honram e enobrecem. Os monumentos, templos, escolas e igrejas que edificamos e os trabalhos que produzimos atestam estes valores.

 

Hoje trazem-nos aqui os ourives e joalheiros da cidade e da região com a sua devoção. Queremos  honrar e venerar Santo Elói, o seu santo padroeiro.

 

3. Santo Elói nasceu na França, em 588. Filho de modestos camponeses recebeu como herança uma esmerada educação cristã e aprendeu a profissão de ourives. Sereno e discreto começou a aperceber-se da pobreza dos mais esquecidos da cidade, repartindo por eles o dinheiro que recebia do seu ofício. Agraciado pelo Rei nunca esqueceu os humildes e os pobres e aos 51 anos, depois de uma vida de intenso trabalho profissional, deixou o seu ofício e ingressou na vida religiosa. Mais tarde foi nomeado Bispo na região da Flandres. Faleceu no dia 1 de dezembro de 660.

 

É este testemunho de santidade que hoje se pede a cada um de nós cristãos na diversidade dos seus dons, ministérios e carismas. Este é o paradigma de santidade que encontramos no santo que hoje celebramos.

 

São vários os rituais, diversas as tradições e múltiplas as formas de que se revestem as celebrações dos santos. Estas celebrações assumem, muitas vezes, uma dimensão que não se circunscreve ao culto e á liturgia. Nunca se deve esquecer, porém, a centralidade que a vida de santidade da pessoa venerada assume como modelo e paradigma de vida para os cristãos. As celebrações cristãs devem saber fazer da festa um momento de fé e de cultura.

 

4. Este ano esta celebração procura dar atenção e valor a quanto na Igreja e na sociedade se vive e realiza para propor caminhos de cidadania e de valorização do nosso património construído pelos nossos antepassados ou esculpido e trabalhado pelo talento dos nosso artistas e entre eles quero destacar, hoje, os ourives.

 

A valorização do nosso património é também uma prioridade da Igreja do Porto. Queremos valorizar e requalificar cada vez mais, para colocar ao serviço do Porto e dos portuenses, o património da Igreja, que os nossos antepassados nos legaram em herança. Queremos juntar a este património a criação artística com que o talento dos nossos contemporâneos nos enobrece.

 

Sabemos, igualmente, que a melhor forma de servirmos os nossos contemporâneos e venerarmos os santos, consiste em assumirmos com alegria e firmeza a nossa fé e sermos ousados e criativos no serviço fraterno, solidário e atento aos que mais sofrem e mais precisam.

 

Será sempre na dimensão humana do serviço fraterno a todos que se revela com invulgar beleza o rosto de bênção e de misericórdia de Deus, que a Igreja do Porto espelha concretamente através das paróquias e das instituições sociais do centro histórico da nossa cidade.

 

Este é o nosso compromisso de fé e de cultura, um compromisso de abertura à sociedade, de encontro acolhedor com todos, de atenção solícita aos que mais sofrem e de colaboração leal e generosa com as iniciativas, propostas e actividades da nossa cidade.

 

Queremos no Porto, onde, cada vez mais, para bem de todos nós e de quantos nos visitam, há espaços abertos para acolher, partilhar e sentir a beleza da cidade, ser uma Igreja aberta, acolhedora, fraterna e servidora dos portuenses a quem anunciamos a alegria do Evangelho.

 

Que a protecção de Maria e a intercessão de Santo Elói, padroeiro dos ourives, nos renovem com nas fontes da alegria cristã e nos fortaleçam no caminho da preparação do Natal.

 

Porto, 1 de dezembro de 2016

António Francisco dos Santos, Bispo do Porto

 
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