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Jubileu dos Reclusos: “situações humanas muito profundas que necessitam de esperança”


Paulo Neves colabora com a Pastoral Penitenciária na diocese do Porto e apresenta em entrevista as iniciativas previstas para o Ano Santo, com destaque para uma celebração especial no próximo sábado 8 de março no Estabelecimento Prisional de Custóias.

 

 

O próximo sábado 8 de março será um dia muito especial para a população prisional da diocese do Porto. Terá lugar uma celebração especial no Estabelecimento Prisional de Custóias, que junta outros estabelecimentos. Como contou à reportagem de Voz Portucalense Paulo Neves um dos voluntários da equipa da Pastoral Penitenciária da diocese do Porto.

 

“Tendo presente esta oportunidade que é o Ano Jubilar, e com esta temática, ‘Peregrinos da Esperança’, um local privilegiado para levar a esperança é precisamente as cadeias, porque há aí situações humanas muito profundas que necessitam de esperança. E o próprio Papa deu esse exemplo. Logo depois de abrir a Porta Santa na Basílica de São Pedro, abriu numa prisão nas imediações de Roma, a prisão de Rebibbia. E ao fim e ao cabo foi um gesto inédito. E nós também, de certo modo, vamos replicar esse gesto agora, no dia 8 de março, aqui na cadeia do Porto, para as cadeias da diocese do Porto. Ou seja, constituiu-se uma comissão composta pelos assistentes espirituais das várias cadeias do Porto. Temos seis cadeias aqui na Diocese do Porto. E depois, também, alguns grupos que entram na cadeia ligados ao voluntariado – a associação “Foste Visitar-me”, a Obra Vicentina de Apoio aos Reclusos, o Grupo de Voluntariado em Matosinhos, e a Inclusos -, no sentido de organizarmos um programa também para celebrar o Jubileu. Seja em contexto prisional, ou seja, sobretudo levar o contexto prisional, a realidade do contexto prisional, à sociedade envolvente.

 

Por isso, no dia 8 de março teremos, da parte da tarde, essa celebração jubilar no Estabelecimento Prisional de Custóias, que vai reunir todos os estabelecimentos prisionais, de certa forma, aqui da diocese do Porto. Os diretores prisionais das várias cadeias estarão presentes. Estarão presentes também um grupo de reclusos de cada uma das cadeias. Depois, estarão várias entidades também, ligadas ao setor autárquico e ligadas a outras áreas, no sentido de uma grande celebração, onde vamos abrir a Porta Santa na cadeia, e depois, a partir daí, na semana a seguir, abrir as Portas Santas nas outras cadeias da Diocese do Porto. Vai estar presente, a presidir a celebração, o Sr. D. Manuel Linda, o Bispo do Porto, e queremos que seja uma celebração impactante para quem estiver presente, mas também para todos os que, mesmo não estando presentes, vão depois sentir ecos desta abertura da Porta Santa em Custóias”, disse Paulo Neves.

 

O Jubileu dos Reclusos na diocese do Porto inclui ainda várias outras datas e atividades, como revelou Paulo Neves. Especial destaque para um concurso de artes, aberto aos seis estabelecimentos prisionais da diocese do Porto, em modalidades tão diferentes como a prosa, a poesia, o desenho, a pintura e a escultura.

 

“Teremos no dia 13 de Março uma mesa redonda no CREU (Centro de Reflexão e Encontro Universitário da Companhia de Jesus) ligada à temática, que é uma pergunta, “Se o perdão liberta?”. E também vamos ter pessoas de várias áreas a tentar responder a esta pergunta. Seja da área das artes, a Capicua vai estar connosco, seja na área da direção também dos estabelecimentos prisionais. Um diretor prisional vai estar connosco. Seja na área do Direito, seja também na área da Igreja. A presença também da Igreja Católica em contexto prisional, e até de outras confissões religiosas.

 

Depois, no dia 16 de março, teremos aqui também com sentido simbólico e afetivo, uma peregrinação que vai partir da zona da Cordoaria – um espaço emblemático para nós, porque está ali localizado o Centro Português de Fotografia, que é a antiga Cadeia da Relação do Porto – até à Sé Catedral. Será uma peregrinação simbólica. Sabemos que dificilmente estarão presentes reclusos, mas a mensagem que passamos, também no contexto prisional, é que estejam familiares de reclusos. Que, de certo modo, representem os reclusos que estão ali. E depois toda a sociedade que se quiser associar a esta iniciativa.

 

E depois teremos caminharemos para o grande Jubileu dos Reclusos, que vai acontecer em Roma no dia 14 de dezembro. É o último Jubileu, por sinal, que vamos celebrar no âmbito deste Jubileu da Esperança. E aí também queremos ver se poderá participar algum recluso.

 

A par disto, realizámos – já está em fase de finalização – um concurso que destinámos às seis cadeias da Diocese do Porto, a todos os que quisessem participar, um concurso de artes. Nas modalidades de prosa, poesia, desenho, pintura e escultura. Já houve a recolha dos trabalhos. Estão em avaliação. Depois também combinará uma entrega de prémios no dia 8 de Março. E queremos depois também que estes trabalhos que surgiram – que, ao fim e ao cabo, pretendem desenvolver valores, e desenvolver capacidades que muitos dos reclusos têm -, queremos que depois tenham um caráter itinerante por algumas exposições que também queremos organizar ao longo do ano pela Diocese”, informou o membro da Pastoral Penitenciária diocesana.

 

Paulo Neves é professor e está ligado há já vários anos à Pastoral Penitenciária. Tudo começou numa conferência vicentina no seu tempo de aluno de Seminário na Guarda.

 

Mais tarde em 2008 foi o padre João Gonçalves, Coordenador Nacional da Pastoral Penitenciária quem o convidou para colaborar. Hoje reside na diocese do Porto e é aqui que participa como voluntário junto dos reclusos. Considera que “é um desafio constante” contactar com pessoas em privação de liberdade.

 

Uma circunstância de vida onde se experimenta a angústia e o remorso, mas que pode ser “um espaço também de esperança, de vida”. Os voluntários católicos oferecem assistência espiritual e religiosa em três grandes missões: o atendimento das pessoas em situação de reclusão, a celebração de atos de culto e formação. Esta, em particular, pode ser de âmbito religioso, mas também humano.

 

Veja e ouça aqui na íntegra a entrevista a Paulo Neves.