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Homilia nas Exéquias de Monsenhor Celestino da Silva Ramos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

1.Ouvimos a Palavra de Deus em textos bíblicos que Monsenhor Celestino da Silva Ramos deixou expressamente indicados para a liturgia exequial, que agora celebramos. Esta era, assim, segundo a sua vontade, a Palavra de Deus que maior significado assumia para ele como programa que sempre ancorou a sua vida e inspirou o seu ministério sacerdotal.

 

Na primeira leitura, o texto do Livro da Sabedoria dizia-nos que “as almas dos justos estão nas mãos de Deus…estão em paz…porque a graça e a misericórdia são para os seus eleitos (cf. Sab 3, 1-9).

 

Assim sentimos Monsenhor Celestino. Sabemos que se colocou sempre “nas mãos de Deus”. Foi este o seu desígnio espiritual e o seu propósito de missão. Ele está em paz, envolvido pela graça e pela misericórdia de Deus, em Quem sempre acreditou. É esta graça e esta misericórdia que agora abrem o seu coração para “contemplar um novo céu e uma nova terra” e despertam a sua alma para ouvir a voz que lhe diz: “esta é a morada de Deus entre os homens. Eu serei seu Deus e ele será meu filho”, como afirmava o texto do Livro do Apocalipse (cf. Ap 21, 1-7).

 

É na raiz desta certeza de fé que ganha sentido e alcance a palavra de Jesus, no evangelho, agora proclamado.  Diante de Lázaro morto, Jesus acorda a consciência crente daquela família amiga, a viver uma hora de dor e de luto. Conforta Marta e Maria pela morte do irmão, dizendo-lhes: “Teu irmão ressuscitará”. “Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia”, responde-lhe Marta. Jesus confirma-lhes esta soberana convicção: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em Mim, ainda que tenha morrido, viverá”. “ Sim, ó Senhor, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus”, retorquiu Marta (cf. Jo 11, 17-27).

 

Aos discípulos de Jesus foi confiada esta mesma missão: a de anunciar sempre e em todos os lugares a certeza da ressurreição. Uma certeza que está ao nosso alcance. Uma certeza que eles próprios haviam de testemunhar na manhã vitoriosa da Páscoa. Uma certeza diariamente afirmada por Monsenhor Celestino e por ele tantas vezes aqui repartida e multiplicada por aqueles que ele ajudou a crescer na fé, alimentou na esperança e serviu na caridade. Bem-Haja, Monsenhor, por ser para nós este belo testemunho de fé e por nos legar em herança este exemplar testamento de vida.

 

2. De si, Monsenhor Celestino, conservaremos todos e sempre o testemunho exemplar de quem acolheu, agradeceu e viveu o sacerdócio como dom gratuito do amor eterno de Deus e como serviço permanente àqueles a quem Deus o enviara. Era para todos nós bem visível a sua entrega a Deus, o seu amor à Igreja e o seu zelo pelas comunidades que serviu ao longo de 95 anos de vida e 71 de sacerdote.

 

Guardaremos sempre como referência maior de virtude a verdade da sua vida dada a Deus e partilhada com os seus bispos, como quem sente que na Igreja só o mistério da unidade e da comunhão revelam Deus e repartem o Seu amor. Admirei sempre a sua proximidade com os Seminários e o seu dom de acolher e acompanhar os seminaristas e os sacerdotes novos em tempo de preparação para a vida pastoral, ajudando-os a descobrir o encanto do ministério e a alegria de serem padres.

 

Louvo a sua liberdade interior e o seu despojamento espelhado numa vida simples e sóbria, dedicada e feliz. Como ajudou, Monsenhor, com o seu jeito de ser pastor mesmo para lá das fronteiras da nossa Diocese, a quantos trabalhávamos na formação dos sacerdotes! A primeira vez que ouvi o seu nome foi a D. António Taipa, então Reitor do Seminário Maior, quando se referiu a si em reunião das Equipas Formadoras dos Seminários de Portugal, ao falar da ajuda determinante dada à formação dos futuros pastores pelos sacerdotes a quem confiava os seminaristas em estágio. Entre tantos, também D. António Augusto, aqui presente, foi seu estagiário e dedicado colaborador.

 

Recordo igualmente o entusiasmo e a lucidez com que, em setembro de 2006, a convite da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, falou desta sua experiência às Equipas Formadoras dos Seminários de Portugal, reunidas em Encontro Nacional, na Casa Diocesana do Patriarcado, no Turcifal.

 

4. Quando há quinze dias o visitei com o Padre Luís Mateus, pároco desta cidade, senti Monsenhor Celestino sereno de alma e com a habitual sabedoria de espírito de quem amava as gentes de Santo Tirso e conhecia bem esta terra que servira.

 

Monsenhor Celestino da Silva Ramos nasceu no dia 5 de agosto de 1921, em S. Mamede de Coronado. Frequentou os nossos Seminários Diocesanos onde concluiu o Curso Superior de Teologia. Foi ordenado presbítero em 5 de agosto, dia do seu aniversário, de 1945. Nesse mesmo ano foi nomeado coadjutor da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Porto. Em 1947 foi nomeado pároco de Santa Maria do Gôve e S. João do Grilo, na Vigararia de Baião. Oito anos depois, em 1955, foi nomeado pároco de Bustelo, em Penafiel. E mais uma vez, oito após, em 1963, foi nomeado pároco de Santo Tirso, onde permaneceu como pároco durante cinquenta anos, até 2013. Assumiu cumulativamente, ao longo deste tempo, durante alguns anos a paroquialidade de Burgães e mais tarde de S, Miguel do Couto. Foi, neste arco do tempo, Vigário da Vara de Santo Tirso e Delegado Episcopal da Região Norte. Em 28 de abril de 2012 foi nomeado pelo Papa Bento XVI seu Prelado de Honra, com o título de Monsenhor.

 

A morte de um sacerdote é como o grão de trigo caído à terra, que a seu tempo germinará e dará fruto. É tempo de continuarmos a pedir a Deus que envie trabalhadores para a messe. Tão necessários são na nossa Diocese! Façamo-lo com a serenidade e com a insistente confiança de quem sabe “que Deus nos ama com amor eterno” e de quem acredita que este irmão sacerdote que Ele hoje chama continuará a velar por esta Igreja do Porto, pelos seus sacerdotes e pelos seus Seminários.

 

Esta é também a hora de vos dizer, caros sacerdotes, todo o meu renovado afecto e a minha permanente gratidão pela vossa dedicação como pastores no meio do povo a quem anunciais a alegria do Evangelho e testemunhais a felicidade de servir.

 

Agradeço-vos, igualmente, irmãos e irmãs de Santo Tirso, a vossa permanente dedicação a este irmão sacerdote, que aqui viveu feliz e aqui serviu com reconhecida generosidade, até ao limite das forças que a saúde lhe permitiu.

 

Monsenhor Celestino Ramos sentiu o carinho dos seus paroquianos e o reconhecimento da sociedade civil e das suas instituições; sempre encontrou uma especial dedicação fraterna nos sacerdotes que aqui fizeram o seu estágio e aqui permaneceram sempre, como foi o Padre Manuel Torres Ramos, ou aqui regressavam com frequência; sempre teve o aconchego da sua família onde se acolheu nos últimos anos e era agora cuidado com inexcedível atenção e carinho constante.

 

Compreendemos, por isso, que deseje ser sepultado neste chão sagrado da terra que fez sua. Ele permanecerá para sempre na memória do coração de todos nós e estará presente na alma desta amada Igreja do Porto, que ele tão generosamente serviu.

 

5. Que Nossa Senhora, Mãe de Jesus e Senhora da Assunção, que por nós vela do alto da colina de Monte Córdova, nos ensine a viver este tempo do Natal como tempo habitado pela esperança e tempo que faz nascer em cada um de nós a certeza da vida e da ressurreição.

 

Santo Tirso, Igreja matriz, 21 de dezembro de 2016

António, Bispo do Porto

 
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