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Homilia - Dia Mundial da Paz PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2019

1. O ambiente festivo desta celebração resulta de motivos convergentes: a solenidade litúrgica de Santa Maria, Mãe de Deus; o Dia Mundial da Paz; e, na cultura ocidental, o primeiro dia de um novo ano.

Nos eventos sociais como nas celebrações litúrgicas, em circunstâncias similares, tende-se a optar por uma de duas soluções: marginalizar algum dos acontecimentos para potenciar outro; ou construir, artificiosamente, pontes quebradiças que distraem e dispersam mais do que cativam. Convido-os à serenidade de uma reflexão, que seja oração, enriquecida pelo grato colorido dos três motivos festivos.

A unidade assenta no mistério eucarístico, no contexto da celebração do nascimento de Jesus: Jesus, o Cristo; Jesus, o Filho de Deus que assume ser humano; Jesus, o Messias, repetidamente anunciado pelos profetas; Jesus, o filho de Maria Virgem; Jesus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus; Jesus, que inaugura tempos novos, novos céus e nova terra (cf Is 65, 17); Jesus “o Príncipe da Paz” (cf Is 9, 5).

 

E, na celebração deste mistério que nos une, contamos todos: os pastores humildes, a jovem Virgem Maria de Nazaré, o silencioso José, todos.

2. Ouvimos, do Livro dos Números (6, 22-27), a bênção ditada por Deus a Moisés: “Assim abençoareis os filhos de Israel (…): O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz”. A paz cantada pelos anjos, que envolveu os pastores e os levou a dirigir-se apressadamente em busca do Menino (cf Lc 2, 16-21). Uma paz ativa. Uma paz que é construção de todos, somando diferenças.

Os sinais improváveis para o reconhecimento do mais inaudito dos seres humanos – Deus verdadeiro que se faz verdadeiramente homem – têm as marcas da pobreza: “encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura” (Lc 2, 12).

Este Menino é verdadeiramente menino, “nascido de mulher”, como nos recorda S. Paulo (Gal 4, 4-7). E, por isso, quis contar – quer contar – com todas as imprescindíveis colaborações humanas. Mas sempre com caraterísticas pouco habituais: a simplicidade, a humildade, a pobreza. Vejamos. A Mãe: sempre virgem, jovem, humilde, pobre; meditava, isto é, dava continuidade ao mistério que conservava no seu coração. José: que estava, no seu silêncio fecundo. Os pastores: temerosos, mas abertos a escutar; prontos para a busca e para o anúncio (saíram do seu descanso, saíram a anunciar). E no centro, quase oculto como para não nos incomodar, o Menino.

Um Menino que ainda resulta estranho. Com esta incompreensível escassez de recursos, abre-nos as portas para nos evadirmos da nossa anterior condição de escravos e nos tornarmos filhos adotivos, herdeiros de Deus que, também para nós, é Pai (cf. Gal 4, 4-7).

3. São estas algumas das maravilhas do verdadeiro Natal. São estas algumas das personagens que transfiguram este nosso mundo. Que só não é mais belo; que só não é mais esperançoso; que só não é mais harmonioso; que só não é mais de todos e para todos, porque alguns o cercamos com os muros do nosso egoísmo, da nossa suficiência, da nossa indolência.

Faltam atores, verdadeiros atores, isto é, fazedores de um mundo novo, que queiram aprender e viver a escola do Mestre.

O Papa Francisco, na Mensagem para este Dia Mundial da Paz, recorda como são necessárias à construção da Sociedade virtudes como “a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade” (n. 3). “A paz, escreve, é uma conversão do coração e da alma” que implica: “a paz consigo mesmo, rejeitando a intransigência, a ira e a impaciência”; “a paz com o outro: o familiar, o amigo, o estrangeiro, o pobre, o atribulado”; “a paz com a criação” (n. 7).

A paz tem que ver com tudo e com todos. Este excerto da Mensagem do Papa Francisco traz à memória uma passagem dessa magnífica exortação apostólica de S. João Paulo II que tem por título Reconciliação e Penitência e que diz assim: “A função reconciliadora da Igreja deve desenvolver-se segundo aquele nexo íntimo que une estreitamente o perdão e a remissão dos pecados de cada homem com a reconciliação plena e fundamental da humanidade, realizada pela Redenção. Este nexo leva-nos a compreender que, sendo o pecado o princípio ativo da divisão – divisão entre o homem e o Criador, divisão no coração e no ser do homem, divisão entre os indivíduos e entre os grupos humanos, divisão entre o homem e a natureza criada por Deus – só a rejeição do pecado é capaz de operar a reconciliação profunda e duradoura onde quer que a divisão tenha penetrado (RP 23).

Repensar o Mundo, a Sociedade, a Igreja, a Paz como um todo não é o mesmo que idealizar um programa para que outros o cumpram. A verdadeira novidade de vida começa em cada coração.

Para dar corda a este projeto todas as ocasiões são oportunas. Redescobrir na verdade das pessoas, das relações, do poder e das coisas a raiz da Paz é um excelente projeto pessoal e social.

O começo de um novo ano é um bom pretexto para retomar a condição de discípulo e aprender na escola do Mestre. E aí está Maria, a Virgem de Nazaré, Mãe de Deus e Mãe de cada um, a explicar o sentido de cada traço, de cada letra.

+Pio G. Alves de Sousa

 
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