Na Missa de Quarta-Feira de Cinzas, D. Manuel Linda afirmou que quando nos deixamos habitar “pela esperança a partir do coração, tornamo-nos pessoas novas”. Informou que parte da renúncia quaresmal da diocese do Porto será para o Seminário de Maputo em Moçambique e o Seminário de Viana em Angola.
“Um tempo especial de conversão à esperança”, foi assim que o bispo do Porto caracterizou o Tempo da Quaresma que se iniciou na celebração de Quarta-Feira de Cinzas.
Na Missa a que presidiu na catedral do Porto no dia 5 de março, D. Manuel Linda assinalou a necessidade da “conversão do coração”. “Habitados pela esperança a partir do coração, tornamo-nos pessoas novas. Tornamo-nos nós e, connosco, também a Igreja e o próprio mundo”, afirmou.
Na sua homilia, D. Manuel Linda lembrou a importância da prática da oração, do jejum e da esmola, neste tempo especial. “A oração alimenta a esperança, pois a projeta para o tempo novo do Reino; o jejum concede-lhe a fortaleza de a sobrepor aos nossos instintos de posse; a esmola como que a concretiza em gestos reais que auguram o tempo novo da efetiva fraternidade à base da comum paternidade de Deus”, salientou.
Este é um tempo de conversão e de renúncia de bens materiais. E neste particular, D. Manuel Linda anunciou que o produto desta renúncia, como é habitual, “será encaminhado para fora da nossa diocese do Porto”.
“Consultados os diversos órgãos de participação, o Conselho Episcopal decidiu que 50% desse quantitativo se destine a ocorrer aos diversos pedidos de ajuda que nos chegarão do estrangeiro, como é habitual. Os outros 50% serão distribuídos a dois Seminários: o de Maputo (Moçambique), pois se trata de um Seminário pobre numa Igreja e País pobres; e para a construção do Seminário Filosófico de Viana (Angola) que acolherá alunos de cinco dioceses”, declarou D. Manuel Linda.
Lembrou o sinal da imposição das cinzas na celebração daquela quarta-feira que inicia a Quaresma. “Começamos esta peregrinação com o sinal penitencial das cinzas sobre as nossas cabeças. É um sinal forte para iniciarmos a Quaresma na fé e na esperança. Abrir-nos à graça de Deus para podermos celebrar, com grande alegria, o triunfo pascal de Cristo”, afirmou D. Manuel Linda.
O bispo do Porto lançou algumas questões para reflexão na Quaresma: como me deixo interpelar por esta condição? Estou realmente a caminho ou estou paralisado, estático, com medo e sem esperança, acomodado na minha zona de conforto? Busco caminhos de libertação das situações de pecado e falta de dignidade?
“Façamos esta viagem juntos”, disse D. Manuel Linda.