Faixa publicitária
Homilia no Domingo da Santíssima Trindade PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

1.Contrastando com os tempos fortes do ano litúrgico que precedem ou prolongam as grandes festas do Natal, da Páscoa e do Pentecostes, o Tempo Comum, que agora retomamos, reúne-nos em cada domingo do ano à volta desta realidade central: Este é o Dia do Senhor. O domingo é o dia, por excelência, em que nós cristãos nos congregamos para escutar a Palavra de Deus e celebrar o memorial vivo da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

O Pentecostes é seguido, no decurso do tempo litúrgico, pelas festas da Santíssima Trindade, do Santíssimo Sacramento e do Sagrado Coração de Jesus. Depois sucedem-se os vários domingos do Tempo Comum até à solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo, no termo do ano litúrgico.

 

Venho celebrar convosco, irmãos e irmãs, o domingo da Santíssima Trindade, nesta igreja que Lhe é dedicada. A nossa cidade e para lá da cidade e, a partir dela, toda a diocese sabem quanto à Ordem da Trindade e à ação pastoral realizada nesta igreja todos devemos.

Quero saudar o Reitor desta igreja, Cónego José Maria Gonçalves Fabião. Saúdo o senhor D. Manuel Martins, irmão no ministério e bênção, conselheiro e exemplo na missão, que aqui celebra todas as semanas, desde que é bispo emérito. Estendo esta saudação aos sacerdotes que aqui vivem e àqueles que aqui trabalham e colaboram com o Reitor. Lembro com particular afeto o Padre Edgar Afonseca, que está doente e hospitalizado. Recordo na memória, na oração e na gratidão Monsenhor Ângelo Alves, que partiu ao encontro de Deus, depois de um longo e abençoado ministério ao serviço da Igreja do Porto. Esta é a primeira festa vivida sem a sua presença física.

Na pessoa do senhor Provedor saúdo todos os Mesários, irmãos, irmãs, colaboradores e trabalhadores da Celestial Ordem Terceira da Santíssima Trindade. Dou graças a Deus pelo bem que todos aqui realizam.

2. Diante do mistério da Santíssima Trindade, a razão humana fica sempre no limiar do mistério. Só Jesus nos pode fazer mergulhar no coração de Deus, uno e trino, conduzir às fontes da Sua graça e ajudar a perceber o dom do Seu amor incondicional por cada um de nós. Ao professarmos a nossa fé em Deus, um só Deus, «não na unidade de uma só pessoa mas na trindade de uma só natureza» (Prefácio da Eucaristia), estamos a afirmar que na nossa vida tudo começa em Deus, tudo em Deus existe e encontra sentido e tudo para Deus se orienta e caminha.

As manifestações sucessivas do amor divino pelo Seu povo, o povo de Israel, como nos lembrava a primeira leitura, foram ao longo da história bíblica simples abordagens de Deus, da Sua divindade, da Sua omnipotência e narrativas dos múltiplos gestos do Seu amor infinito, fiel e paciente pela humanidade.

Muitos foram os patriarcas e profetas que no decorrer dos séculos e nas vicissitudes da história nos falaram de Deus, mas só Jesus Cristo, o Verbo eterno do Pai, no-LO deu a conhecer. Só Jesus, o Crucificado, nos revelou quem é Deus. Só Cristo, o Filho único, podia ensinar-nos que Deus é Pai. Mas o Seu Pai é também o nosso Pai, como Jesus nos ensinou a rezar. O Espírito que habita em nós inspira no mais íntimo de nós mesmos esta certeza e ajuda-nos a balbuciar diariamente esta mesma oração, ao dar-nos força, conselho e voz para dizermos: Abba, ó Pai!

A Igreja é chamada a acolher na sua vida e a testemunhar na sua missão este amor de Deus. “Na Trindade, diz-nos o Papa Francisco, reconhecemos também o modelo da Igreja, à qual fomos chamados para nos amarmos como Jesus nos amou. O amor é o sinal concreto que manifesta a fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Ele é o distintivo do cristão, como Jesus nos disse: «É por isto que todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35). É uma contradição pensar em cristãos que se odeiam. É uma contradição!” ( Papa Francisco, Angelus, 16.06.2014).

3. O Evangelho, que acabamos de ouvir, diz-nos que Jesus atendeu Nicodemos ao cair da noite e abriu horizontes novos ao círculo fechado das suas dúvidas e perplexidades. Nicodemos era um homem culto e influente, símbolo dos homens e mulheres de todos os tempos e culturas que sabem passar da procura tímida ao encontro decisivo, da dúvida ponderada às certezas assumidas, do nascer do ventre materno à vida nova renascida no Espírito.

É este mesmo homem, Nicodemos, convertido e transformado por este encontro com Jesus, que vamos encontrar mais tarde a afirmar-se amigo de Jesus, a defendê-lo diante do Sinédrio e a intervir com José de Arimateia para que Jesus, apesar de condenado, marginalizado e proscrito, tenha sepultura digna.

Esta experiência de Nicodemos fala-nos hoje da atitude de peregrinação interior de tantas pessoas que procuram Deus e diz-nos que não podemos desfigurar Deus se queremos que acreditem n’Ele aqueles que cruzam connosco o seu caminho de procura em busca da fé. Uma das melhores formas de afirmar Deus no mistério da Sua divindade e trindade é sermos portadores deste amor imenso e infinito de Deus que se revela no nosso amor aos irmãos, sobretudo aos pobres e aos que sofrem. Este amor preferencial pelos pobres é uma das mais necessárias epifanias de Deus e das mais urgentes missões da Igreja.

4. Perdemos tanto, quando nos distanciamos dos que não acreditam; quando não acolhemos os que procuram Deus; quando não acompanhamos os que O pensam ausente ou o imaginam distante das suas vidas; quando nos esquecemos de O ver no rosto ensanguentado de tantos irmãos e irmãs que sofrem; quando não nos apercebemos do heroísmo de todos os que espelham, sobretudo de forma discreta e silenciosa, este amor na família, na escola, no trabalho, no convívio e em tantas formas de serviço à comunidade.

Faço minha a procura de Nicodemos. É a procura de tantos que me falam da sua descrença, que me dizem a sua nostalgia de Deus, que me interpelam quando afirmam desconhecer Deus, que me merecem respeito quando se pensam abandonados por Deus nas horas de dor ou se decidem a prescindir de Deus para se centrarem exclusivamente no serviço do humano.

Ouço tantas pessoas falar de um Deus desconhecido. E encontro-os tão próximos deste mesmo Deus, em Quem creio e espero, a Quem adoro e amo, como rezavam os pequeninos pastorinhos de Fátima. Este Deus é o mesmo Deus que os ama por igual. Sem a ninguém esquecer, ignorar, discriminar ou excluir.

A Igreja, que somos cada um de nós, tem de tratar melhor os novos convertidos e tem de estar de portas mais abertas para todos quantos procuram Deus de coração sincero.

É essa, também, uma das missões do Centro Catecumenal das vigararias da cidade, que está sedeado nesta igreja e confiado ao seu Reitor, a quem agradeço mais este acrescido trabalho. São cada vez mais na nossa diocese os jovens e adultos que procuram o baptismo e são tantos aqueles que esperam da Igreja ofertas de formação catecumenal que nos preparem cristãmente para responder às exigências do nosso tempo e aos desafios da nossa cultura.

5. Celebremos com fé a Santíssima Trindade. Anunciemos a alegria do Evangelho de Jesus que nos revelou o Pai e nos enviou o Espírito. Façamos nossos os sentimentos de S. Paulo, na segunda leitura:

“Sede alegres, trabalhai pela vossa perfeição, animai-vos uns aos outros, tende os mesmos sentimentos, vivei em paz. E o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito santo estejam convosco”. (2 Cor 13, 11-13).

Igreja da Santíssima Trindade, 11 de junho de 2017

António, Bispo do Porto

 
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Faixa publicitária
Quer receber as nossas novidades no seu e-mail? Subscreva a nossa Newsletter especificando o seu endereço de e-mail:

D. António Francisco dos Santos fala sobre o padre Joaquim Cunha, sacerdote mais idoso de Portugal

Decreto Sobre as Virtudes do Servo de Deus ANTÓNIO JOSÉ DE SOUSA BARROSO Bispo do Porto e Missionário
2017-07-25 11:34:15
Texto
2017-07-20 17:35:49
Word
2017-07-20 17:35:10
Powerpoint + PDF
2017-07-11 14:08:03
Faixa publicitária
Faixa publicitária


© Diocese do Porto, Todos os Direitos Reservados.