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Homilia - 130.º Aniversário do Nascimento do Padre Américo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2017

Paço de Sousa

CASA DO GAIATO

2017.10.23

1 – A vida do homem acontece ou vai acontecendo entre uma recordação, uma memória, e um projeto, uma esperança.

Supõe um olhar para o passado que não é simplesmente fruto dum saudosismo mais ou menos estéril. Mas a busca da firmeza e da segurança necessárias para o lançamento e a construção do futuro que se projeta e procura.

 

2 – Passado que se evoca ou que se olha na sua totalidade. Naquilo que foi de bom e menos bom. De vitórias e de derrotas. De realizações e sonhos. De caminhos que só Deus conhece. Mais ou menos duros. Mais ou menos tortuosos e tensos. Passado de homens e mulheres débeis, frágeis. De homens. De homens e mulheres que Deus conhece bem, que Deus muito ama, que Deus ama com a ternura do amor de mãe, na pobreza e fragilidade de todos e cada um. É grande e misericordioso o nosso Deus.

3 – Passado que não dominamos em absoluto, mas que se vai dando a conhecer na profundidade da sua força significativa para o caminhar de cada um, exatamente nos passos seguros e firmes com que vamos construindo e realizando os nossos projectos e esperanças, a todos os níveis e vertentes.

4 – Se o passado é a firmeza do futuro, e a sua segurança, vamos dizê-lo, é o futuro que progressivamente nos vai revelando a verdadeira dimensão daquilo que já foi. Projeção que nem nós atingimos até ao fim.

O homem supera-se permanentemente.

5 – Trata-se de um caminho que atinge a sua meta quando se encontram passado e futuro. Quando, por isso, o tempo deixa de ser tempo. Quando tudo muda. Atinge a plenitude do ser. Será um mar de vida outra, nova. Absolutamente nova. Algo de inimaginável e indizível.

É verdade.

Morte não significa acabar, mas cumprir, realizar e realizar a uma dimensão que só Deus conhece. E que só em Deus é possível.

6 – Será a eternidade. Esse ponto sem princípio nem fim, sem passado nem futuro, em que o homem se encontrará mergulhado no imenso oceano do insondável amor de Deus.

É único este nosso Deus que se fez ver em Jesus de Nazaré. Na sua simplicidade e pobreza, nesse Jesus que desceu até à nossa pobreza para nos elevar aquela insuspeitada riqueza.

7 – O passado que hoje evocamos, de que hoje queremos fazer memória, que hoje queremos trazer ao presente na construção do futuro que nos propomos, é uma pessoa, é o PAI AMÉRICO.

8 – Um homem exatamente nas antípodas deste que nos mostra o evangelho. Um homem livre. Livre em relação a tudo e a todos. Livre daquela liberdade dos apaixonados por Jesus. Era um apaixonado por Jesus. Duma paixão que alimentava com a permanente leitura do Evangelho. Há aquela sua frase que cito de cor “dizem que é perigoso um homem de um só livro. Pois sou ainda mais perigoso, porque o meu livro é o Evangelho que leio do princípio para o fim do fim para o princípio”,

Se era neste Jesus que se encontrava na verdade de si mesmo, era também n’Ele que se sentia enviado para os homens. Para os pobres. Os esquecidos. A quem e por quem se deu.

9 – Um homem, um sacerdote que assim antecipava este urgência que vamos vivendo de regressar a Jesus. Que é preciso anunciar com novo ardor e entusiasmo, no desfio da Nova Evangelização, de São João Paulo II, que está no início do ser cristão e nos define e determina a vida, como escreveu Bento XVI, a quem precisamos de regressar, conforme convite do Papa Francisco. Esse Jesus que o nosso querido Bispo D. António Francisco, apresenta como meta do nosso caminhar e ponto de partida, na saída de nós para os outros.

10 – Abraçando a vida como um dom de Deus, P. Américo entendeu-a, a ela mesma, como dom. Isto é a vida acontece quando se dá. A vida acontece quando se morre. Quando se morre por amor daqueles de quem nos aproximamos, para quem nos projeta.

11 – É neste Pai Américo que recordamos, que agradecemos ao Pai do Céu. É este Pai Américo que o tempo que vamos vivendo nos vai revelando na grandeza, sempre nova, da sua dimensão. De homem dado, na paixão por Jesus, que, como ninguém viveu na relação com os pobres, os abandonados, os esquecidos

12 – Procurá-lo, recordá-lo, fazer memória do que foi, não é, não queremos que seja, uma atitude saudosista, inútil, estéril. Mas a coragem de, nele, encontrarmos motivação e força, encontrarmos luz que nos ilumine na novidade deste nosso tempo, dos caminhos sempre novos a descobrir e a percorrer.

+ António Maria Bessa Taipa

 
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