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Homilia - FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2018

Na festa da Apresentação do Senhor, a Igreja medita e celebra a primeira ida de Jesus ao Templo com Maria e José. A entrada no Templo daquele que constituía a nova forma de presença de Deus no meio do seu povo, foi um momento cheio de significado. O Filho de Deus que tomou carne humana e habitou no meio dos seus irmãos é acolhido por Simeão e Ana como «a salvação ao alcance de todos os povos» e a «luz revelada às nações». Naquele momento prefigura-se a entrega da sua vida na cruz como sinal maior de contradição, em que Jesus se torna o templo novo, o cordeiro oferecido, o sacerdote misericordioso.

 

Na apresentação tem lugar o encontro da surpresa e novidade de Deus com aqueles que não tinham desistido de esperar a realização das promessas. Para Simeão e Ana, essa promessa passou a ter um nome e um rosto, Jesus Cristo, Deus feito homem, Deus presente no meio do seu povo, o Filho que se apresenta como o grande presente do Pai. Maria e José, cumprindo a tradição, tornaram possível a consagração de seu filho. Mais do que ninguém, eles sabiam que um filho é, de facto, um dom de Deus, o dom maior. Um dom que se agradece e um dom que se retribui, consagrando-o ao Senhor, para que a vida do filho se desenvolva sob a proteção do Pai e na fidelidade ao cumprimento da sua vontade.

Celebrar e meditar o mistério de Jesus Cristo, Filho consagrado ao Pai, deve significar para todo o batizado uma especial ocasião para tomar consciência da sua própria consagração. Todo o crente é chamado a olhar para a sua vida como dom sagrado de Deus e a reconhecer como a sua condição de batizado o consagra para uma conformação com Cristo e para o serviço do seu reino.

Neste contexto celebrativo, a Igreja assinala hoje o Dia do Consagrado. Rezamos com tantos irmãos e irmãs que responderam à vocação de especial consagração no seguimento de Jesus e na vivência dos conselhos evangélicos. Irmãos e irmãs que tendo descoberto a maravilha do amor gratuito do Pai, revelado em Jesus Cristo e derramado pelo Espírito Santo, lhe corresponderam com a entrega da vida toda ao serviço do Reino. Queremos de modo especial dar graças a Deus por todos os consagrados e consagradas, pelo que são, pelo que significam e pelo que fazem ao serviço desta diocese, da Igreja e do mundo.

A variedade de formas de que se reveste a vida consagrada (ordens, institutos religiosos, dedicados à contemplação ou às obras de apostolado, sociedades de vida apostólica ou institutos seculares), umas com raízes mais antigas, outras de recente fundação, representa uma grande riqueza na vida da Igreja. «Colocada no centro da vida da Igreja», a vida consagrada atesta a ação incessante do Espírito Santo que sempre suscitou homens e mulheres que deixaram a marca de Deus na história e confirma a atração que o seguimento de Jesus suscita em muitos. Cada consagrado e consagrada é sinal de que Deus continua a amar o mundo, é afirmação de que a luz da salvação continua a irradiar, é testemunho de que a história tem também a marca indelével da bondade, da beleza e da santidade que vêm de Deus.

Em união com Jesus que se consagra ao Pai, convido a todos e a todas a renovarem a sua consagração a Deus no serviço da Igreja, segundo o carisma específico, e peço que o façam com novo ardor e entusiasmo. Como escrevia há alguns anos, São João Paulo II na Exortação Apostólica Vida Consagrada, «a Igreja precisa de uma vida consagrada renovada e vigorosa» (VC, 13). Os tempos de profundas mudanças que vivemos exigem, segundo o Papa Francisco, uma «conversão pastoral e missionária», à luz da qual já não basta a mera repetição de fórmulas, métodos ou estratégias. Depois dos entusiasmos pós conciliares, os desafios do presente são grandes e não permitem que se cai na distração ou cegueira ou ceda ao derrotismo ou à nostalgia.

«Os santos e santas (que fundaram tantas ordens e institutos…) foram fonte e origem de renovação nas circunstâncias mais difíceis» (VC, 35). Inspirados no seu testemunho, a renovação da vida consagrada acontecerá hoje, antes de mais, na fidelidade ao carisma próprio, repropondo o essencial desse carisma, com criatividade e sem ceder a modas efémeras ou preocupações mundanas. Uma renovação que passa também pela redescoberta da autêntica vida fraterna e pela revalorização da vida comunitária. Numa cultura propensa a estilos de vida individualistas e autoreferenciais, a vida consagrada há-de privilegiar o lugar da comunidade como espaço de encontro humano e fraterno, de relações familiares, afetuosas e gratificantes; comunidades de serviço e missão, de intensa vida espiritual e litúrgica; comunidades onde se cultiva o diálogo, nomeadamente intergeracional e intercultural.

A Igreja do nosso tempo tem diante de si o grande desafio de repropor o Evangelho de Jesus Cristo a uma cultura que, em larga medida, o esqueceu ou lhe é indiferente. Neste serviço de evangelização, é indispensável a contribuição e o empenhamento de todas as formas de vida consagrada. Uma contribuição específica que se pode manifestar pela ação e intervenção nos mais variados campos e sobretudo pelo testemunho pessoal e comunitário de estilos de vida austeros, simples, pobres e sobretudo proféticos. Testemunhos proféticos da primazia de Deus e dos valores do seu Reino, afirmados com ousadia e coragem, nomeadamente os conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência vividos com alegria e liberdade.

Convosco, irmãs e irmãos consagrados, confiamos o futuro a Deus, abertos e dóceis à ação do seu Espírito que conduz a Igreja. Pedimos que Maria nos proteja para sermos capazes de continuar a trabalhar para que o rosto da Igreja, como deseja o Papa Francisco, seja mais jovem e belo.

Inspirados em Jesus que, segundo o Evangelho, voltou a Nazaré, crescia e a graça de Deus estava com Ele, também nós possamos retornar às nossas comunidades e famílias religiosas ou de sangue e continuemos a crescer na fé num seguimento autêntico de Jesus e que a sua graça esteja connosco.

Movidos pelo amor de Deus…a alegria do Evangelho continue a ser a nossa missão.

Porto, 2 de fevereiro de 2018

+António Augusto Azevedo

 
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