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Homilia na Festa do Senhor Bom Jesus Milagroso - Açores PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

1. A celebração da festa do Senhor Bom Jesus Milagroso, vivida ao longo dos dias do novenário, centra-se agora na Eucaristia e na solene procissão que se lhe segue, e convida-nos a contemplar demorada e serenamente no rosto do Senhor Bom Jesus o mistério da nossa redenção.

Quando voltamos o nosso olhar para o Senhor Bom Jesus vemos ali um homem desprezado, condenado à morte, vítima inocente de um julgamento injusto.

«Eis o Homem!» (Jo 19,5). Com esta dolorosa imagem e sofrida apresentação, Pilatos manifesta-se sensível à crueldade do sofrimento de Jesus e procura demover a multidão. Mas não consegue!

 

É este «Homem», o Filho de Deus, sereno e atento, ali apresentado à multidão que hoje e aqui nos fascina com o seu olhar e nos redime com o seu sangue.

A sua resposta à traição de um dos discípulos, à entrega desleal nas mãos dos algozes e à condenação injusta por parte do poder de então não podia ser a sublevação nem a espada, como desejou Pedro, que estava a seu lado na hora da entrega.

A obediência de Jesus até à morte e morte de cruz era a única resposta compatível com a sua vida, com a sua missão e com os seus ensinamentos. A cruz era a sua herança humana e o preço da nossa redenção. O Seu sangue derramado seria recolhido no cálice de bênção que lavou para sempre os pecados do mundo.

Aqui se unem a promessa divina e a humana utopia de um Reino novo, onde o pecado é vencido e a morte é destruída. A devoção ao Senhor Bom Jesus Milagroso é disso expressão verdadeira. Os Açores celebram esta sincera devoção, presente em todo o nosso País, mas mais viva aqui, concretamente nas festas do Senhor Santo Cristo, em S. Miguel, e nas festas do Senhor Bom Jesus Milagroso, em S. Mateus do Pico.

2. Esta experiência de fé atrai a S. Mateus do Pico milhares de peregrinos. De olhar voltado para o Senhor Bom Jesus trazemos todos connosco a fé inabalável de uma população inteira, que aqui vive ou aqui acorre, por entre súplicas e promessas, gestos de ação de graças e hinos de louvor.

As festas do Senhor Bom Jesus remontam ao ano de 1862, quando o emigrante Francisco Ferreira Goulart trouxe do Brasil esta imagem do Senhor Bom Jesus e a confiou à igreja matriz desta sua terra natal, que anos mais tarde havia de se transformar em santuário diocesano.

De S. Mateus esta devoção irradiou para o mundo imenso da emigração. Sempre que os nossos pais e avós partiram pelos caminhos da emigração levaram consigo o que de melhor neles havia, que era a beleza da alma de gentes moldadas pelo mar e pela montanha, pelo aconchego da família, pelos valores aprendidos na escola, pela honestidade do trabalho árduo e pela alegria da fé que neles habitava.

A festa do Senhor Bom Jesus de S. Mateus do Pico, nesta ilha morena, onde «da pedra se fez vinho» convida-nos a sermos embaixadores da nossa terra, rosto da alma do nosso povo e testemunhas felizes do amor e da misericórdia de Deus por nós.

Uma festa cristã nunca é simples repetição dos anos anteriores. Encontra-nos sempre em novas etapas do caminho. Respalda criativas iniciativas de evangelização. Lança-nos acrescidos e novos desafios de diálogo com a sociedade civil e com a cultura do nosso tempo. Incentiva-nos para construir o futuro com confiança. Convida-nos a levar a novos átrios e a diferentes periferias existenciais a alegria do evangelho e a esperança de um mundo novo.

3. Rezo Senhor Bom Jesus com a fé sincera e humilde de todos os romeiros e peregrinos:

Senhor, Bom Jesus, voltai para nós o vosso olhar – o vosso olhar penetrante e profundo que vê a nossa alma e lê o nosso coração.

Ensinai-nos a descobrir no meio das provações o lado belo e luminoso dos acontecimentos como o conseguiu o profeta Daniel, de que nos falava a primeira leitura. Ele viu «o Filho do Homem» e sonhou para Israel o reino novo de misericórdia e de bondade, jamais destruído.

Fazei-nos ouvir a voz vinda do céu que Vos anunciou como Filho muito amado de Deus, qual “lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e nasça em nossos corações a estrela da manhã” ( cf. 2 Ped 1, 16-19).

Para que também assim se cumpra em nós o sonho do Papa Francisco, que nos pede que “sob a proteção de Maria”, neste centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima “sejamos no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor” (Papa Francisco, Homilia, Fátima, 13. 5. 2017).

Inspirai-nos para sermos arquitetos de novos caminhos de renovação pastoral, construtores de necessárias pontes humanas entre as pessoas e os povos e portadores de bênção para a Igreja e para o Mundo.

Abri os nossos olhos para o Transcendente e para o Divino que a transfiguração no Tabor nos revela e ensinai-nos a exclamar contemplativos, como Pedro fez: “Senhor, como é bom estarmos aqui!” (cf. Mt 17, 1-9).

4. Convidaste, Senhor Bom Jesus, na montanha do Tabor, depois da Transfiguração, os vossos discípulos, Pedro Tiago e João a regressarem ao quotidiano da vida e ao dia a dia da missão.

Guiai agora os nossos passos no sentido certo para que deixem marcas cristãs no chão do quotidiano da Humanidade. Despertai os ouvidos da nossa alma para que ouçamos o permanente e imperativo convite para a missão: «Levantai-vos e não temais” (Mt 17, 7).

Abençoai Senhor Bom Jesus com o vosso amor as famílias com as suas crianças, jovens, idosos e doentes. Que nunca esqueçamos os vizinhos, os próximos, os distantes, os pobres e os que sofrem a nosso lado, nesta bela «exaltação da vida» que fazem dos Açores e concretamente da Ilha do Pico, no dizer de Raúl Brandão, “uma terra de coragem destemida e de uma partilha e espírito de comunidade admiráveis” (In Ilhas Desconhecidas).

5. Senhor Bom Jesus, é o vosso rosto «resplandecente como o sol» (Mt 17,2), que também aqui procuramos.

Fazei que Vos encontremos no sacrário das nossas igrejas, e Vos sintamos presente na Palavra proclamada, celebrado na Eucaristia e visível nos pobres, nas pessoas esquecidas, nos homens e mulheres magoados pela vida, feridos pelo desemprego, traídos pela injustiça!

Aí estais Vós, Senhor Bom Jesus!

Aí deve estar a Igreja!

Aí queremos estar também nós!

Convosco e em Vós, Senhor Bom Jesus!

S. Mateus do Pico, Santuário do Senhor Bom Jesus, 6 de agosto de 2017

António, Bispo do Porto

 
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