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Jubileu dos Leitores: “A Palavra de Deus é Porta Santa”


A Catedral do Porto encheu-se de fiéis no Domingo da Palavra de Deus. D. Roberto Mariz presidiu à Eucaristia no Jubileu Diocesano dos Leitores neste Ano Santo de 2025.

 

Superando as expectativas mais otimistas, atendendo às inclemências meteorológicas nesse dia, a Catedral do Porto encheu-se de fiéis na tarde do passado domingo, 26 de janeiro. Depois da abertura do ano santo, celebrava-se o primeiro Jubileu do ano, o dos Leitores, muito oportunamente convocado para o Domingo da Palavra de Deus. Presidiu à Eucaristia o Bispo auxiliar do Porto, Dom Roberto Mariz, em representação de Dom Manuel Linda que, à mesma hora, concelebrava, em Vila Real, sua diocese de origem, na ordenação episcopal de Dom Sérgio Dinis.

 

A celebração foi especialmente solene, com a participação ativa de uma assembleia viva, atenta, comungante, que cantava, respondia ao celebrante e aos ministros. Vários presbíteros acompanharam à Sé os leitores das suas paróquias e concelebraram. O Serviço Diocesano de Acólitos, muito bem representado e orientado, assegurou o serviço do altar e do Bispo. O serviço diocesano de música litúrgica, com a colaboração do Coro de Carregosa e instrumentistas de qualidade apoiaram e embelezaram a participação unânime da assembleia com a beleza e harmonia das suas vozes e timbres. O grande órgão encheu a Sé e fez ressoar a sua harmonia nas abóbadas e nos corações.

 

Momento especial da celebração, recomendado para o Domingo da Palavra, foi a entronização do Evangelho. O diácono, que cantou o Evangelho, terminada a sua proclamação levou o Evangeliário ao Bispo que o beijou e com ele abençoou a assembleia, como se faz com a custódia na bênção do Santíssimo Sacramento. Em seguida, acompanhado pelos ministros, dirigiu-se processionalmente para o transepto da Sé onde entronizou esse livro litúrgico, acendendo-se junto dele o círio pascal.

 

Na sua homilia, D. Roberto Mariz, saudando e acolhendo a todos com um sorriso de simpatia, aproveitou para enaltecer o ministério dos leitores, que qualificou de «estruturante na vivência litúrgica». O Jubileu foi «momento de reconhecimento e valorização» de uma missão que «exige vocação, preparação, humildade e vivência» porque os leitores devem «“dar a voz à voz de Deus”, ser intermediários entre o emissor (Deus) e os recetores (ouvintes)», o que «implica o máximo empenho para se ser bom instrumento de Deus». A importância dos leitores, acentuou, «funda-se na relevância que a Palavra de Deus tem na nossa fé e na liturgia».

 

Sobre a importância máxima da Sagrada Escritura na Liturgia e na Vida da Igreja, o Bispo referiu três momentos marcantes do Magistério supremo da Igreja: A constituição Dei Verbum do II Concílio do Vaticano, da qual citou o n.  21; a Exortação apostólica de Bento XVI Verbum Domini, como conclusão do Sínodo sobre a Palavra de Deus, citando os nn. 52 e 68, e a instituição do «Domingo da Palavra de Deus» pelo atual Papa (Carta Ap. Aperuit illis, de 30 de setembro de 2029). Com estas referências, e aderindo eficazmente à Liturgia da Palavra do dia, sublinhou que «Deus não só falou… Falou, fala e falará… ao “hoje – de cada hoje – de cada um de nós”. Palavra sempre nova e sempre viva. Não é passado, é sempre presente e sempre performativa». E «a Palavra tem um rosto: Jesus, Palavra encarnada». Conforme ensina o Catecismo e é oportuno insistir, o cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não uma «religião do livro». «Jesus é rosto vivo e atuante da Palavra de Deus. Jesus é o pleno cumprimento da Palavra de Deus. Jesus ressuscitado é o “ponto de luz” para interpretação de toda a Escritura».

 

A partir destes fundamentos, D. Roberto Mariz valorizou a «íntima união dentre ambão e altar» e a Palavra de Deus como fonte de esperança. Terminou a sua homilia propondo aos leitores quatro efeitos e compromissos: um coração dócil à Palavra, alegria, generosidade e unidade. Assim seremos conduzidos da Eucaristia à Missão como peregrinos de esperança. «A Palavra de Deus é uma porta santa que precisa de ser palmilhada continuamente para sermos habitados pela esperança e alegria, fazedores de comunhão e comprometidos na Igreja e no mundo».

 

Antes da bênção e despedida, a assembleia, guiada pelo Bispo, recitou a oração do jubileu, impressa numa pagela distribuída por todos. Depois, o presidente do Secretariado Diocesano de Liturgia, Padre João Peixoto, agradeceu a presença e presidência do bispo, ministro da Palavra a confirmar, na fé e na missão, ministros da mesma Palavra. Agradeceu também a participação do Diretor do Serviço Diocesano de Acólitos, Dr. José Manuel Campos, e do Diretor do Serviço Diocesano de Música Liturgia, Prof. Emanuel Pacheco, coadjuvados pelas respetivas equipas, destacando o compositor de diversos arranjos musicais dos cânticos executados na celebração, Padre José Joaquim Ribeiro.