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Homilia da Missa Crismal de 2019 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Documentos - Homilias 2019

Salvação e identidade

 

Sabemos bem que formamos uma especialíssima unidade, aquela que o Decreto Presbyterorum ordinis define assim no seu nº 8: “Cada membro do colégio presbiterial está unido aos outros por laços especiais de caridade apostólica, de ministério e de fraternidade. Isto mesmo, desde tempos remotos, é significado liturgicamente quando os presbíteros presentes são convidados a impor as mãos, juntamente com o Bispo ordenante, sobre o novo eleito, e bem como quando concelebram, num só coração, a sagrada Eucaristia. […] Assim, se manifesta aquela unidade na qual Cristo quis que os seus fossem consumados, para que o mundo conheça que o Filho foi enviado pelo Pai”.

 

Nesta unidade família, alegramo-nos com os que se alegram e sofremos a dor dos que vimos partir. Desde a última Páscoa, celebraram a fecundidade de 60 anos de sacerdócio: Padres Cândido dos Santos, Joaquim Cardoso, Joaquim Fernandes, Manuel Henriques, Manuel Bastos e Reinaldo Moreira. Comemoraram bodas de ouro: D. Pio Alves e os Padres João Matias, José Diz e Marcos Vilar. Também festejaram bodas de prata: Padres António Martins, Júlio Pereira e Manuel Ribeiro. O Santo Padre aceitou o pedido de jubilação do senhor D. António Taipa, que continua a viver entre nós, e fomos prendados com um novo bispo que já se inseriu nesta nossa dinâmica de sermos todos “discípulos missionários”, o senhor D. Armando Domingues. Um membro no nosso presbitério, o senhor D. Américo Aguiar, foi elevado à dignidade episcopal.

Ainda neste ano de 2019, o senhor D. Manuel Vieira Pinto celebrará setenta anos de sacerdócio e sessenta anos os seguintes Padres: Alberto Laranjeira, António Baptista, António Emílio, Cón. Ferreira dos Santos, António Vidinha, Franclim Azevedo, Isaías de Pinho e Narciso Bessa. Estarão em jubileu de bodas de ouro os Padres: António Martins, Gonçalo Mendonça, João Almeida, José Maria Pacheco, José Maia, José Castro, Manuel dos Santos, Manuel Nunes e Manuel Amorim. E em bodas de prata: Padres Benjamim Mesquita, João Carrapa, Samuel Guedes, José Alberto Dias. Desde já, sinceros parabéns.

Temos presente, também, os seguintes irmãos que partiram ao encontro do Pai: Cón. Rui Osório, Mons. Virgílio Resende e David Adélio, P. Armando Silva e P. Pinto de Sousa, Frei Bernardo Domingues e Diác. Joaquim Santos. Rezamos e rezaremos por eles.

É esta a primeira Missa Crismal que celebro com vocês, caros ministros ordenados. Sei bem que, da minha parte, subsiste o dever de corresponder ao vosso direito de escutarem do bispo palavras de estímulo e orientação, tanto mais que esta época é marcada por situações e problemas que vos entristecem e, direta ou indiretamente, vos geram não pequeno martírio. Pensemos na diminuição de sacerdotes e das vocações sacerdotais, no consequente acréscimo de trabalho, na perda de uma certa respeitabilidade social, em campanhas cínicas, porventura orquestradas, para fazer passar a ideia de que os padres são todos uns malfeitores, no problema económico, na insatisfação da formação contínua, no ressurgir de um certo clericalismo, etc.

Trazia na mente um conjunto de ideias com que acentuasse e desenvolvesse o brado que nos identifica e que já ouvimos proclamar duas vezes: “O Espírito do Senhor está sobre mim”. Mas precisava de uma fórmula simpática e atraente. Encontrei essa feliz síntese numa expressão do Card. O’Malley, no retiro do episcopado, que eu tomo de empréstimo.

A nossa identidade é a de um amor incontido e, por isso, expresso em beijos. Sim, o sacerdote sabe beijar. Fá-lo diariamente. E isso exprime a sua identidade, pois a liturgia –que é sempre rezar o que se crê- manda-o proceder assim.

O primeiro beijo é ao altar, no início e no fim da celebração. O sacerdote, que é o amigo do noivo e não o viúvo, exprime dessa forma o gaudio por participar e presidir ao ritual do mistério da salvação. Quer dizer que só este é o centro do seu existir e não qualquer outra realidade. Judas também beijou, mas foi por razões de dinheiro e de poder. Então, vigiemos, senhores padres, a qualidade e santidade das nossas celebrações.

Depois, beijamos o evangeliário, sempre que proclamamos a “Palavra da salvação”. De facto, no nosso ministério, a prioridade vai para o anúncio da verdade que salva. Exprimimos essa convicção na reverência à Palavra de Deus que deve modelar o coração do ministro ordenado para que, assim «ungido», possa “anunciar a boa nova aos pobres, proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, restituir a liberdade aos oprimidos e proclamar a todos um tempo de graça por parte do nosso Deus”. Mas efetivamente, vivemos da Palavra e pela Palavra? As nossas homilias são evangelizadoras?

Dentro da Eucaristia, damos também o ósculo ou beijo da paz, habitualmente traduzido por «abraço da paz». Este beijo, que a antiga liturgia prescrevia fosse dado aos ministros do altar e, por eles, chegasse a todo o povo, reafirma a paternidade espiritual do Padre/Pai. Amar o seu povo, preocupar-se preferentemente com os frágeis e os marginalizados, gostar de estar com ele, conhecer os seus nomes é o exercício sublime do mais elevado do ministério presbiteral: a paroquialidade. Então, façamos jus à forma simpática como o nosso povo nos trata: Padre/Pai. Somos, de facto, com muita honra, os padres ou pais de uma família alargada. Façamos crescer esses laços de familiaridade.

Mas há um quarto beijo. E também ele pode e deve ser diário: é o beijo na cruz, ritualmente estabelecido no dia de sexta feira santa. Nos gestos explicativos da Ordenação, quando nos entregaram o pão e o vinho para o altar, o bispo disse-nos: “Toma consciência do que virás a fazer; imita o que virás a realizar e conforma a tua vida com o mistério da cruz do Senhor”. E, segundo as normas, as tomadas de posse nos ofícios eclesiásticos deveriam começar pelo gesto do beijar da cruz à entrada da igreja. Como que a dizer-nos que, entender a cruz é entender as coisas de Deus e aceitar a cruz é aceitar o mesmo Deus.

Caros ministros ordenados, estes são os nossos amores, esta a nossa identidade. Não nos sentiremos inúteis e o santo povo de Deus apreciar-nos-á cada vez mais se ancorarmos a nossa existência numa celebração digna e bem preparada, na proclamação fervorosa da Palavra de Deus, no exercício daquela paternidade espiritual que a literatura tanto sublinhava na figura do «pároco de aldeia» e na «cristificação» ou identificação com Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote da quinta feira Santa, da sexta e da manhã da Páscoa.

O Bom Pastor nos ajude à reconquista contínua desta identidade.

+ Manuel Linda

 
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