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A doçura do Natal PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Textos e Apresentações

(Mensagem 15)

Os valores são como as moedas: têm duas faces. E quase sempre é a faceta negativa que mais destaca o «valor» da positiva. Assim acontece com a «doçura»: valorizamos tanto mais a sua agradabilidade, delicadeza e suavidade quanto, instintivamente, nos opomos ao seu contrário que é a aspereza, a deselegância, a malvadez, a violência.

Porém, vale a pena a doçura? Os italianos têm um aforismo que soa assim: “Fatti di miele e ti mangeranno le mosche”. Em português corrente: “Torna-te mel e as moscas te comerão”. É uma advertência: neste mundo feroz e competitivo, os bons são aniquilados, pois nem sequer intentam resistência. Como tal, não valeria muito o esforço positivo da doçura já que «o destino está traçado»: permanecem apenas os perversos ou o eterno retorno do reino da malvadez.

Não é este o meu pensamento. Muito menos o de Jesus Cristo. Se o fora, porque nascer ao frio de uma sociedade que O rejeita e O manda para junto dos animais?

 

Curiosamente, é precisamente a partir daí que os sentimentos começam a mudar: os anjos, que não são levianos nem passam a vida na brincadeira, arranjam pretexto para cantar e tocar; os solitários pastores deixam o isolamento social e ingressam na cidade dos homens; os ricos e ufanos magos do Oriente aprendem a dobrar os joelhos; os frios habitantes de Belém sorriem de ternura perante o Menino que expulsaram; e, inclusivamente, o burrinho e a vaquinha deixam de lado o instinto primário de apenas pensarem em si e na sua comida para passarem a servir o recém-nascido com o aquecimento do seu bafo.

 

Não. O provérbio italiano é falso! A doçura não é para desaparecer: é para fermentar. E, de facto, só ela tem fermentado: possui um poder de sadio contágio superior a qualquer outra enzima ou levedura. Se assim não fora, como entender a caridade, a delicadeza, a dádiva aos outros, a paciência, a ternura de tantos e tantos que, com fé e em nome da sua fé, colocam, uma tónica de poesia neste mundo tão prosaico?

Não nos esqueçamos, portanto, que a doçura do Natal tem um nome: chama-se Jesus Cristo.

 

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