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Peregrinação da Família Comboniana ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

1.Passados dois meses da presença do Papa Francisco aqui em Fátima, no centenário das Aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco, também nós aqui vimos com os mesmos sentimentos. Somos como o Papa Francisco quis ser: peregrinos na esperança e na paz.

Guia-nos nesta peregrinação da Família Comboniana a Fátima o lema: «Com Maria, missionários de Jesus».

Trazemos connosco o carisma da família missionária comboniana presente e visível na vida, no coração e na missão dos sacerdotes, irmãos, irmãs, leigas consagradas, colaboradoras e colaboradores combonianos de Portugal e do mundo.

 

Esta é, por isso, uma hora de gratidão ao Senhor pelos 150 anos da fundação do Instituto Missionário dos Sacerdotes de Coração de Jesus e pelos 70 anos da sua presença em Portugal. Este é o tempo sonhado por Deus e inspirado nas palavras e nos gestos do Papa Francisco para reavivarmos o ardor, o zelo e o entusiasmo pela missão ao serviço do anúncio corajoso da Alegria do Evangelho. Este é o momento abençoado para olharmos com confiança o futuro do carisma comboniano, a partir daqui, abrindo horizontes novos à missão.

Encontramos em S. Daniel Comboni, vosso fundador e pai, e em tantos outros membros desta grande família comboniana, exemplos vivos deste zelo pela missão. O belo testemunho de vida e de santidade que S. Daniel Comboni nos deixou foi, ao longo destes 150 anos, abundantemente fecundo e necessariamente duradouro. Passou para os seus sucessores e para os seus discípulos com o espírito genuíno do Evangelho que lhe vem da origem. Durante este tempo foram muitos os missionários combonianos nos cinco continentes. E muitos deles, nos últimos setenta anos, em Portugal e a partir de Portugal!

2.A Palavra de Deus, agora proclamada, convida-nos a “levantarmo-nos, a percorrermos a cidade e a dar voltas por outras cidades “anunciando tantos sinais de júbilo que Deus oferece ao seu Povo (cf. Cant 3, 1-4). A alegria jubilosa deste texto do Cântico dos Cânticos consiste na alegria fundada em Deus. Um Deus que nos oferece uma cidade nova e anuncia um tempo de gente feliz. Este Deus é como um pai que dá vida abundante ao seu Povo; é como uma mãe que consola, afaga e acaricia os seus filhos.

A missão e o envio estão presentes igualmente no texto do Evangelho, através do diálogo de Jesus, naquela primeira manhã de Páscoa, com Maria Madalena, cuja festa litúrgica celebramos hoje (cf. Jo 20, 1-11).

É esta a missão a que Deus vos chama, irmãos e irmãs. Não como um título de glória. A vossa glória está na cruz de Cristo, vivo e ressuscitado, que o missionário comboniano leva nas suas mãos como seta a indicar o seu caminho e bússola a guiar os seus passos.

É urgente encontrar mensageiros e trabalhadores que se disponibilizem para serem enviados. Que deixem nas sendas e trilhos da missão as marcas vivas de gestos de amor, de doação e de partilha aprendidos no Evangelho e presentes nos sinais redentores da cruz de Cristo. É Jesus vivo e ressuscitado, que Maria Madalena encontrou junto do túmulo vazio, que vos dá força para lutar pela paz, pela justiça e pela verdade, enquanto valores aprendidos no Evangelho e sempre presentes na missão da Igreja.

No campo da missão há trabalho para todos. Destinado a todos. O apelo ao dom da vida deve acompanhar também hoje a ousadia profética do anúncio do Evangelho na África, como quis S. Daniel Comboni, e daí, do continente africano, bem mais do que da Europa, irradiar para todo o mundo.

3.Queremos prestar homenagem nesta peregrinação a todos quantos de forma tão bela e em vidas muitas vezes heróicas, até ao martírio, iluminaram e iluminam o mundo com o fulgor missionário. Os espaços de missão são hoje novos e diferentes. A separação geográfica entre continentes de vocação comboniana e continentes cristãos, onde a vossa presença não seria necessária, não tem mais sentido. Urge, isso sim, uma vivência da fé sem fronteiras numa nova interculturalidade missionária, onde todos somos chamados a viver e a transmitir, com ardor sempre original, os dinamismos que a alegria do encontro com o Ressuscitado em nós desperta.

Olhemos neste momento e neste horizonte concreto da história as dimensões novas da missão, sem medos, sem calculismos nem fronteiras. Rezemos igualmente ao Senhor da messe, nesta hora em que um pouco por todo o País é tempo abençoado de novas ordenações sacerdotais, para que faça surgir novas vocações para a missão, para a consagração e para o ministério ordenado.

Encontramos em Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, a sabedoria maternal e a profecia evangelizadora que moldam em nós um coração que vê mais longe e sonha caminhos novos para o anúncio e para o testemunho da Boa Nova do Reino.

A mensagem de Fátima é, acima de tudo, um apelo muito forte à conversão do coração e a um estilo de vida segundo os valores do Evangelho. Em Fátima, os escolhidos não são as pessoas importantes, os poderosos, os intelectuais. São os pastorinhos, os pequenos, os pobres. Em Belém aconteceu o mesmo! Quando Jesus nasceu, os poderosos ficaram agitados. “O rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele.” (Mt. 2,3). Mas “os pastores disseram uns aos outros: ‘Vamos então até Belém e vejamos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer”. E foram apressadamente... Viram Jesus. Adoraram-n’O. E partiram a anunciar o Seu nascimento (cf. Lc. 2, 15-18).

Os pequenos são, hoje, os pobres de todo o mundo, os explorados, os abandonados, os velhinhos, os sem-abrigo, os refugiados, as vítimas da guerra, que batem às portas da nossa Europa, à espera de serem acolhidos. Mas encontram muros pela frente. Não podemos ficar indiferentes perante toda esta multidão de gente condenada a uma vida sem dignidade. Nunca esqueçais que “o missionário é o irmão universal de todos”, dizia S. João Paulo .

4. Foi em 1947 que os primeiros missionários combonianos, vindos da Itália, chegaram a Portugal, em Viseu. Foram recebidos de braços abertos pelo então bispo daquela diocese, D. José da Cruz Moreira Pinto, e marcaram profundamente as terras da Beira e do Douro, através do seu espírito missionário e do seu estilo de vida simples e feliz. Mais tarde, outras comunidades surgiram noutras partes de Portugal: em Famalicão, na Maia, em Aveiro, Coimbra, Santarém e Lisboa. E a semente produziu bons frutos. Damos graças a Deus pelos missionários, missionárias e leigos portugueses que ao longo destes anos seguiram os passos de S. Daniel Comboni. Damos graças também pelos muitos amigos e colaboradores da Família Comboniana que com a sua oração, apoio e amizade, participam, desde essa hora, activamente na tarefa da evangelização.

Como membros da Família Comboniana sede sinais de esperança e de solidariedade no mundo de hoje e continuai a trabalhar com entusiasmo para manter viva a chama missionária na Igreja em Portugal.

Com a vossa ajuda e com o vosso exemplo, sejamos todos, como nos pediu o Papa Francisco, aqui em Fátima: “sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor (cf. Papa Francisco, Homilia, Fátima, 13.5.2017)”.

5. Envio-vos em missão para novos desafios e ampliados caminhos. Parti com a certeza da bênção da Mãe de Deus e Mãe da Igreja, Senhora de Fátima, a Senhora mais brilhante que o sol que ilumina todas as manhãs da missão. Senti a protecção dos santos pastorinhos Francisco e Jacinta, que se ofereceram a Deus para que a mensagem aqui recebida actualize o Evangelho no nosso tempo e em todo o mundo. Também eles com o seu belo testemunho de santidade nos ensinam a ser: “Com Maria, missionários de Jesus”.

Santuário de Fátima, Basílica da Santíssima Trindade, 22 de julho de 2017

António, Bispo do Porto

 
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