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Homilia na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, no 50.º Dia Mundial da Paz PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

1.No início de um novo ano, neste tempo habitado pela esperança de quem sonha a alegria do Natal, acabamos de ouvir as palavras dirigidas por Moisés ao povo de Israel: “O Senhor te abençoe e proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz” (cf. Num.6,22-27).

São de esperança, também, as palavras do Papa Francisco na sua mensagem para este quinquagésimo Dia Mundial da Paz, que hoje celebramos, integrado na solenidade litúrgica de Santa Maria, Mãe de Deus.

É, igualmente, marcada pela alegria e pela esperança a minha saudação à diocese, neste primeiro dia de 2017, implorando para todos nós, unidos e reunidos em família e membros desta grande família diocesana, que é a amada Igreja do Porto, a bênção de Deus.

 

Confiemos este ano, em todo o tempo e em cada um dos seus dias, à protecção de Maria, Mãe de Deus, para que Ela «nos renove nas fontes da Alegria». Confiemos-Lhe a cidade e a diocese, como mães que são do nosso viver solidário, da nossa comunhão fraterna e do nosso crescer na fé, na esperança e na caridade. Confiemos-Lhe as nossas mães e todas as famílias e comunidades da nossa diocese, com todos os seus projectos, esperanças e provações, para que sejam sempre “famílias de paz e comunidades de paz”(Caminhada diocesana de Advento-Natal, 2016/2017, pág. 24).

 

2. Maria, Mãe de Deus, é estrela da esperança a iluminar o horizonte do nosso futuro e a conduzir os desígnios da humanidade na busca da vida e da paz.

Nasce deste mistério da encarnação do Filho de Deus a nossa filiação divina e o nosso direito à herança de que nos falava S. Paulo, na segunda leitura: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, para nos tornar seus filhos adoptivos…E se és filho também és herdeiro, por graça de Deus.” (cf. Gál.4,4-7).

Irrompe, igualmente, deste mistério o fascínio dos pastores que, como narrava o Evangelho de hoje, se dirigiram apressadamente a Belém, atentos à voz dos anjos que anunciavam o nascimento de Jesus e com Ele a vinda do Salvador, o Príncipe da paz. Mas, o que mais se realça neste texto diante do entusiasmo dos pastores é o silêncio contemplativo de Maria: “Maria, a Mãe de Jesus, guardava todas estas palavras, meditando-as no seu coração”(Luc.2,19).

 

O tempo que vivemos, apesar da crise cultural e social dramática que se sente no mundo, magoado pela violência, pelo terrorismo e pela perseguição dos mais frágeis exige dos cristãos disponibilidade para o silêncio contemplativo de Deus, coragem evangelizadora no anúncio profético da Boa Nova da salvação e eficaz pedagogia na construção da justiça e da paz.

 

3. É isso o que nos propõe o Papa Francisco na sua mensagem para este dia sob o lema: “A não violência: estilo de uma política para a paz”.

Depois de reconhecer que vivemos num “mundo dilacerado pela violência que se exerce «aos pedaços» e a vários níveis”, o Papa Francisco recorda-nos que “o próprio Jesus viveu em tempos de violência e ensinou-nos que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano” (idem, 3).

A não violência, diz-nos o Papa Francisco, é o caminho necessário da paz, mesmo que soe às vezes a “rendição, negligência ou passividade”. E é neste horizonte de pensamento e neste propósito de missão que o Papa Francisco insiste connosco para erradicarmos a violência do íntimo do nosso coração, porque está aí a raiz de todo o mal. Só a partir daí poderemos prosseguir depois na família, nas instituições e nos povos esta senda da não-violência ativa, conscientes de que “a não-violência ativa é uma forma de mostrar que a unidade é, verdadeiramente, mais forte e fecunda do que qualquer conflito” (idem n.º 6).

O Papa Francisco recorda-nos que este estilo que tem raízes no coração humano e se molda na escola da família nos torna capazes de amar os inimigos e de resistir ao mal com o bem. Não vale a pena sonhar um mundo de paz, quando, em nossa casa, entre laços de sangue, não somos capazes de perdão, de compreensão e de aceitação uns dos outros.

É necessário compreender que isso, aparentemente fácil, exige de cada um de nós uma permanente atenção aos outros, expressa em gestos, os mais simples, porque a paz também se faz de coisas simples, até às decisões, as mais corajosas, porque a paz é difícil e muitas vezes até heróica. Mas só a paz edifica o futuro e transforma o mundo. A paz é um valor que não tem preço. A paz é bem-aventurança do Evangelho e tesouro do Mundo.

Todos conhecemos situações em que a falta de harmonia, a ausência de respeito e as atitudes de violência desencadeiam ondas de atropelo à vida, à dignidade humana e ao justo equilíbrio das pessoas, das famílias e das instituições. O individualismo egoísta que guia tantas pessoas e a agressividade estéril que se instala em inúmeras famílias são responsáveis por esta espiral de violência que quase diariamente faz derramar sangue humano, nos fere a alma por dentro e tolda os sonhos de alegria, de unidade e de paz no mundo.

 

4. Mas a paz alimenta-se do futuro e nunca se constrói na base da nostalgia do passado ou da recriminação dos erros presentes. Por isso,  este dia novo de um ano que começa é um tempo de esperança e de sonho abençoado por Deus. Encontramos, felizmente, por todo o lado na nossa cidade e diocese multidões de pessoas, homens e mulheres de todas as idades e, porque não referi-lo, com renovada gratidão, tantos jovens cristãos inspirados pelos sonhos de Deus, trabalhados pelo espírito das bem-aventuranças e cheios de vontade, de generosidade, de coragem, de paciência e de benevolência, que são verdadeiros “artesãos da paz” (idem, n.º 7).

Encontramos diariamente tantos homens e mulheres de boa vontade dispostos a ajudar os que sofrem, a acolher os que fogem dos países em guerra e decididos a construir um mundo de harmonia e de paz.

A exemplo de S. Francisco de Assis, o incansável construtor da paz, que nos aconselha: “A paz que anunciais com os lábios, conservai-a ainda mais abundante nos vossos corações”, («Legenda dos três companheiros: Fontes Franciscanas, n. 1469» idem n.º3), também eu rezo em nome de cada um dos diocesanos desta amada Igreja do Porto: “Faz-me, Senhor, instrumento da paz, da Tua paz”(oração de S. Francisco).

 

5. Coloquemos na árvore do presépio, que a Caminhada de Advento-Natal nos sugere, os nossos sonhos de paz e peçamos que o olhar de bênção e de paz da Mãe de Jesus, Rainha da Paz, nos renove nas fontes da alegria e da paz ao longo de todo o ano.

 

Um ano novo, abençoado e feliz!

 

 

Porto, Igreja Catedral, 1 de janeiro, solenidade Santa Maria, Mãe de Deus, de 2017

António, Bispo do Porto

 

 

 
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