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Homilia na celebração do Dia da Voz Portucalense PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

 

1.No domingo passado, aqui bem perto, uma multidão de gente participava na inauguração de um belo e pioneiro Centro Pastoral e implorava de Deus a bênção para a primeira pedra da nova igreja, há tantos anos sonhada, de Santo André de Canidelo, a segunda maior paróquia da diocese em população. Hoje estamos de novo em Vila Nova de Gaia para celebrarmos a festa da Família Voz Portucalense e visitarmos o monumento à Imaculada Conceição, erguido no recinto deste santuário diocesano do Monte da Virgem, por ocasião do centenário da definição do dogma da conceição imaculada da Virgem Santa Maria.

 

Conduziu-nos neste peregrinar ao santuário da Mãe o lema pastoral deste abençoado tempo quaresmal e pascal: «A caminho, com Maria, pelas fontes da alegria!» Quisemos caminhar com Maria, a Senhora de Caná, Senhora da Páscoa e do Pentecostes para que, com a sua ajuda e exemplo, saibamos fazer da missão uma fonte de alegria. Compreendemos, por isso, que tenha renovado encanto e acrescido valor subirmos esta bela colina do Monte da Virgem para celebrarmos a solenidade do Pentecostes e nos renovarmos nas fontes da alegria. Está connosco, como outrora no Cenáculo em dia de Pentecostes, a Mãe de Jesus. Também aqui descobrimos que os caminhos de evangelização e de missão são caminhos percorridos pela Mãe de Jesus, mestra e modelo de todos os cristãos.

2. Traz-nos aqui nesta tarde a vontade de reunir à volta do altar da Eucaristia a Família da «Voz Portucalense (VP)». Saúdo o seu dedicado Diretor, Padre Dr. Manuel Correia Fernandes e os restantes responsáveis da Fundação que orienta, administra e serve o Jornal, a Livraria e a Editorial. Saúdo com igual dedicação todos os jornalistas, colaboradores, correspondentes, divulgadores e leitores da Voz Portucalense.

A Voz Portucalense junta a esta celebração a evocação, a exemplo dos anos anteriores, da memória de D. António José de Sousa Barroso, que foi Bispo do Porto desde 1899 a 2018. Agora, que nos aproximamos da celebração do centenário da sua morte, ocorrida a 31 de agosto de 1918, queremos intensificar a nossa proximidade com a sua vida, com o seu ministério e com o seu testemunho de santidade.

Em 21 de fevereiro de 1899, o senhor D. António Barroso foi transferido da longínqua Igreja de Meliapor, no Oriente, para a sede do Porto. Aqui deu início, de imediato, a exemplo do que sempre fizera nas anteriores dioceses que servira, à sua ação pastoral, percorrendo toda a diocese em visitas pastorais, cujos relatos da época nos revelam um inesgotável dinamismo evangelizador e missionário.

Sabemos quanto lhe deve a Igreja como formador dos Seminários das Missões Ultramarinas em Portugal, missionário em Angola, prelado em Moçambique e bispo em Meliapor. Sabemos quanto lhe deve esta amada Igreja do Porto que ele serviu com um exemplar testemunho de bondade, de coragem evangélica e de zelo missionário.

Devemos-lhe, igualmente, muitas intuições pastorais que hoje nos inspiram no caminho sinodal que percorremos. Não basta contemplarmos diariamente o belo cálice que o Clero de Meliapor, que ele serviu como Pastor, em breve tempo que foi de 1896 a 1899, lhe veio oferecer ao Porto, dez anos depois, «como prova da sua eterna gratidão e filial affecto» ou usar em cada celebração da Catedral o báculo de Pastor que o Clero do Porto lhe entregou no dia 4 de abril de 1914, a quando da sua entrada solene na Sé, no regresso do doloroso e incompreensível exílio a que os tempos conturbados e as decisões prepotentes da primeira República o obrigaram!

É necessário fazer memória viva da sua vida e do seu ministério para que estes sejam escola onde aprendemos o paradigma da nossa missão! O processo de canonização de D. António Barroso está em curso, em Roma, depois de concluído o processo diocesano, no Porto. Intensifiquemos a nossa oração para que sejam reconhecidas as suas virtudes e para que seja afirmada pela Igreja a sua santidade como modelo de vida, de ministério e de missão para todos nós.

3. A Igreja é chamada e convocada pelo Papa Francisco a olhar hoje com renovada alegria e acrescentada coragem para a missão do anúncio do Evangelho A hora do Pentecostes será sempre para a Igreja a hora da missão, a sua hora.

A Voz Portucalense nasceu para concretizar, semana a semana, este sonho e para nos ajudar nesta missão. Em janeiro de 1970, a Voz Portucalense irrompeu da vontade esclarecida de D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, em ordem a renovar o Jornal diocesano, «Voz do Pastor», fundado em 1921 por D. António Barbosa Leão, Bispo do Porto.

São de D. António Ferreira Gomes os princípios fundadores e as orientações programáticas, que desde início nos norteiam e inspiram: “Somos uma instituição: respondemos pelo nosso passado e assumimos a nossa herança. Mas o nosso domínio, como a nossa tarefa é o futuro. Queremos ser a voz autêntica da Igreja Portucalense, a voz da Igreja pós-conciliar, uma Igreja sacramento do diálogo com o Mundo. Queremos ser tudo isto e só isto: a voz da Igreja do Porto, da sua tradição e do seu futuro(…) Seremos pois a Voz Portucalense”.

A Voz Portucalense aparece, assim, no contexto eclesial, social, cultural e político da época como uma bênção para a comunicação social cristã e afirmou-se ao longe e ao perto como ousadia pioneira e voz profética da Igreja do Porto. Ao novo Jornal, D. António Ferreira Gomes impõe que mude de nome e pede-lhe que seja a voz da Igreja pós-conciliar, uma Igreja de diálogo com o mundo, de fidelidade à verdade e de respeito pelo caminho de cada pessoa, família e comunidade.

4. Saibamos, agora, quase 50 anos depois, continuar e renovar esse mandato abrindo-nos ao futuro, dando a conhecer a vida e a ação da Igreja do Porto e prosseguindo caminhos ao serviço da renovação pastoral da nossa diocese e da evangelização no nosso tempo.

É do Papa Francisco o desafio ainda recente expresso na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais para que façamos por palavras e por gestos da comunicação social e dos seus meios uma escola de anúncio das boas notícias de Deus.

Entre estas boas notícias trago-vos hoje um gesto do Papa Francisco que as televisões não mostraram, os jornais não disseram e as imagens não revelaram mas que ouso, com simplicidade e emoção, colocar no coração de todos:

O sacerdote mais idoso de Portugal é o Padre Joaquim Pereira da Cunha, membro do presbitério do Porto. Nasceu a 8 de julho de 1912, em Mesquinhata, Baião. Foi ordenado presbítero no dia 8 de agosto de 1937, na Sé Catedral do Porto, perfazem-se este ano oitenta anos. Foi pároco de Tabuado e de Rio de Galinhas, na vigararia do Marco de Canaveses. Deixou em 2010, aos 97 anos de idade e 73 de pároco, o trabalho pastoral para se acolher na Casa Sacerdotal, no Porto, onde vive com impressionante lucidez, concelebrando diariamente a Eucaristia e convivendo com os restantes sacerdotes ali residentes.

O Padre Joaquim Cunha manifestou-me várias vezes o desejo de ir a Fátima no centenário das Aparições e saudar pessoalmente o Papa Francisco. Fiz as diligências necessárias para cumprir este seu sonho, na certeza de que seria grande a sua alegria e convicto de que seria igual também a alegria do Papa Francisco ao saudar este sacerdote. A resposta de Roma chegou uma semana antes, indicando que no dia 13, às 9,40 da manhã, o Papa Francisco receberia o Padre Joaquim Cunha, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário.

O Padre Nuno Antunes, Diretor Adjunto da Casa Sacerdotal, e o senhor Artur, que diariamente aí trabalha e cuida dos sacerdotes mais doentes acompanharam o Padre Cunha. Partiram dia 12, ainda cedo. Viveram juntos intensos dias de expectativa, emoção e oração. E no dia 13, à hora indicada, o Padre Joaquim Cunha encontrou-se com o Papa Francisco. O Papa Francisco saudou-o e ofereceu-lhe um terço e uma medalha comemorativa do centenário de Fátima. Depois beijou-lhe as mãos e disse-lhe: “Reze por mim, reze por mim”. De seguida voltou-se para o senhor Artur e pediu-lhe: “Cuide sempre deste Padre.”

Este tempo do Papa Francisco dispensado ao Padre Joaquim Cunha é uma abençoada homenagem aos sacerdotes que dão a vida por inteiro ao serviço da Igreja. Este gesto de atenção e carinho do Papa Francisco ao Padre Joaquim Cunha e a quem diariamente dele cuida, fruto de uma espontaneidade comovente e de uma grandiosidade impressionante, é a melhor e mais bela homenagem àqueles que cuidam de nós e permanentemente respaldam com a oração e com o trabalho, tantas vezes discreto e ignorado, o nosso ministério e alavancam a nossa missão. Obrigado, Papa Francisco!

5. Que a Voz Portucalense e todos os outros meios de comunicação social saibam e possam sempre dar visibilidade ao bem, conscientes de que gestos como estes renovam a Igreja e quando conhecidos tornam mais belo o mundo que habitamos.

Porto, Santuário diocesano do Monte da Virgem, 4 de junho de 2017

António, Bispo do Porto

 
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D. António Francisco dos Santos fala sobre o padre Joaquim Cunha, sacerdote mais idoso de Portugal

Decreto Sobre as Virtudes do Servo de Deus ANTÓNIO JOSÉ DE SOUSA BARROSO Bispo do Porto e Missionário
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