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Mensagem de D. António Couto sobre o falecimento de D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Bispos - D. António Francisco dos Santos (1948-2017)

NA ENTRADA NA CASA DO PAI DO MEU IRMÃO NO EPISCOPADO E ILUSTRE FILHO DA NOSSA DIOCESE DE LAMEGO, D. ANTÓNIO FRANCISCO DOS SANTOS

1. «Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo 15,16). Sim, escolhidos desde antes do seio materno (Jr 1,5), desde antes da criação do mundo (Ef 1,4). E acrescentemos, sempre guiados pela Escritura Santa, aberta e lida, desde sempre escolhidos, amados, predestinados, agraciados, redimidos, mortos, sepultados, ressuscitados, vivificados, glorificados (cf. Rm 6,1-11; Cl 2,12-13), para sermos «filhos no Filho», filiação divina (hyiothesía) por graça recebida (cf. Rm 8,15-16; Gl 4,5; Ef 1,5; Gaudium et spes, n.º 22), feitos semelhantes a Deus e vendo-o como Ele é (cf. 1 Jo 3,1-2), que constitui o verdadeiro cume da vida dos filhos de Deus, em sentido muito explícito, denso e misterioso. De maior e de mais belo, não há nada. A nossa maneira de viver e de fazer não é o corolário da visão de Deus; é a própria visão de Deus. A ética é uma ótica.

 

2. Deixem-me registar aqui um bocadinho de diário. Ainda há oito dias atrás, Dia de Domingo, 03 de setembro, estivemos juntos, na Igreja Matriz de Armamar, na celebração das bodas de ouro sacerdotais do Sr. P. Artur Mergulhão. Na viagem de regresso, ao final da tarde, de Armamar para o Porto, o Sr. D. António Francisco teve a amabilidade de fazer uma paragem e passagem pelo Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (Padre Américo), para visitar a minha irmã, que lá se encontra internada há mês e meio, deixando-lhe palavras de conforto simples e afável. Registo este acontecimento de profundo sabor humano e cristão, que traduz bem o modo de ser do Sr. D. António Francisco.

3. Tudo isto para dizer o que penso ser possível dizer e dever dizer do «servo bom e fiel» (cf. Mt 24,45), próximo, humanado, dedicado, humilde e humilhado, portanto, exaltado, até ao ponto de se sentir com todos irmanado, que foi e é o bom filho de Tendais e de Lamego, D. António Francisco dos Santos. Em boa verdade, sou dos que penso que poucas coisas nos é dado escolher. Sou cada vez mais levado a ver que o veio mais fundo e fecundo que vai urdindo a nossa identidade, que é aquilo que só eu posso fazer, e ninguém pode fazer em vez de mim, não depende de nenhuma das nossas escolhas, pois vem de antes de nós, de antes de a nossa memória registar qualquer sinal, de antes do ventre materno. Vem do «amor fontal» de Deus, nosso Pai (Ad gentes, n.º 2). Nós não escolhemos Deus nem o Amor nem o Bem. Deus entra-nos pela casa adentro, sem bater à porta e sem pedir licença, e elege-nos, sem nos ouvir, marca-nos com uma eleição que não prescreve nunca, confia-nos uma missão que não podemos rescindir, entrega-nos um Amor a que não nos podemos subtrair. Penso que foi assim que viveu e morreu o meu irmão, D. António Francisco.

4. O que fica dito, de teor muito bíblico e levinasiano, é para deixar o meu irmão, D. António Francisco, completamente na mão de Deus, ao dispor de Deus, ao sabor de Deus. E a viagem em que há 68 anos embarcou, e que agora continua, ao mesmo tempo transitiva e intransitiva, mais intransitiva do que transitiva, ainda é escrita fina de Deus. Quero dizer, para sempre escrita e oferecida ao esforço da leitura, como aquela viagem para Emaús e de Emaús, com os nossos olhos esbugalhados de espanto perante aquele ignorado companheiro que ocupa sempre o meio, quer quando faz perguntas fáceis para as nossas respostas sempre erradas e mirradas por míngua de leitura e compreensão, quer quando nos prega um bom par de fintas pedagógicas, quer quando bendiz e parte o pão, quer quando desaparece e nos deixa a contemplá-lo bem presente nessa ausência.

5. Acesa outra vez a vista do coração, aí vamos nós outra vez de volta; retomamos a viagem transitiva e sobretudo intransitiva, e reparamos que levamos tanta coisa para contar. Mas primeiro, sempre primeiro, temos de nos sentar e deixar aquecer e alumiar por aquela labareda do Senhor Ressuscitado (cf. Lc 24,34). Obrigado, D. António Francisco! Fala ao Senhor de nós.

Lamego, 11 de setembro de 2017

+ António Couto

 
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