O prefeito do Dicastério para o Clero esteve no Porto para uma Jornada de Formação. Falou de desafios e de valores que podem dar esperança aos sacerdotes. Pediu oração pelo Papa Francisco, mas também a defesa da paz e ajudar os marginalizados, tal como pede o Santo Padre.
De 26 a 28 de fevereiro esteve no Porto o cardeal Lazzaro You Heung-sik para uma Jornada de Formação com o clero da diocese do Porto. Em declarações ao jornal Voz Portucalense, o prefeito do Dicastério para o Clero revelou a sua preocupação com a saúde do Papa Francisco, pedindo oração, mas sublinhando um outro modo também prático de proximidade ao Santo Padre: fazer a paz e ajudar os marginalizados, tal como o Papa sempre nos pede.
“Rezo para que o Papa com força volte para o meio de nós como antes. Mas há uma outra parte: sim nós rezamos pelo Papa, pela sua saúde, mas é também muito importante aquilo que o Papa nos diz continuamente de colocar em prática: abrir o coração ao próximo, em compaixão, com ternura. Amar é querer bem. Isto é muito importante. Assim como a paz no mundo. Importantíssimo. E rezamos para sermos homens de paz com as outras pessoas. (…) E também outra coisa: quando o Papa nos fala nos marginalizados, os que sofrem, os migrantes, os doentes, os sós, ver Jesus neles e senti-los como irmãos e irmãs. Portanto, também é importante aquilo que o Papa nos pede para colocar em prática. E, assim, a nossa oração tornar-se-á uma oração verdadeira pelo Santo Padre, para tornar a Igreja e a humanidade mais bela”, afirmou.
No seu encontro com o clero do Porto na Casa Diocesana de Vilar, o purpurado sul-coreano assinalou a necessidade de se falar com sinceridade e transparência.
“Com todos os sacerdotes foi um belo ambiente em clima familiar. Acho que correu bem. Agradeço muito e estou contente. Tratei temas muito atuais para os sacerdotes de hoje. E estando com os sacerdotes é preciso ter o coração aberto, muito sincero e também transparente”, salientou.
O cardeal Lazzaro na sua conferência tratou temas atuais e desafiantes da vida dos sacerdotes, como a solidão, o individualismo, a fragilidade, a sobrecarga de trabalho, as mudanças sociais e tecnológicas e a sinodalidade. Apresentou também valores que podem dar esperança como a verdade de vida, um clima de estima entre os sacerdotes, a escuta e a vida em espírito familiar. Afirmou a importância da vivência dos sacerdotes em comunidade.
“O Concílio Vaticano II quando fala de sacerdote, não fala no singular, mas sempre diz sacerdotes no plural. Também Nosso Senhor é Uno e Trino. Vida trinitária. Diálogo, comunhão. Por isso, o sacerdote não deve estar só, mas sempre em vida comunitária com outros sacerdotes”, declarou.
“Identidade sacerdotal e esperança” foi o tema da reflexão proposta pelo cardeal Lazzaro ao clero da diocese do Porto. A formação desenvolveu-se também com o tema dos abusos sobre menores, com Rute Agulhas, coordenadora do Grupo Vita e o tema da sinodalidade, proposto por sacerdotes que participaram em Roma em 2024 no encontro mundial “Párocos pelo Sínodo”, o padre António Bacelar, pároco da Maia e o padre Sérgio Leal, pároco de Anta e Guetim.