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Homilia na Solenidade do Natal do Senhor PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2016

1.Celebramos, hoje, o nascimento de Jesus. Celebramos o nascimento de um Menino que é resposta de Deus à esperança da humanidade. Esta esperança da humanidade concentrou-se, de modo muito particular, no povo de Israel.

Os profetas mantiveram acesa esta esperança, sobretudo nos momentos mais difíceis do caminho daquele povo. Nas famílias de Israel transmitia-se de geração em geração a esperança de que se cumpririam um dia as promessas feitas por Deus aos seus antepassados (cf. Is 52, 7-10).

O Natal é a resposta de Deus a esta atitude da alma humana de quem espera, de quem aguarda, de quem acolhe e de quem acredita que a esperança é possível e de que Deus não falta às suas promessas (cf. Heb 1, 1-6).

 

Os que desprezam e esquecem os outros, os que não têm necessidade de ninguém nunca serão capazes de saborear a alegria, a beleza e a ternura do Natal. Sem o espírito das bem-aventuranças, que é espírito de simplicidade, de pureza de coração, de misericórdia, de mansidão, de justiça e de paz não é possível sonhar a alegria do Natal.

 

2. O Natal cristão convida-nos e compromete-nos a fazer resplandecer a luz do nascimento de Jesus na vida de todos, traduzida em sonhos de uma vida nova para os que mais sofrem e para os pobres.

Quero, neste Natal, dirigir uma primeira palavra de saudação àqueles para quem é mais difícil acreditar que Deus lhes quer bem e os ama, porque sentem que a sua vida é um permanente caminhar na noite da pobreza, da dor, da injustiça, da solidão ou da marginalidade.

Sentei-me à mesa da refeição de um grupo de idosos e de uma família de refugiados, tão bem acolhidos numa instituição de uma das cidades da nossa Diocese. Com eles e graças a eles começou para mim a celebração deste Natal. Quis levar-lhes presença e esperança de que se outras estrelas não brilharem para eles na escuridão da tristeza e se outro calor não vencer a solidão da noite, a distância dos seus países e a saudade das suas famílias, a Igreja está com eles, para que nos seus corações haja Natal e aqui encontrem o conforto da alegria e a tranquilidade da paz.

Celebrei, depois, a Eucaristia, ao toque do relógio da meia noite e ao cantar  do galo que acorda o novo dia, numa das instituições hospitalares do Porto, onde a vida se acolhe, numa média de dez nascimentos por dia. Senti que, ali, a manjedoura de Belém que acolheu Jesus, se transforma diariamente em berços de afago, envolvidos pela ternura das mães, pelo carinho dos pais e pela dedicação e competência dos profissionais de saúde.

Mas estes sinais de um mundo novo em gestação que o Natal anuncia e antecipa não podem silenciar esta humana pergunta: Como sonhar esta mesma alegria do Natal nas ruas manchadas pelo sangue derramado em Paris, Nice, Ancara ou Berlim? Como construir presépios nas ruinas de Alepo, donde obrigaram a fugir os cristãos? Que presente de Natal oferecer ao menino que chora porque o seu pai está preso, e não tem sentido, por isso, ouvir cantar os parabéns, em dia do seu aniversário, mesmo que rodeado pelos companheiros e educadoras daquele Centro Social de um bairro pobre da cidade?

Vinte séculos depois, o mundo continua a fechar as portas das albergarias da cidade diante da vida que nasce, incomoda e desinstala e frente a famílias de refugiados, sem teto, sem terra e sem trabalho.

Os poderosos do mundo parecem continuar distraídos de tudo isto, ocupados com outras coisas, enredados nos seus negócios internacionais.

Quem ouve, hoje, a voz dos anjos no silêncio da noite? Quem se apressa a acorrer à gruta de Belém? Quem se deixa iluminar pela estrela que nos conduz a Deus, nascido de Maria e velado por José, seu pai adoptivo. Que mistérios divinos contemplamos? Que sonhos de paz e de misericórdia embalamos? Que caminhos de luz e de sabedoria percorremos?

 

3. Firmemente enraizados na fé cristã, há, todavia, homens e mulheres, famílias inteiras e comunidades vivas que ousam sonhar a alegria do Natal. Há gente feliz decidida a fazer felizes os outros, porque sabem que as bem-aventuranças acontecem quando temos Deus no coração e O transportamos connosco em cada palavra e em cada gesto. Não faltam presépios carinhosamente cuidados e árvores de Natal que crescem com sonhos de Deus, no chão da cidade que habitamos e na alma da Igreja que somos.

Vejo promessas divinas cumpridas e sonhos de Natal concretizados em tantas pessoas, para quem a fé esclarecida, consciente e adulta molda a sua personalidade e faz coerente a sua vida.

Encontro famílias onde brilha a alegria de um amor feliz e se ocupam sem desalento de outras famílias irmãs, a braços com provações, ruturas e dores, como nos pede e propõe o Papa Francisco na mais recente Exortação Apostólica “Amoris Laetitia”.

Há felizmente escolas onde os valores de uma vida íntegra e plena se aprendem e são muitas as instituições capazes de cuidar de vidas magoadas pela pobreza, pelo desemprego ou pelo luto.

Todos encontramos à nossa volta comunidades pujantes de dinamismo pastoral e centradas na fé, que harmonizam a sabedoria dos idosos, a candura das crianças, o encanto dos jovens e a verdade das famílias.

O que o Natal mais nos pede e o melhor que o Natal nos dá é a ousadia de manter viva a essência do Natal e a capacidade de trazer até nós a presença do Filho de Deus, Verbo eterno do Pai, para O colocar no coração humano, que é o melhor presépio de um mundo novo e diferente (cf. Jo 1, 1-18).

Centrados no Natal – acolhido como nascimento de Jesus, Filho de Deus - devemos traduzir para a complexidade do nosso tempo e para a perplexidade da nossa cultura a mensagem que de Jesus recebemos.

Como Igreja do Porto propomo-nos, ao longo do tempo do Advento-Natal, sonhar sonhos de Deus, com Maria e José. Hoje é dia de Natal. Hoje é o tempo favorável para receber Jesus, o Verbo de Deus, Deus connosco, Príncipe da Paz e fonte da nossa Alegria.

Tocamos de muito perto, assim e a partir daqui, a alegria do Natal ao descobrir, em cada momento do nosso caminho, sinais de generosidade de tantos cuidadores da vida que aconchegam com carinho quem nasce, que salvaguardam sem tréguas a dignidade humana, que atendem com ternura os idosos e que amparam quem sofre. Acredito que assim acontece, porque o Natal, dom de Deus e nascimento de Jesus, acontece diariamente no coração que as pessoas, as famílias e as comunidades cristãs transformam nos melhores presépios, para que Jesus aí nasça.

 

É com o coração de irmão e de pastor que a todos saúdo e desejo:

Um santo e feliz Natal.

 

Porto, 25 de Dezembro de 2016

António, Bispo do Porto

 

 

 

 
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