No Jubileu dos Catequistas
Responsáveis pelo futuro das novas gerações
Como se sabe, no seu zelo, que muito agradeço, o Secretariado Diocesano da Catequese imaginou uma enorme celebração jubilar para quantos se ligam a este setor fundamentalíssimo do primeiro anúncio: crianças, adolescentes, jovens e suas famílias, catequistas e sacerdotes. Só que de tão volumoso, acabou por não se poder concretizar. Seria uma forma bela de mostrar que a maioria das nossas famílias deseja valores de fé e de orientação moral para os seus filhos e que a Igreja está presente para as ajudar.
Decidiu-se, então, esta alternativa: a partir desta igreja-mãe, que é a nossa Sé, enviar os Párocos e dois catequistas a todas as Paróquias da Diocese para os tornarcomo que delegados e encorajarem o mundo da evangelização a celebrar este Jubileu a nível locar, deixando a maior das concentrações para a terceira e última etapa: a peregrinação diocesana a Fátima, a 20 de setembro próximo. Estamos aqui para esta primeira fase que, curiosamente, coincide com o Jubileu dos Missionários da Misericórdia, em Roma.
Feliz coincidência! Missionários e catequistas movimentam-se nas mesmas coordenadas eclesiais. Aos Missionários, que encontram em Jesus a fonte da sua inspiração e a quem se unem, pede-se que tenham a capacidade de sentir o que o outro sente para o compreender e lhe anunciar a boa notícia de que Deus o ama e lhe propõe um estilo de vida à Sua maneira. Apresentam a fé como ternura misericordiosa de Deus,e a Igreja, a comunidade dessa fé, como detentora de um rosto materno. Anunciam, portanto, a alegria do encontro entre a pessoa e Cristo, e, se for o caso, a alegria do perdão. Claro que isto só se dá no acolhimento, no amor, na atenção personalizada. Mas, não é isto que os catequistas fazem? Evidentemente! Então, todo o catequista, a começar pelo Pároco, é um verdadeiro e insubstituível missionário da misericórdia.
É esta a sua missão e grandeza! O catequista é testemunha de Cristo e mediadorde um encontro personalizado com Ele. Encontro feliz que ele, catequista, já experimentou. E porque isso lhe gera imensa alegria, não o consegue esconder em si e para si, mas como que sente necessidade de o apresentar aos outros e ousar que estes também sintam a felicidade transformante dessa nova relação existencial entre amigos.
O Catequista parte da Palavra de Deus que dá sentido à sua vida e torna-se construtor de pontes, para que essa Palavra salvadora tenha acolhida no coração do catequisando. Desta forma, ele é ministro do ministério mais fundamental. Como sabem, o Papa Francisco instituiu formal e liturgicamente o Ministério do Catequista. Espero que, nesta Diocese do Porto, brevemente, nele se possam instituir alguns leigos, de acordo com as normas que a Conferência Episcopal Portuguesa formulou.
Derivado daquela dimensão de encontro com Cristo, o catequista assume também o encargo de ajudar crianças, adolescentes, jovens e até adultos a descobrirem um sentido para a vida e consequentes vias a percorrer. São, pois, em grande escala, responsáveis pelo futuro das novas gerações. No dizer de uma catequista, “bem ou mal é nas nossas mãos que se encontra o destino da fé das novas gerações”. E eu acrescentaria: e até da sua felicidade ou desespero. Não nos esqueçamos disto.
Porque assim é, convido os Párocos a dedicarem o melhor do seu tempo e recursos aos catequistas. Chamados por Deus para prolongarem, no hoje da história, a missão confiada a Pedro, Paulo, André, Tiago e a todos os apóstolos, têm de constituir, cada vez mais, uma referência insubstituível para a Igreja e para as famílias que lhe confiam, de alguma maneira, o futuro dos seus filhos.
Como todos nós, os catequistas precisam de escutar e serem escutados, neste registo de sinodalidade que há de caraterizar sempre mais o seu ministério. Mas também carecem de formação e, principalmente, de espiritualidade. A respeito da formação, não resisto a transcrever uma frase bela desse grande escritor católico, leigo francês, que foi George Bernanos: “Nenhum de nós saberá suficiente teologia para ser eleito cónego. Mas havemos de saber o suficiente para nos tornarmos santos”. E sobre a relação existencial com Deus, também um deles escreveu: “Se não enchermos sempre a nossa carteira com espiritualidade, tonarmo-nos professores/funcionários de escola”.
Ser catequista é viver na esperança de que os esforços despendidos e o caminho feito pelas e com as crianças deixe marcas nas suas vidas e dê frutos de santidade e de felicidade. Esperança de que tanto investimento não fique estéril, mas que a alegria e a plenitude de Cristo toquem e envolvam o seu ser em início de viagem existencial.Assim, os catequistas são seres de desejo: o de um bem que os catequisandos ainda não têm, qual seja, o da comunhão de vida com Cristo e com os irmãos. E o desejo é o motor da esperança. É ele que nos dá força e nos impele a meter mãos à obra, agir econstruir.
Caros catequistas de todos os âmbitos, incluindo os Párocos, primeiros catequistas nos setores que lhes estão confiados, assumistes a tarefa bela e grandiosa de evangelizar e, consequentemente, de fazer discípulos missionários que apontem Cristo como timoneiro e de os congregar na barca da Igreja, tendo Maria de Nazaré como protótipo do ser crente. Em nome da Diocese, agradeço-vos, de coração, por este imenso trabalho, a forte dedicação, o desejo do bem integral dos catequisandos e a esperança contínua. O Senhor Jesus que sabe pagar cem vezes mais, vos cumule de graças espirituais e até materiais. Uma das quais seja a do otimismo cristão. O catequista não concede lugar ao desânimo, mesmo que, por vezes não veja nascer as sementes plantadas. Mas isso é com Deus. A nós apenas nos compete semear.
Então, boa sementeira! E obrigado!
+ Manuel Linda 30 de março de 2025