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Homilia nas Exéquias do Padre Joaquim Ferreira Casaca PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

1.“Nada nos poderá separar do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus”, proclamava S. Paulo aos cristãos de Roma, fazendo desta afirmação certeza intocável e garantia permanente de serenidade e de paz (cf. Rom 8, 31-39).

 

Se tem sentido afirmar esta convicção diante da comunidade cristã nascente, numa cidade como era a de Roma, mais sentido tem afirmá-lo hoje e aqui diante de um sacerdote a quem o Senhor chamou ao Seu encontro, após um longo caminho de vida e um belo testemunho de ministério sacerdotal.

 

Diante da morte somos convidados, à luz desta palavra de S. Paulo, a vencer o medo, a não temer o julgamento da vida e a deixarmo-nos abandonar no coração d’Aquele que, na encosta da colina, de onde o mar se via, proclamou o belo hino das bem-aventuranças, que o Evangelho agora proclamado nos recordou.

 

O sacerdote, é por experiência, diariamente renovada, sujeito, destinatário e mensageiro desta mensagem de Jesus, dita aos discípulos e por eles transmitido à multidão. “Jesus subiu à montanha e sentou-se. Aproximaram-se os discípulos e Ele pôs-se a ensiná-los”. (cf. Mt 5, 1-12).

 

A morte é, assim, para os discípulos de Jesus esta porta do Céu, que da colina sobranceira ao mar já se antevê, e o início da bem-aventurança, marcado no calendário da vida pela hora do regresso a Deus.

 

2.A morte foi para o Padre Joaquim Ferreira Casaca este momento sereno e esperado de uma vida que começou longe no tempo e que não se interrompe aqui. Ele ia pressentindo, desde há algum tempo, que esta hora se aproximava. “O tempo não perdoa e a velhice é inclemente”, lembrava-me ele sempre que o visitava, sorrindo com o seu bom humor, como quem aceita o curso da vida com humana naturalidade e fé firme.

 

O Padre Joaquim Casaca nasceu aqui bem perto, no Torrão, freguesia de Eja, a 1 de fevereiro de 1924, filho de Joaquim Ferreira Casaca e de D. Maria de Sousa Carneiro de Andrade e membro de uma família numerosa.

 

Frequentou os Seminários da nossa Diocese onde concluiu o Curso Superior de Teologia, em 1946, sendo ordenado Presbítero por D. Agostinho de Jesus e Sousa, na Capela da Casa Episcopal, ao tempo na Torre da Marca, a 5 de abril de 1947.

 

Iniciou, de imediato, o seu ministério sacerdotal como Coadjutor da paróquia de S. Tiago de Rebordões, em Santo Tirso. Logo no ano seguinte foi nomeado pároco de Real, em Castelo de Paiva, e três anos depois assumiu também a responsabilidade pastoral da paróquia de Paraíso, no mesmo concelho.

 

De lá transitou para a paróquia de Cete, na Vigararia de Paredes, em 1952. Foi Vigário da Vara de Paredes, desde 1955 a 1971. Em 1971 é nomeado pároco de Urrô, Penafiel. E a partir de 1974 foi pároco de S. Vicente de Pinheiro e alguns anos depois pároco de S. Paio da Portela. Neste arco do tempo assumiu também temporariamente o múnus de administrador paroquial, de Cabeça Santa e de Rio de Moinhos. De 1980 a 1993 foi Vigário da 7.a Vigararia Nordeste

 

Com a saúde fragilizada e idade avançada recolheu-se, a partir de 2010, ao Lar de S. Martinho de Milhundos, da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel. Sempre que aqui o visitei senti-o rodeado da atenção, do carinho e da dedicação de quantos ali trabalhavam e da proximidade da sua família, sempre presente.

 

3.De si, caríssimo Padre Joaquim Casaca, conservarei sempre o testemunho exemplar de quem acolhe, agradece e vive o sacerdócio como dom gratuito do amor eterno de Deus e como serviço permanente àqueles a quem Deus o enviara. Recordarei a fidelidade exigente à oração, a centralidade dada à Eucaristia diária, o sentido de comunhão e de delicadeza com o seu bispo e um jeito tão amigo, alegre e fraterno de ser nosso irmão que o levava mesmo na sua cadeira de rodas a acompanhar-me até à porta do Lar, com uma nobreza e uma delicadeza de sentimentos que me confundiam.

 

4. As Leituras de hoje ajudam-nos, iluminam-nos e fortalecem-nos nesta missão. A Carta de S. Paulo aos Romanos lembra-nos que a esperança não engana porque se “Deus é por nós, quem será contra nós? Ele que não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos há-de conceder, com Ele, todos os bens?”( cf. Rom. 8, 31 a 39).

 

O texto do Evangelho de S. Mateus, agora proclamado, fala-nos das bem-aventuranças do Reino e da plenitude da felicidade que se anuncia aos simples, aos pobres, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos obreiros da justiça e aos construtores da paz. É tão importante para todos nós sabermos acolher já agora este desafio evangélico de felicidade que as bem-aventuranças nos propõem (cf. Mt 5, 1-12).

 

Este texto constitui uma bela síntese do Evangelho e estabelece um necessário programa de vida para todos nós, mas muito concretamente para nós sacerdotes que somos chamados a ser mensageiros das bem-aventuranças no meio do mundo e a testemunhar que as bem-aventuranças estão ao nosso alcance já neste mundo e neste tempo. As bem-aventuranças não são apenas um sonho distante reservado para a eternidade.

 

5. A morte de um sacerdote é como o grão de trigo caído à terra, que a seu tempo germinará e dará fruto. É tempo de continuarmos a pedir a Deus que envie trabalhadores para a messe. Os nossos sacerdotes constituem uma bênção para a Igreja do Porto e quando partem ao encontro de Deus legam-nos, em herança, este belo testemunho de servidores das bem-aventuranças do Evangelho, que nos cumpre continuar.

 

Na liturgia da Igreja o dia da morte é o “dies natalis”. Que, também, a morte do Padre Joaquim Casaca neste tempo de Natal nos ensine que uma das a missões do sacerdote consiste em ajudar as pessoas, as famílias e as comunidades a sonhar e a viver a verdadeira alegria de Natal.

 

Peço a Deus que conceda ao Padre Joaquim Casaca a recompensa de todo o bem realizado na terra e a bem-aventurança dos justos no céu.

 

Igreja matriz de S. Vicente de Pinheiro, 19 de dezembro de 2016

António, Bispo do Porto

 

 

 

 

 

 

 

 

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