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Em memória de D. Manuel Martins PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Em sessão de homenagem o bispo de Setúbal foi recordado nas palavras do seguinte painel de oradores:

D. Carlos Azevedo, delegado do Conselho Pontifício para a Cultura no Vaticano, o Dr. Silva Peneda, ex-Ministro do Emprego e da Segurança Social, Luís Morgado, operário e sindicalista em Setúbal, o padre José Aires Lobato, vigário geral da diocese de Setúbal e D. António Taipa, Administrador Diocesano do Porto

No dia em que completaria 91 anos de idade, sábado 20 de janeiro, D. Manuel Martins foi homenageado na cidade do Porto numa iniciativa da Fundação Spes. Na Paróquia de Cedofeita, comunidade onde D. Manuel foi pároco entre 1960 e 1969, teve lugar um tempo de memória e de testemunho sobre a personalidade e a ação pastoral do bispo de Setúbal que faleceu no dia 24 de setembro de 2017.

 

Em declarações à VP, José Ferreira Gomes, presidente da Fundação Spes e anfitrião da homenagem, salientou a grandeza da personalidade de
D. Manuel Martins tendo afirmado que o bispo de Setúbal “tinha uma presença muito aguda na leitura dos acontecimentos do dia-a-dia” sempre muito preocupado com os “problemas dos mais fracos”.

No painel desta sessão de homenagem usaram da palavra D. Carlos Azevedo, Delegado do Conselho Pontifício para a Cultura no Vaticano, o Dr. Silva Peneda, ex-Ministro do Emprego e da Segurança Social, Luís Morgado, operário e sindicalista em Setúbal, o padre José Aires Lobato, vigário geral da diocese de Setúbal e D. António Taipa, Administrador Diocesano do Porto. Para este painel de oradores foi também convidado o General Ramalho Eanes, ex-Presidente da República que, por motivos de saúde, não pode estar presente. No entanto, a esposa, Dra. Manuela Eanes, esteve nesta homenagem a D. Manuel Martins testemunhando a profunda amizade que unia o casal Eanes ao bispo de Setúbal. A VP recolheu depoimentos de todos os oradores do painel que aqui sintetizamos.

A realidade concreta das dificuldades das pessoas

O bispo D. Carlos Azevedo evocou
D. Manuel Martins salientando ter sido o “primeiro herdeiro do pensamento de D. António Ferreira Gomes” na sua presidência da Fundação Spes. D. Carlos Azevedo que sucedeu a
D. Manuel Martins como presidente da Fundação Spes assinalou ainda que “foi a trabalhar na Fundação” que conheceu mais de perto D. Manuel Martins onde se revelou a “humanidade do seu trato, a capacidade de gerar comunhão nos colaboradores, de os incentivar a dar o seu melhor”. O delegado do Conselho Pontifício para a Cultura revelou ainda que o bispo de Setúbal era sempre “a favor dos mais desfavorecidos da sociedade” tendo sido por isso um “praticante existencial” dos valores que defendeu D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto e figura inspiradora da Fundação Spes, instituição criada em abril de 1989. Testemunho dessa preocupação com os mais carenciados, eram as pessoas que D. Manuel recebia na Fundação “todas as sextas-feiras” e a quem ajudava. “Isso fazia-o ter contacto com a realidade concreta das dificuldades das pessoas” – disse ainda D. Carlos Azevedo.

 

Função política fundamental

Por sua vez, o Dr. Silva Peneda sublinhou que no tempo em que D. Manuel Martins foi bispo de Setúbal “a fome era uma realidade” naquela região. O ex-ministro do Emprego e da Segurança Social que exerceu funções entre 1987 e 1993 assinalou que D. Manuel Martins teve uma “função política fundamental” na diocese de Setúbal. “Política na verdadeira aceção da palavra” – afirmou. “Era um homem muito corajoso” – disse o Dr. Silva Peneda realçando a importância da ação de D. Manuel Martins na resolução do “drama social muito grande” por que passou o distrito de Setúbal nos anos 80 e 90.

 

A dinâmica da presença do bispo

Precisamente, sobre os aspetos da ação de D. Manuel Martins na área social e na defesa dos trabalhadores, falou Luís Morgado, operário e sindicalista, tendo salientado o apoio que o bispo de Setúbal deu, em particular, com declarações à comunicação social, chamando, assim, a atenção da opinião pública para os problemas por que passavam os trabalhadores em Setúbal. Mas,
D. Manuel Martins não foi apenas uma presença junto dos órgãos de informação, mas também junto dos que mais sofriam o flagelo dos salários em atraso em Setúbal e “a dinâmica gerada pela presença do bispo não só ajudou à unidade de todos os trabalhadores, como ajudou a que se esbatesse a violência que se estava a desenhar” – assinalou Luís Morgado recordando a ação de D. Manuel Martins na resolução de uma situação difícil numa empresa.

A Igreja se não serve, não serve para nada

O padre José Aires Lobato, vigário geral da diocese de Setúbal destacou que D. Manuel Martins foi tendo “um entrosamento progressivo com os diocesanos” e salientou que foi falando da doutrina social da Igreja que o bispo de Setúbal revelou a sua perseverança na prática de “um cristianismo voltado para o outro”. O padre José Aires Lobato comparou o estilo pastoral de D. Manuel Martins com a ação do Papa Francisco e recordou uma frase pronunciada em várias ocasiões pelo bispo de Setúbal: “a Igreja se não serve, não serve para nada”.

Profundamente livre e profundamente pobre

D. António Taipa, Administrador Diocesano do Porto, foi quem concluiu a sessão de homenagem a D. Manuel Martins e nas declarações que prestou à VP afirmou que o bispo de Setúbal revelou-se “como um homem profundamente livre e profundamente pobre e particularmente atento às necessidades e carências”. D. António Taipa sublinhou a liberdade de D. Manuel Martins que “significava uma postura de esquecimento de si próprio por amor dos outros que ia encontrando. Como ele dizia: a sua fé em Jesus vivia-a na relação com os homens, nomeadamente com os homens que sofriam mais” – assinalou. O Administrador Diocesano do Porto disse ainda que D. Manuel Martins era um homem de uma fé inabalável e afirmou que via nele “um grande homem, um grande bispo e um grande cristão, apaixonado por Jesus Cristo e que em Jesus Cristo encontrou a verdade que liberta” – declarou D. António Taipa.

De destacar que no âmbito desta homenagem foi lançado o livro “Nascemos Livres” da autoria de D. Manuel Martins. Uma edição da Fundação Spes que recolhe textos de D. Manuel escritos entre setembro de 2016 e setembro de 2017 e que foram publicados no ‘Jornal de Matosinhos’.


 

Recordemos que D. Manuel Martins, foi bispo de Setúbal de 1975 a 1998. Nasceu a 20 de janeiro de 1927, em Leça do Balio, concelho de Matosinhos tendo sido ordenado sacerdote em 1951. Após a sua formação nos Seminários do Porto rumou a Roma para estudar Direito Canónico na Universidade Gregoriana. Foi pároco de Cedofeita entre 1960 e 1969, na sua diocese do Porto, onde também foi vigário geral. Com a resignação oficial do serviço pastoral na diocese de Setúbal, em abril de 1998, pode dedicar os últimos anos da sua vida à Fundação Spes da qual foi presidente.

Por Rui Saraiva

 
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