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Homilia na Solenidade do Pentecostes PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

1.Com o Pentecostes tem início a missão da Igreja. Ao longo do tempo pascal procuramos sair ao encontro dos outros, levando nas ânforas da misericórdia, da peregrinação, da vocação, do serviço, do testemunho e da esperança a alegria abundante da Páscoa. Esta alegria da Páscoa que Jesus ressuscitado nos mereceu traduz-se diariamente na «Alegria do Evangelho» que se renova em cada Páscoa e se comunica em cada gesto e anuncia em cada palavra dos cristãos.

Agora, chegados ao Pentecostes, tal como os apóstolos, somos também nós envolvidos pela luz e pelo fogo e «cheios do vinho novo do Espírito» (At 2, 13), vivemos com maior ardor a “doce e reconfortante alegria de evangelizar” (EN 80; EG 9). Sabemos todos que a nossa missão não convencerá ninguém se o nosso coração não se deixar moldar pelo Espírito, que no Pentecostes recebemos, e no nosso rosto não transparecer o brilho da alegria do Ressuscitado.

 

Reunidos num mesmo lugar, os discípulos de Jesus rezavam juntos e aguardavam unidos que se cumprisse a plenitude do mistério pascal. Assim, no Pentecostes através de sinais visíveis que retomam a manifestação de Deus no Sinai e recordam a Sua presença no início da vida humana de Jesus encontramos a revelação do Espírito de Deus que reparte em abundância os Seus dons sobre esta pequenina comunidade nascente dos discípulos unidos e reunidos no Cenáculo juntamente com Maria, Mãe de Jesus.

Acompanhava-os nesse momento a generosidade da resposta dada a Cristo que os chamou. Estava com eles a Palavra recebida de Jesus em três preenchidos anos de convívio e de aprendizagem em torno do Mestre. Alimentava-os o Corpo do Senhor repartido e multiplicado da Última Ceia do Cenáculo, cujo memorial vivo e santo foram chamados desde então a celebrar.

Ao apóstolos sentiam-se portadores da alegria pascal que brotava da manhã segura e certa da Ressurreição de Jesus. Faltava-lhes apenas a experiência de que Jesus não os deixaria órfãos e entregues a si mesmos, às suas angústias e aos seus medos. O Pentecostes vem cumprir e realizar esta promessa para que possa começar a missão. Nunca lhes faltarão, a partir do Pentecostes, os dons do Espírito e a graça da comunhão e da unidade da Igreja, sacramento de salvação para o mundo.

O Pentecostes é também o nosso tempo. Aqui cabe toda a nossa missão. Por inteiro. Sempre. Missão pascal e missão eclesial. Missão nascida do mistério do amor de Deus e missão feita profecia de salvação para o mundo. Em cada tempo e em cada lugar. Assim o ouvimos hoje e aqui no livro dos Atos dos Apóstolos (cf. At 2, 1-11).

Jerusalém para onde a força do Espírito e a urgência da missão abriram de par em par as portas do Cenáculo é também hoje a nossa cidade, com as suas paróquias e escolas visitadas, procuradas e habitadas por gentes que falam todas as línguas, vêm de todas as terras e vestem todas as causas.

2. S. Paulo não estava no Cenáculo naquela hora no dia do Pentecostes. Ainda não fazia parte do grupo dos apóstolos. Vem alguns dias depois. Protagonista de um misterioso encontro com Cristo, no caminho de Damasco, que o derruba das suas certezas, o desarma da sua luta é enviado em missão de paz à cidade para que Ananias, um cristão da comunidade ali já presente, lhe fale de Deus, lhe imponha as mãos e sobre ele invoque o Espírito Santo.

Será S. Paulo, este recém-convertido chamado à missão de apóstolo de Jesus, quem melhor e mais vezes nos vai dizer o mistério do Pentecostes. Ouvimo-lo na segunda leitura lembrar aos Coríntios, a quem anunciou a boa nova de Jesus, que sem o Espírito nem sequer somos capazes de balbuciar com verdade: «Jesus é o Senhor». Lembra-nos de seguida nesse mesmo texto que «há diversidade de dons espirituais mas o Espírito é o mesmo e que… fomos baptizados num só Espírito para constituirmos um só Corpo” (cf. 1 Cor 12, 3 a 13).

3. Neste domingo de Pentecostes e de celebração do Crisma dos alunos de vários Colégios Católicos da Diocese cumpre-nos abrir o nosso coração aos dons do Espírito, para que faça brilhar em cada um de vós crismandos e através de vós em cada uma das paróquias da Igreja do Porto a que pertenceis a alegria do Evangelho e o testemunho da vida cristã consciente e coerente.

A hora do Pentecostes nunca poderá ser a hora do medo, do vazio e do fechamento sobre nós mesmos. A hora do Pentecostes deve ser para nós cristãos e para a Igreja inteira a hora da missão, que quer dizer a hora da esperança e da audácia evangélicas. Isso obriga-nos a renovarmo-nos nas fontes da alegria do Evangelho, a procurarmos diariamente pela oração e pelos sacramentos a graça transformadora do encontro com Cristo, a redescobrirmos o fascínio inspirador do Concílio Vaticano II e do magistério da Igreja e a recebermos a força renovadora que nos vem dos dons do Espírito Santo.

Somos Igreja que está fundada no alicerce sólido da sua pedra angular e aberta a um diálogo franco com o mundo de hoje; uma Igreja que caminha na esperança menos preocupada com a obsessão do número do que com os valores proféticos dos sinais da Páscoa que transporta em si; uma Igreja comprometida e decidida a eliminar a pobreza e a discriminação; uma Igreja peregrina e missionária, uma Igreja de “sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o seu rosto jovem e belo, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor” ( Homilia do Papa Francisco, Fátima, 13.5. 2017).

4. A vós jovens, que ides ser crismados em dia de Pentecostes, lembro-vos que a vossa estação é a primavera, como nos dizia o Papa Francisco, há dias. Para vós começa hoje uma etapa nova de vida e de missão na Igreja e no mundo.

No vosso horizonte próximo está o Sínodo pensado pelo Papa e centrado em vós em torno deste tema: “Os jovens, a fé o discernimento vocacional”. Trata-se de um belo tema, de um urgente programa de reflexão e de uma inovadora visão pastoral. Esta proposta profética do Papa Francisco coloca-vos no lugar que vos pertence na Igreja e no mundo. Temos de olhar esse lugar e essa missão convosco e não apenas para vós.

Só haverá futuro para o mundo e para a Igreja se o construirmos convosco, com o vosso encanto pela vida, com vosso fascínio diante do amanhã da missão que vos espera e com os dons tão abundantes que Deus pelo Seu Espírito coloca hoje no vosso coração e na vossa vida pelo sacramento do Crisma e vos oferece para semeardes com alegria repartirdes com abundância pelo mundo a quem sois chamados a evangelizar.

Sei que muitos de vós se sentem já presentes e ativos na Igreja e estão despertos para este tempo novo de renovação e de missão que sonhamos para a Igreja do Porto. Deixai-vos guiar pelo Espírito de Deus, para que a missão recebida de Jesus, vivo e ressuscitado, se cumpra em cada tempo e lugar. Assim aconteceu com os apóstolos a partir do Pentecostes. Que assim aconteça também convosco e aqui, no Porto, nas vossas famílias, nas vossas escolas e nas vossas paróquias!

Nossa Senhora da Assunção, titular desta Catedral e nossa padroeira, ajuda-nos e ampara-nos neste tempo novo em que a Igreja do porto nos convida à missão: uma missão evangelizadora e profética, comunitária e sinodal, marcada pela alegria, pela comunhão e pela esperança.

Porto, Sé Catedral, 4 de junho de 2017

António, Bispo do Porto

 
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