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Homilia na peregrinação nacional da Sociedade Missionária da Boa Nova ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

1. Há um mês, o Papa Francisco rezava neste santuário e celebrava a Eucaristia neste mesmo altar. Dizia-nos uma palavra serena, simples e bela, quase óbvia, tantas vezes aqui dita mas a partir de agora redita para sempre: «Temos Mãe, Temos Mãe!».

O Papa Francisco convidou-nos, neste lugar, a sermos no mundo, sob a protecção de Maria, «sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e a descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor» (Papa Francisco, Fátima, Homilia 13.5.2017) .

Passados um mês e poucos dias, vimos de novo aqui como peregrinos junto da Mãe de Deus e Mãe da Igreja, Senhora da alegria, da esperança e da paz.

 

2. Acompanhamos hoje, com renovada alegria, nesta 51.ª Peregrinação da Sociedade Missionária da Boa Nova sob o lema: «Com Maria, missionários da Alegria», os sacerdotes e os irmãos, as religiosas e os leigos ligados ao carisma missionário da Boa Nova. Une-se a nós, em oração e em comunhão, toda a Família missionária da Boa Nova presente em Angola, Moçambique, Brasil, Japão e noutros lugares do mundo. Recordamos os missionários que já partiram ao encontro de Deus e evocamos as suas vidas dadas por inteiro ao serviço da missão, plenas de mérito, de alegria, de suor, de sangue, de projectos cumpridos e de sonhos realizados. Todos nós somos um pouco do que eles nos ajudaram a ser.

Acompanhamos, igualmente, com a mesma alegria, nesta Peregrinação Jubilar das Pessoas com Deficiência, tantos irmãos e irmãs nossos, portadores de deficiência, e seus familiares e cuidadores. Todos nós temos tanto a aprender deles e com eles no respeito pelo valor sagrado da vida e pela grandeza da inesgotável dedicação daqueles que deles cuidam.

Esta é, por isso, uma hora de gratidão ao Senhor e um tempo de bênção para reavivar o ardor, o zelo e o entusiasmo pela missão ao serviço do anúncio da alegria do Evangelho. Este é o lugar certo para olharmos, a partir daqui, o futuro com confiança e abrirmos horizontes novos de missão às nossas «Igrejas locais, sujeito primeiro da missão», para que se decidam a evangelizar e a cuidar sobretudo dos pobres e dos que sofrem, que é uma das formas mais sublimes de evangelização.

3. Vós, missionários da Boa Nova, conheceis e amais a Igreja, que é mãe. A vossa vocação foi tantas vezes gerada no berço das vossas mães e no coração desta mãe, que é a Igreja. Alguns de vós foram ordenados neste Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Aqui viestes ajoelhar, tantos de vós, antes de partirdes para a missão. Aqui continuais a alimentar a generosidade, a disponibilidade, o despojamento e a obediência que os novos e criativos desafios de missão de todos nós exigem.

Sede, caríssimos missionários e missionárias, como escrevia Santo Atanásio, cristãos que se “agarram à Igreja como uma árvore se agarra ao chão”. Dizei, como Orígenes, que "a Igreja vos arrebatou o coração. Ela é a minha pátria espiritual, a minha mãe e os meus irmãos".

Sabeis que nascestes como fruto abençoado da oração, do sonho e do trabalho desta Igreja presente em Portugal, que vos preparou e formou para a missão. Tivestes antes de vós numerosos e santos exemplos de vida missionária como foi, entre tantos outros, D. António Barroso, que ontem viu reconhecidas pelo Papa Francisco as suas «virtudes heróicas» de venerável bispo missionário com o coração moldado pelo mesmo carisma, que é o vosso.

A missão de mensageiros da Boa Nova, a que Deus vos chama, não deixa que o medo e a angústia sejam vossos companheiros de viagem. Os trabalhadores da seara, de que nos fala o Evangelho de hoje, não nascem do medo. Nascem da confiança e da oração: “A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara (cf. Mt, 9, 36 – 10, 8).

A missão não é um título de glória, diz-nos S. Paulo (cf. Rom 5, 6-11). A vossa glória está na cruz de Cristo, que o missionário leva na sua mão como bússola a indicar o caminho e a conduzir os seus passos. Igualmente para os familiares e cuidadores das pessoas com deficiência só a cruz de Cristo é capaz de iluminar o olhar sereno e confiante de quem se entrega nas mãos de Deus, como Jesus fez, para com Ele aprender os gestos de amor e os abraços de ternura de pais e de mães de todas as horas e de profissionais e voluntários tão dedicados e generosos.

Nesta hora, em que um pouco por todo o País, começa o tempo de novas ordenações, rezemos com confiança para que Deus faça surgir vocações para a missão, para a consagração e para o ministério ordenado e agradeçamos os sacerdotes, consagrados (as) e missionários (as) que Deus dá à Sua Igreja.

4. Façamos nossa, igualmente, a bela oração com que se conclui a Carta pastoral dos Bispos Portugueses: «Como eu vos fiz, fazei vós também - Para um rosto missionário da Igreja em Portugal», de 17 de junho de 2010:

Senhora da Anunciação,

que corres ligeira sobre os montes

Vela por nós,

Fica à nossa beira.

É bom ter a esperança por companheira.

Contigo rezamos ao Senhor:

Dá-nos Senhor,

Um coração sensível e fraterno,

Capaz de escutar

E de recomeçar.

Mantém-nos reunidos, Senhor,

À volta do pão e da palavra.

Ajuda-nos a discernir

Os rumos a seguir

Nos caminhos sinuosos deste tempo,

Por Ti semeado e por Ti redimido.

Ensina-nos a tornar a tua Igreja toda missionária,

E a fazer de cada paróquia,

Que é Igreja a residir no meio das casas dos teus filhos e filhas,

Uma casa grande, aberta e feliz,

Átrio de fraternidade,

De onde se possa sempre ver o céu,

E o céu nos possa ver sempre a nós.

5. Irmãos e irmãs:

Este «céu» de azul e de sol, que nesta manhã nos cobre e nos abraça e que ontem a luz das nossas velas acesas iluminava na vigília da noite, toldou-se de dor e de lágrimas que um trágico incêndio provocou.

E esta «casa grande, aberta e feliz, átrio da fraternidade», que é Portugal, foi tocada pelo drama da morte de tantos irmãos nossos e pela destruição dos seus bens, em Pedrógão Grande.

Não basta o Papa Francisco escrever uma corajosa e profética encíclica  - Laudato Si – nem tão pouco nós, bispos portugueses, vos termos enviado recentemente uma oportuna Carta Pastoral sobre o cuidado da casa comum e a prevenção dos incêndios! É necessário que os governantes dos países maiores ou mais pequenos e todos os que têm responsabilidade de decidir e possuem missão de educar respeitem a vida, as pessoas, a natureza, o clima e os bens desta casa comum de todos nós. É necessário que na família, na escola e na comunidade façamos da educação para os valores do respeito por nós e pelos outros um dever maior e primeiro. È necessário que façamos do cuidado fraterno dos outros a nossa permanente missão.

Convido-vos a colocarmos no coração de Deus, por intermédio da Mãe de Jesus e de Santa Jacinta e S. Francisco Marto, os pequeninos pastores desta serra, as dores e as lágrimas destes irmãos de Pedrógão Grande.

Agradeçamos, como quem reza e beija as suas mãos cansadas, a todos aqueles, que juntam às lágrimas que choraram ontem e hoje e que vão chorar ao longo de toda a vida, o suor da sua oblação, a coragem da sua entrega, a dedicação heróica ao serviço dos outros: nos bombeiros, na protecção civil, nas autoridades locais, nos voluntários anónimos, sempre atentos e tantas vezes desesperados, que velam e defendem a vida e os bens dos outros, a vida e os bens daqueles que são os mais pobres e esquecidos no interior desertificado do nosso país.

Sintamo-nos unidos na mesma fé, na partilha da dor com quem sofre e na comunhão solidária para ajudar quem precisa e para que se nos apresse o passo da missão ao serviço da renovação da Igreja, do serviço a Portugal e da construção de um mundo melhor.


Santuário de Fátima, 18 de junho de 2017

António, Bispo do Porto

 
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