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Documentos - Homilias 2018

1.No início de um novo ano, o nosso pensamento está povoado de sonhos e projetos e o nosso coração preenchido de desejos e expectativas relativas à vida pessoal, familiar ou à vida do mundo. Nesta celebração, colocamos tudo isso diante de Deus, invocando a sua bênção para os nossos planos, ao mesmo tempo que manifestamos disponibilidade para cumprir os d’Ele.

O evangelho de hoje convida-nos a contemplar de novo o presépio. Vemos a pressa dos pastores que se congregam junto à gruta de Belém, convocados pelo anúncio dos anjos acerca do nascimento do Menino.

Gente pobre que reconhece naquele lugar o berço do Messias prometido, gente simples que partilha a novidade e a verdade de Deus que se manifesta no corpo frágil daquela criança. Sentimos no ar a vibração, a atmosfera única transmitida pelo canto celestial dos Anjos que proclamam a glória de Deus e a paz dada na terra aos homens de boa vontade. Reconhecemos ainda as figuras silenciosas de Maria e José que, em pose orante, se assumem como pais, guardiães daquela vida divina, cuidadores daquela luz nova, contemplativos daquele mistério revelado. No centro, ressalta a figura do Menino, o Filho de Deus incarnado, rosto visível da misericórdia do Pai. A sua presença é a verdadeira fonte da alegria, inspiradora da paz e a razão maior da esperança posta num Deus sempre fiel à sua promessa.

 

São Lucas refere que aos oito dias o Menino foi circuncidado e recebeu o nome de Jesus. Desta forma a incarnação do Verbo significa real e plenamente a entrada na história, o assumir da tradição e da cultura de um povo, e de uma identidade e biografia autenticamente humanas. Sujeitando-se à lei, Jesus liberta-nos da lei e, desta forma, como diz S. Paulo na Carta aos Gálatas, Deus faz de nós seus filhos e herdeiros com Cristo. É como filhos aqui reunidos que invocamos o Pai para que volte o seu rosto para nós, nos abençoe, nos proteja e nos conceda a paz. Pedimos-lhe que, com a presença do Espírito de Seu Filho, a humanidade seja mais humana e este ano seja um ano de graça e de paz.

2. O primeiro dia do ano é proposto pela Igreja como Dia Mundial da Paz. A mensagem do Papa Francisco, intitulada: «Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca da paz», convida-nos a olhar para a realidade concreta dos 250 milhões de migrantes e 22 milhões de refugiados como «homens e mulheres, crianças, jovens e idosos que procuram um lugar onde viver em paz». Em demanda da paz, muitos destes nossos irmãos arriscam a vida em viagens perigosas que, por vezes terminam em tragédia.

Importa identificar as razões que estão na origem de um fenómeno de tal dimensão. São as guerras e conflitos que martirizam tantos povos e provocam o êxodo de populações inteiras, acumuladas, em condições desumanas, em tantos campos de refugiados. São as famílias que sem horizontes de futuro nas suas terras procuram uma vida melhor para os seus filhos em países mais ricos. São ainda aqueles que, em número crescente, fogem à miséria agravada pela degradação ambiental. Esta realidade preocupante e trágica que marca o nosso presente, não deixará de marcar o nosso futuro. O Papa Francisco desafia-nos a encará-la não como uma ameaça mas como «oportunidade para construir a paz».

Para que tal seja possível é necessário um novo olhar e uma nova atitude. Um olhar mais contemplativo, inspirado na sabedoria da fé, capaz de olhar para o outro como irmão, revestido da mesmo dignidade e do «mesmo direito em usufruir os bens da terra, cujo destino é universal». Um olhar capaz de reconhecer que os migrantes «não chegam de mãos vazias mas trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e determinação», além do tesouro das suas culturas. Este novo olhar requer uma outra lógica de atuação, numa estratégia que combina: acolhimento, proteção, promoção e integração. Esta proposta do Papa Francisco, visando superar medos e preconceitos, é profundamente humana e corajosa, ancorada no sonho de um mundo em paz, de uma humanidade «sempre mais família de todos e a nossa terra uma real “casa comum”».

3. A perspetiva mais global permite-nos perceber melhor alguns desafios próprios de uma escala mais local. Embora vivamos num país e numa Europa em paz há muitos anos, sentimos que a paz é ânsia forte em muitos corações, famílias, grupos e instituições. A paz é um bem precioso; precioso mas frágil. Ela começa a ser posta em causa quando se degrada a justiça, quando não é respeitada a dignidade e os direitos da pessoa. A paz começa a ficar comprometida quando prevalece a prepotência e a intolerância, quando no espaço público e mediático, aos discursos responsáveis e construtivos se sobrepõem outros apelos imbuídos de radicalismo e populismo.

Um futuro de paz e prosperidade supõe a promoção da cultura do diálogo. Diálogo que congregue a família; diálogo que suscite a partilha e solidariedade entre gerações; diálogo que aproxime grupos em que a diversidade de interesses não sacrifique a prioridade do bem comum, da justiça e da verdade.

Aos homens e mulheres de fé, aos homens e mulheres de boa vontade e às novas gerações pede-se que promovam uma cultura cívica mais exigente, um sentido ético mais apurado; a valorização da centralidade da pessoa e da comunidade; uma responsabilidade e um compromisso social mais ativo, um estilo de vida mais compatível com o futuro do planeta. Deste modo a sociedade do futuro poderá ser livre, justa, próspera e pacífica.

4. A liturgia de hoje exalta a figura de Maria como Mãe de Deus. Ao meditarmos na sua maternidade divina, reconhecemos que foi o ato inaugural dos tempos novos, os tempos em que o Messias traria a paz ao seu povo. Acolhendo em si a vida de seu filho, ela foi a primeira a fazer a experiência de uma vida pacificada, porque só com Cristo e por Cristo a humanidade encontra a verdadeira paz. O evangelho diz que «Maria guardava todos aqueles acontecimentos e meditava-os no seu coração». Como nossa Mãe e Rainha da Paz, Maria ensina-nos o modo de pacificar o nosso interior. Num coração como o seu, onde habita Deus, os acontecimentos são vividos na sua profundidade, são meditados em diálogo com Ele, são guardados como momentos únicos e etapas de uma vida de serviço e doação. Um coração onde há lugar para Deus, uma vida com a marca da fé tem mais condições para ser uma vida pacificada.

Ela, a Mãe que «soube transformar um curral de animais na casa de Jesus com uns pobres paninhos e montanhas de ternura», a Mãe que caminhou com Jesus ao longo da vida, é agora a Mãe que «caminha connosco e luta connosco e nos aproxima incessantemente de Deus» (EG, 286). Deixemo-nos inspirar pelo estilo mariano de viver, em que a ternura, o afeto, o acolhimento e a proximidade são as atitudes fundamentais. Na nossa vida pessoal, familiar ou eclesial, pratiquemos estas atitudes profundamente humanas e cristãs, que a Mãe do céu nos ensinou, sabendo que são geradoras de felicidade e paz.

Sob a proteção de Maria e movidos pelo amor de Deus, no novo ano de 2018, continuemos a proclamar, em memória do nosso saudoso bispo, D. António Francisco, que «a alegria do Evangelho é a nossa missão». Um ano feliz para todos!

+ António Augusto Azevedo, 1 de janeiro de 2018

 
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