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Jubileu Sacerdotal - D. Pio Alves de Sousa PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2018

Bodas de Ouro

1. Agradeço, penhoradamente, a presença de todos para, comigo, dar graças a Deus por 50 anos de sacerdócio.

50 anos que, na prática, se estendem à vida toda, já que os sons e os ecos de uma chamada divina se perdem nos alvores da meninice. A semente da vocação foi tomando forma no seio de uma família cristã e da comunidade paroquial de Lanheses em que, então, abundavam as respostas a idêntico convite. Depois, os Seminários de Braga (superiores e colegas), e sempre a família, num contexto de liberdade pessoal, ampararam esse delicado crescimento. E foi assim que, no dia 15 de agosto de 1968, na Sé de Braga, D. Francisco Maria da Silva me ordenou e me incorporou ao presbitério bracarense.

 

Iniciei aí um caminho, geograficamente variado, mas em que sempre esteve presente o sim dado ao meu Bispo e aos seus legítimos sucessores: em Guimarães, Pamplona, Braga e Ponte de Lima, Lisboa, de novo Braga e, finalmente, Porto.

É-me grato recordar aqui os bispos com quem tive (e tenho) a grata oportunidade de viver esse compromisso de obediência filial: D. Francisco Maria da Silva, D. Eurico Dias Nogueira, D. Jorge Ortiga, D. José Policarpo, D. Manuel Clemente, D. António Francisco dos Santos, D. Manuel Linda. Peço a Deus o eterno descanso daqueles que o Senhor já chamou a Si e saúdo, com especial estima, aqueles com quem ainda posso trabalhar.

O caminho, esse longo caminho, como é normal, teve altos e baixos, dificuldades e contratempos, mas muitas (muitas!) alegrias. A serena alegria de quem, dentro da legítima e pessoal maneira de ser, procura fazer o melhor, procura fazer o que Deus pede.

Dou graças a Deus, porque sempre pude contar com quem abrir a alma e pedir conselho.

Como é óbvio, são incontáveis as pessoas com quem contactei ou que contactaram comigo ao longo destes anos. Que me perdoem aquelas a quem, por alguma razão, possa ter defraudado. Dou graças a Deus pelos amigos que fui deixando nos diferentes lugares e serviços por onde passei. Quero referir, de modo especial, os muitos e leais colaboradores e colaboradoras, meu braço direito em tantas iniciativas e atividades. Obrigado!

Minhas irmãs, meus irmãos:

2. O evangelho da Missa de hoje (Mc 7, 31-37) narra a cura de “um surdo que mal podia falar”. Jesus Cristo cura a surdez: “abre-te”, diz, e “imediatamente se abriram os ouvidos do homem (…) e começou a falar corretamente”.

Percebe-se que, fisiologicamente, a surdez tenha influência sobre a capacidade de falar de modo inteligível. Com a mesma nitidez, deveríamos perceber que, numa visão mais abrangente, se queremos falar de Deus, primeiro deveremos ouvir Deus. O episódio poderá sustentar a interrogação: é prioritário que nos entendam ou, antes, será prioritário curar a nossa surdez? É que, sem ouvir, sem ouvir Deus, corremos o risco de que a linguagem, os modos, sejam a mensagem ou, dito de outro modo, sejamos nós a mensagem. E nós interessamos pouco ou nada!

Prevenido o risco do mensageiro feito mensagem, garantimos o cumprimento da afirmação de S. Tiago, na segunda leitura (Tg 2, 1-5): “A fé em Nosso Senhor Jesus Cristo não deve admitir aceção de pessoas”, porque derramou o Seu sangue pela remissão de muitos, de todos (cf. Mt 26, 28; Mc 14, 289).

O Papa Bento XVI, que me chamou ao episcopado, escreve na encíclica Caritas in Veritate que “sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. (…) Em Cristo, a caridade na verdade torna-se o rosto da Sua Pessoa, uma vocação a nós dirigida para amarmos os nossos irmãos na verdade do Seu projeto. De facto, Ele mesmo é a Verdade” (CV 3. 1).

Estas palavras não são, contudo, um convite a descuidar os modos. Querem despertar uma oportunidade de exame da nossa comum condição de discípulos, de “discípulos missionários”, como nos recorda o nosso Plano Diocesano de Pastoral para este ano. Por isso, caros sacerdotes e todos, como nos recorda o profeta Isaías (Is 35, 4-7a), “tende coragem, não temais. Aí está o vosso Deus”.

Com Maria, Senhora da Vandoma, apreendido o fundamental do desígnio de Deus a nosso respeito, saibamos dizer, com palavras e obras, com a vida toda: “eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

3. Celebramos hoje, também, o aniversário da dedicação desta catedral: igreja mãe da Diocese. Materialmente, está em obras: sinal da sua longevidade. Sinal também da sua permanência como afirmação visível e apelo à unidade à volta do seu bispo: o Senhor D. Manuel Linda.

Evocamos também a memória de um dos seus fiéis antecessores – D. António Barroso – no centenário da sua morte. O báculo que hoje (como habitualmente) usamos nas celebrações na catedral foi o seu báculo. Um báculo pesado mas consistente! É assim o governo da Diocese!

Pedimos a Deus a rápida evolução do processo canónico que conduzirá à sua beatificação. Que o seu desassombro no amor à verdade, que a amplitude dos seus horizontes, que a heroicidade das suas virtudes, que a sua intercessão nos ajudem a servir a todos e a cada um na Igreja de Jesus Cristo.

Sé do Porto, 09 de setembro de 2018

+Pio G. Alves de Sousa, Bispo Auxiliar do Porto

 
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