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Homilia da Vigília da Festa do Senhor Bom Jesus Milagroso – Açores PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

1.Vivemos neste Santuário de S. Mateus do Pico, ao longo de nove dias, ao ritmo das palavras de Nossa Senhora nas Bodas de Caná: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Fizemos assim, retomando uma antiquíssima tradição, um belo exercício espiritual de preparação da festa do Senhor Bom Jesus Milagroso.

Fomos convidados logo no primeiro dia deste novenário a fazermos da nossa vida «um reino de misericórdia e de bondade». É este um renovado desafio que hoje quero retomar, respaldado no lema escolhido para este novenário.

Saúdo o senhor D. João Lavrador. Bispo de Angra, irmão dedicado e servidor generoso desta Igreja dos Açores, como o fora já anteriormente da Igreja de Coimbra e da Igreja do Porto. Saúdo o Padre Marco Paulo de Matos Martinho, Pároco desta Vila de S. Mateus, Ouvidor da Ouvidoria de Madalena do Pico e Reitor deste Santuário do Senhor Bom Jesus. Agradeço a um e outro a amabilidade insistente do seu convite e o testemunho fraterno da sua amizade.

 

2. Para construirmos «um reino de misericórdia e de bondade», devemos reconduzir-nos às parábolas do Evangelho e ao belo sermão das bem-aventuranças. Fiz sempre desta síntese do Evangelho – as bem-aventuranças – o paradigma inspirador do meu ministério presbiteral e episcopal e o texto programático da minha missão pastoral.

Jesus subiu à montanha, reuniu discípulos e multidão e proclamou oito bem-aventuranças, como nos narrava o Evangelho que acabámos de escutar. Jesus disse-nos quem são os bem-aventurados deste «reino de misericórdia e de bondade», disponíveis e prontos para realizarem o sonho de Deus a favor do Seu povo.

As bem-aventuranças não são um anúncio distante relegado para a eternidade. Não é de escatologia que se trata mas sim de eclesiologia e de antropologia assentes nos critérios evangélicos que nos dizem que a Jerusalém celeste se prepara já nesta terra e se antecipa sempre que trabalhamos para construir, aqui e agora, um reino de gente feliz.

Retomemos aqui esses critérios e desenhemos em nós, discípulos de Jesus, em traços aprendidos nas bem -aventuranças as linhas do rosto do Senhor Bom Jesus Milagroso.

Felizes os pobres em espírito, que têm o coração livre, cheio de prontidão para repartir, para multiplicar e para dar.

Felizes os que choram com quem chora e acolhem na concha do coração os sofrimentos, as lágrimas e as dores dos irmãos.

Felizes os mansos que trabalham em si a humanidade para que ela seja chão semeado de afeto, de concórdia e de paz, sem o joio da ira, da arrogância ou da violência.

Felizes os que têm fome e sede de justiça que, antes de pensarem em si, buscam e repartem o pão necessário que falta na mesa dos famintos, caminham ao lado dos abandonados, visitam os reclusos, amparam os marginalizados e fazem seu o clamor dos injustiçados, com a ousadia dos verdadeiros profetas do nosso tempo.

Felizes os misericordiosos que tocam de perto a bondade e a misericórdia de Deus multiplicadas e traduzidas em gestos humanos de compaixão e de perdão, que evangelizam, renovam a Igreja e transformam o Mundo.

Felizes os puros de coração que têm limpos os olhos do coração e livres os escaninhos da alma. Só eles nos fazem ver a imagem de Deus e o rosto do Senhor Bom Jesus, esculpidos no rosto desfigurado dos irmãos doentes, dos sem abrigo, dos refugiados, dos idosos e das pessoas sós.

Felizes os pacíficos que constroem pontes humanas, unem corações desavindos, reúnem famílias separadas, aproximam pessoas distantes com as mãos pacientes dos cuidadores dos frágeis.

Felizes os que sofrem perseguição por amor da justiça e não se deixam corromper por nenhuma promessa vã ou ilusão ilícita nem se compram nem vendem por interesses mesquinhos, mesmo quando isso se paga com a vida dada até ao martírio por amor do Reino.

3. Regressemos depois desta enumeração das oito bem-aventuranças ao lema deste ano pastoral na Igreja dos Açores, vivido em sintonia com o centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima: “Fazei o que Ele vos disser”( Jo 2, 5)!

Foi este o conselho imperativo que os empregados das Bodas de Caná receberam de Maria, Mãe de Jesus. Eles cumpriram. Encheram as talhas de água, como Jesus lhes indicara. E o milagre aconteceu!

Mais tarde, também os discípulos, de coração trabalhado na escola do Mestre, o pedagogo das bem-aventuranças, assim fizeram. E procuraram também eles ser pobres, simples, puros de coração, mansos, pacíficos, justos e misericordiosos.

Através destes primeiros discípulos a Boa Nova de Jesus tornou-se fecunda como semente lançada à terra a anunciar colheitas abundantes.

Depois deles, desde o início da Igreja nascente, não faltaram sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos em cuja vida se espelhou o rosto de misericórdia de Deus e palpitou o coração de Jesus, o Bom Pastor. A Igreja percorreu assim todos os séculos fazendo o bem e construindo «um reino de bondade e de misericórdia».

Assim surgiram os santos e assim se abriram caminhos de bem-aventurança nas mais diversificadas frentes de missão. Desta missão que chegou genuína e santa a estas abençoadas terras dos Açores e a esta bela Ilha Montanha, a Ilha do Pico, habitada, no dizer de Vitorino Nemésio, por homens «tão adestrados a usar a cana do leme no Oceano como o báculo da missionação no Oriente» (In Mau tempo no Canal).

4. É como sonhadores deste reino possível e querido por Deus que hoje voltamos o olhar do nosso coração para o Senhor Bom Jesus Milagroso, pedindo-lhe que nos faça mensageiros das bem-aventuranças do Reino e nos ensine a transpor as parábolas do Evangelho para o nosso tempo.

É com mãos de construtores deste «reino de bondade e de misericórdia» que imploramos do Senhor Bom Jesus Milagroso que nos faça simples, sensíveis, misericordiosos, pacíficos e justos, sempre atentos aos pobres e ocupados e preocupados com os que sofrem.

5.Junto-me a todos vós, irmãs e irmãos romeiros e peregrinos, vindos das várias Ilhas dos Açores ou de tantos países onde estão os açoreanos.

Sou peregrino convosco e faço minhas as vossas preces e súplicas, caros romeiros e peregrinos!

Elevo com o pão e com o vinho colocados sobre o altar para serem transformados no Corpo e Sangue do Senhor Jesus as vossas promessas e os vossos gestos de gratidão para que o Senhor Bom Jesus os transforme em bênção para a nossa vida, protecção para as nossas famílias e luz para o nosso caminho.

S. Mateus do Pico, Santuário do Senhor Bom Jesus, 5 de agosto de 2017.

António, Bispo do Porto

 
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